Saúde

9 formas de manter a sanidade mental durante a pandemia

O update sobre o desenrolar da situação Covid-19 é constante e, neste momento, o melhor que podemos fazer por nós e pelos outros é cumprir as normas de contenção social. Mas há algo que não deve ficar pelo caminho. Falamos, claro, da nossa saúde mental.

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9 formas de manter a sanidade mental durante a pandemia
© Getty Images
Marta Vieira
Escrito por
Mar. 20, 2020

Discorrer sobre este assunto pode ter tanto de repetitivo como de urgente. É bem verdade que o mundo inteiro não fala de outra coisa desde o início de 2020 – e com razão para tal.

Mas, por isso mesmo, ao invés de a sobrecarregar com informação que já conhece de cor, pretendemos levá-la a refletir sobre assuntos maiores. Dentro, claro, do tema do momento: o coronavírus.

Agitação, cansaço, ansiedade, tristeza, confusão, nervosismo, zanga, ponto. São tudo premissas decorrentes da situação universal que se vive no agora. muitas frentes nesta luta contra o vírus originário na Ásia e todas são válidas. Senão, veja.

Infetados, casos suspeitos e população no seu todo querem-se saudáveis. Mas não se trata só de estarmos livres da doença infecciosa Covid-19 provocada pelo coronavírus, ou de qualquer outra patologia física, diga-se.

A verdade é que há algo que fica sempre para segundo plano, muitas vezes somente contemplada quando se chega a um ponto de rutura total ou exaustão completa da mente: a sua saúde psicológica.

Parte integral do ser humano, este estado de bem-estar que se refere à forma como sentimos, pensamos, decidimos, avaliamos as situações e nos relacionamos com os outros é, no fundo, o que nos permite concretizar as nossas capacidades e expandir o nosso potencial.

Vamos então, finalmente, dar-lhe a atenção devida, especialmente neste momento de caos que se vive? Pensadas para a maioria da população portuguesa, que pelas recomendações estatais e de saúde publica se encontra em isolamento social, seguem-se as seguintes sugestões.

9 ideias para manter a sanidade mental em casa

1. Ser crítica em relação à informação

Para além de evitar um estado de saturação informativa, é preciso saber desconfiar do que se lê, ouve ou vê. Há por aí muito conteúdo manipulado, irrealista e com o intuito de disseminar o pânico, desrespeitoso para com quem pratica uma boa comunicação e por quem a consome. E a cabeça não dá conta de tudo.

Assim, para além de não dar atenção a tudo o que encontre, procure, para seu bem, limitar o tempo online. Quanto a instituições fidedignas, tem, por exemplo, a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Serviço Nacional de Saúde (SNS), A Direção-Geral da Saúde (DGS) ou mesmo a linha telefónica SNS24 (808 24 24 24). Recorra ainda ao quadro atualizado da pandemia aqui.

2. Cumprir as medidas de proteção

Que melhor forma de se sentir segura e de boa consciência do que reduzir a hipóteses de ser infetada ou de espalhar a Covid-19?

Já sabe: respeite as várias medidas de contenção social (distanciamento social, isolamento, quarentena, encerramento de estabelecimentos/serviços públicos ou privados e cancelamento de eventos em massa); cumpra uma higienização adequada; esteja atenta aos principais sintomas (febre, tosse, dificuldade respiratória), seja cuidadosa com a etiqueta respiratória e contacte as entidades competentes em caso de dúvida ou necessidade maior.

3. Manter um estilo de vida saudável

Os seus benefícios físicos e psicológicos são imensuráveis. Por isso, tenha esta preocupação em mente, tal como faria numa situação não pandémica do mundo. Procure não só regularizar o sono, como cumprir com os parâmetros para uma alimentação saudável, sem descurar, obviamente, o exercício físico.

Para este último, há várias opções virtuais, mesmo para quem vive num apartamento. Também continuar ou experimentar pela primeira vez atividades como a o ioga ou a meditação será, sem sombra de dúvida, muito benéfico, numa conexão entre corpo, mente e alma. Atente também a formas de melhorar o seu sistema imunitário. Uma ajuda extra.

4. Continuar com a rotina diária

Acredite, se adotar o modo desleixo para esta estadia em casa vai mesmo dar em louca. Se é aceitável ficar um dia de pijama, a título de exemplo, ao fim de um mês ou mais torna-se indesculpável. Trabalhar dentro da cama, com o portátil no colo, não se parece minimamente com o que faria na vida real.

Por isso, aponte: mantenha os horários de sempre, faça a cama, vista-se, cuide  de si e da sua aparência e encontre um local de acordo para ter o seu espaço de concentração. Seja criativa ou improvise se necessário, mas esforce-se.

Caso não esteja em teletrabalho, siga as mesmas instruções. Saiba igualmente diferenciar dias de semana de fins de semana, através do tipo de atividades praticadas. Manter a normalidade é a chave.

5. Cuidar do que vai cá vai dentro

Não ter receio das emoções que sente e aceitá-las – são só mesmo isso, emoções – bem como reconhecer os seus medos são dois passos importante por uma saúde mental feliz. Mas é preciso mais. Saiba monitorizar a ansiedade que a atinge (pouca é recomendável, demasiada é prejudicial) como se tivesse um barómetro para isso mesmo. A ideia é apanhá-la quando ainda está no início.

Para além disto, e, preste muita atenção aqui, saiba desafiar os seus pensamentos. A verdade é que é comum confundir-se o pensamento com a própria realidade. Na verdade, a nossa mente pode ser perita em enganar-nos. Assim, tenha um diálogo interno e aprenda a criticar os pensamentos disfuncionais que tenha. Uma luta de argumentos em que deve ganhar no final.

Ainda, e numa tentativa de lidar com as emoções, evite refugiar-se no álcool, tabaco, drogas ou mesmo açúcar, pelos seus efeitos nefastos tão conhecidos, físicos e psicológicos.

6. Recorrer a estratégias do passado

Convenhamos, embora a situação generalizada que se viva seja atípica não é, de todo, a primeira crise, problema ou dificuldade que tem na vida. Assim, recorde outros momentos que tenham sido desafiantes para si e procure lembrar-se das capacidades e competências que utilizou.

As que resultaram e as que não funcionaram tão bem, mas especialmente as primeiras. Aplique-as de acordo. O nosso corpo e mente funcionam como uma caixinha de memória que depressa adotará algo que resultou no passado, basta dar-lhe a dica.

7. Fazer coisas que a façam feliz

Cozinhar um prato novo, ver as séries preferidas da redação da Saber Viver, ouvir o episódio de podcast que já descarregou há um mês, escrever, finalmente, uma peça de teatro ou ler todos os livros em lista de espera na sua mesa-de-cabeceira parecem, em tudo, atividades que lhe podem aliviar a mente, ao mesmo tempo que são altamente produtivas.

Dedique-se aos hobbies que tanto preza ou adapte-os ao quadro atual. Melhor ainda, aprenda algo novo, faça um curso online, veja tutoriais ou peça a alguém em casa que a ensine. Vale tudo. Isto irá estabelecer novas sinapses no cérebro, estimulando diferentes zonas do mesmo.

8. Conectar-se

Em primeiro lugar consigo mesma, mas também com a sua família, amigos e o mundo em geral. Lembre-se que não está sozinha – embora literalmente possa ser este o cenário. Estamos todos a passar pelo mesmo. E a união faz, sem dúvida, a força, mesmo a três metros de distância uns dos outros.

Aproveite este momento para se aproximar dos seus entes queridos e, mais do que nunca, utilize a tecnologia a seu favor. É perfeitamente possível ver uma série ao mesmo tempo que o seu namorado, cada um em sua casa.

Da mesma forma e, como já aqui falamos, seja também pelos outros, mesmo os que não conhece. Em tempos de crise, é crucial e muito comovente a solidariedade que daqui pode advir.

9. Agradecer

Pensar em todas as coisas porque está grata no momento e celebrá-las é uma ótima forma de colocar em perspetiva todo o culminar de sensações, emoções e pensamentos que está a viver. Pode até mesmo criar um diário de gratidão, não estava já para fazê-lo há algum tempo?

Guardar alguns mantras ou frases que lhe façam sentido agora ou que a inspirem e dêem conforto pode ser outra das hipóteses para fomentar a atitude positiva que se quer no momento. Escreve-las num papel ainda melhor. O cérebro reconhece e assimila com mais facilidade. Mais ainda, transmita este bem-estar também aos que estão em seu redor.

Finalmente, se sentir que estas sugestões não a estão a ajudar na medida em que necessita, sentindo-se no limite ou mesmo com sintomas patológicos, não coloque nunca de lado a opção de recorrer a ajuda especializada. Nomeadamente à psicologia, onde profissionais da área estão em tudo dispostos e preparados para a receber e forjar em conjunto consigo um caminho em direção à plenitude, mesmo que seja por via online.

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