Bem-estar

Psicoterapia: o que é e porque devia estar a fazer

Falar com amigos é uma excelente terapia, mas não chega quando os problemas a sobrecarregam. A psicoterapia ajuda, através da ‘conversa’, a encontrar as ferramentas necessárias para enfrentar as situações mais difíceis do seu dia a dia.

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Psicoterapia: do que se trata e porque devia estar a fazer
Escrito por
Nov. 23, 2017

Por vezes, tomar café com a nossa melhor amiga, é tudo o que precisamos. Falar com alguém que nos ouve, de quem gostamos, funciona, é certo, como uma verdadeira terapia. Falar ajuda, e disso ninguém tem dúvidas: é uma forma de estar que todos devemos seguir.

Porém, será que conversar com amigos é suficiente em todas as situações? Falar ajuda, sim, mas há situações que precisamos mais do que simplesmente desabafar.

Procurar a ajuda de um terapeuta especializado é uma boa solução. Mesmo para quem acha que não tem problemas de maior. “O simples ato de falar, ou mesmo escrever, sobre algo que nos preocupa, ajuda a exteriorizar o problema. Ajuda a que não se acumulem tensões. Funcionamos com uma panela de pressão, ou como um vulcão. Perante situações emocionalmente desafiantes é útil ir ventilando”, explica Inês Afonso Marques, psicóloga clínica e coordenadora da equipa infanto-juvenil da Oficina da Psicologia.

O que é, afinal, a psicoterapia?

Desengane-se se pensa que fazer psicoterapia é apenas pagar para estar estendido no divã. Isto de uma forma muito romântica, à moda de Hollywood, e falar.

Na verdade, um psicoterapeuta é alguém que estudou, e continua a estudar, e que pratica, de acordo com a investigação sobre as melhores práticas clínicas. É alguém que ajuda o paciente a ganhar consciência da inter-relação entre emoções, pensamentos e ações.

Através da psicoterapia identificam-se crenças disfuncionais ou pensamentos automáticos desajustados, treinam-se novas estratégias de regulação emocional e experimentam-se novos comportamentos.

É, por isso, que Inês Afonso Marques diz que: “Em termos genéricos, através da psicoterapia, ajudam-se os pacientes a viver de forma mais feliz, saudável e produtiva. O objetivo é o bem-estar e a saúde mental. É o processo em que são aplicados métodos clínicos, com base numa aliança terapêutica entre paciente e psicoterapeuta, para ajudar a pessoa a modificar comportamentos, cognições, emoções e outras características pessoais, com base em objetivos terapêuticos delineados em conjunto”.

Doenças que se curam a “falar”

Um paciente pode recorrer à psicoterapia por sintomatologia ansiosa ou depressiva, por alterações no sono, por perturbações alimentares, por dificuldades relacionais, por questões relacionadas com a parentalidade, para lidar com determinadas fases da sua vida, entre muitos outros motivos.

Conforme os casos são aplicadas técnicas cientificamente validadas, de forma a ajudar os pacientes. Inês Afonso Marques afirma que há diferentes abordagens em psicoterapia, como a terapia cognitivo-comportamental, o EMDR (sigla para uma inovadora abordagem terapêutica de origem americana chamada de Eye Moviment Desensitization and Reprocessing), o Mindfulness (técnicas de meditação), a terapia psicodinâmica, entre outras.

Psicoterapia: do que se trata e porque devia estar a fazer

Ser mindful pode ser uma forma de psicoterapia.

“No final de todo este processo psicoterapêutico, a pessoa não terá apenas resolvido o problema que a levou à terapia, como, por exemplo, uma redução da sintomatologia ansiosa, nas suas vertentes emocional, cognitiva e comportamental, como também terá aprendido novas competências para lidar com situações futuras similares”, remata, por fim, Inês Afonso Marques.


Sinais de que precisa fazer psicoterapia

Segundo Inês Afonso Marques, psicóloga, há vários sinais a que deverá estar atenta para perceber se necessita de fazer psicoterapia:

  •  Sensação de desgaste emocional, sensação prolongada de tristeza e desesperança.
  • Sensação de que os problemas ou dificuldades não se alteram apesar dos seus esforços e do apoio de família e amigos.
  • Dificuldades de concentração em tarefas laborais e dificuldade de realizar as tarefas quotidianas habituais.
  • Preocupação excessiva, expetativa no pior e sensação de estar sempre no limite.
  • Quando as ações, como beber demasiado, consumo de substâncias, condução agressiva, entre outras, podem estar a magoá-lo a si ou aos outros.
  • Alterações que se prolongam no tempo em termos de sono, alimentação, humor, padrões de pensamento e comportamento.


Este artigo foi escrito por Helena C. Peralta.

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