Saúde

As 12 análises clínicas pedidas com mais frequência

Sabe porque é importante conhecer os resultados? Henrique Santana, Coordenador de Medicina Geral e Familiar na Clínica CUF de São Domingos de Rana e Diretor Clínico da Clínica CUF Nova SBE, responde à questão e revela ainda quais as análises clínicas mais pedidas.

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As 12 análises clínicas pedidas com mais frequência
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Escrito por
Set. 08, 2020

A prevenção e deteção precoce de doenças é uma componente basilar dos cuidados de saúde primários e nós, especialistas em Medicina Geral e Familiar, estamos disponíveis para o ajudar a promover, manter a saúde e tratar as doenças crónicas e agudas que vão surgindo ao longo da vida.

Além de atendermos às suas queixas, fazemos uma observação regular de diversos parâmetros, por exemplo: o seu peso, o seu índice de massa corporal, a sua tensão arterial, a sua frequência cardíaca, o seu estado psicológico, etc.

De de acordo com o que se constata na consulta preconiza-se tratamento, pedidos de exames auxiliares diagnóstico e faz-se sempre promoção da saúde.

Para manter e promover a sua saúde e fazer deteção precoce de problemas que vão surgindo ao longo da sua vida, são pedidos exames complementares de diagnóstico – nestes estão incluídas as análises clínicas ao sangue e urina, que são pedidas numa cronicidade que depende da sua idade e estado de saúde. Mas há outras.

As análises clínicas pedidas com mais frequência

Hemograma

É uma análise ao sangue que nos fornece o número de glóbulos vermelhos (hemácias ou eritrócitos), de glóbulos brancos (ou leucócitos) e de plaquetas. Salientam-se alguns dados mais relevantes:

Eritrócitos: Traduz o número de glóbulos vermelhos.

Hemoglobina: É uma proteína que se encontra no interior dos eritrócitos, responsável pelo transporte de oxigénio e é a forma mais precisa de avaliar uma anemia.

Leucócitos: São as células de defesa responsáveis por combater as infeções e que fazem parte do nosso sistema imunitário.

Incluem vários tipos de células, tais como os neutrófilos (em média cerca de 45% a 75% dos leucócitos em circulação. São especializados no combate a bactérias), os eosinófilos (responsáveis pelo combate de parasitas e pelo mecanismo de alergia), os basófilos (um aumento dos seus níveis indica processos alérgicos e estados de inflamação crónica), os monócitos e os linfócitos.

Os linfócitos são responsáveis pela produção dos anticorpos. São o segundo grupo de leucócitos mais comum em circulação.

Plaquetas: São as células que intervêm no processo de coagulação, juntam-se no local da lesão e formam um aglomerado com o nome de trombo com o objetivo de parar a hemorragia.

Quando existe um valor baixo de plaquetas (trombocitopenia) podem surgir hematomas e hemorragias espontâneas. Ao aumento dos níveis de plaquetas dá-se o nome de trombocitose.

Glicémia

A determinação da glicemia constitui o exame laboratorial mais frequente no diagnóstico da diabetes e das anomalias das glicémias que são estados precursores da diabetes.

Um valor de glicemia em jejum ≥ 126 mg/dl é muito sugestivo de diabetes.

Ácido Úrico

Este composto é o produto da metabolização de proteínas. O aumento da concentração de ácido úrico no sangue (hiperuricemia) pode surgir em consequência de doenças metabólicas ou renais, da ingestão de alimentos ricos em proteínas, como efeito secundário da administração de alguns fármacos ou excesso de ingestão de álcool, entre outras.

A hiperuricemia está associada à gota e ao aparecimento de cálculos renais.

Creatinina

É um indicador importante da função renal pelo facto de a creatinina ser produzida de forma constante pelos músculos e eliminada através dos rins.

A insuficiência renal causa aumento de creatinina sérica, pois esta não é eliminada nas quantidades normais e acumula-se no sangue.

Ureia

É o principal produto da destruição das proteínas; forma-se principalmente no fígado, sendo filtrada pelos rins e eliminada sobretudo na urina.

Se o funcionamento do rim estiver alterado, a ureia tem tendência a acumular-se no sangue e o seu valor surge aumentado.

A ureia pode estar alterada em casos de desidratação, uso de diuréticos ou hemorragia digestiva, entre outras causas.

O colesterol que se encontra no organismo tem duas origens possíveis: produção endógena pelo fígado ou obtido através da alimentação
Henrique Santana, Coordenador de Medicina Geral e Familiar Henrique Santana, Coordenador de Medicina Geral e Familiar

Ionograma (Na, K, Cl)

São minerais que se encontram nos tecidos e sangue do organismo sob a forma de sais dissolvidos. Mantêm um equilíbrio hídrico saudável e ajudam a estabilizar o nível de pH no organismo.

O ionograma sérico determina a concentração dos iões: Sódio (Na+), Potássio (K+) e Cloro (Cl-), que provêm da alimentação sendo excretados através dos rins.

Os eletrólitos são utilizados na avaliação dos doentes com pressão arterial elevada, insuficiência cardíaca, doença hepática e renal.

Colesterol

É uma molécula encontrada em todas as células do organismo. O colesterol é essencial para a formação das membranas celulares, síntese de hormonas, digestão das gorduras, produção de bílis, metabolização de vitaminas A, D, E e K, entre outras funções.

O colesterol que se encontra no organismo tem duas origens possíveis: produção endógena pelo fígado ou obtido através da alimentação.

O colesterol doseado mais frequentemente nas análises clínicas é o LDL (Low Density Lipoprotein), o HDL (High Density Lipoprotein) e o colesterol total.

Ao HDL é atribuído um papel protetor. Contrariamente, níveis elevados de LDL podem contribuir para a formação e desenvolvimento de placas ateromatosas nas paredes das artérias – aterosclerose. Estas conduzem progressivamente à diminuição do diâmetro do vaso, podendo chegar à obstrução total.

Função Hepática (AST, ALT)

A AST (aspartato aminotransferase) e a ALT (alanina aminotransferase) são enzimas presentes nas células do fígado (hepatócitos) e que são libertadas no sangue em consequência de lesão hepática de naturezas diversas.

A elevação dessas enzimas é a anormalidade mais comummente encontrada em rotina de testes hepáticos, tornando-se, por isso, marcador útil para diagnóstico e monitorização das doenças do fígado.

Função Tiroideia (TSH, T4L)

Muitas vezes silenciosas e a causa de sintomas inespecíficos, as doenças da tiroide podem demorar algum tempo até serem diagnosticadas, atrasando o início do tratamento.

Caso não sejam tratadas, as patologias da tiroide podem ter consequências graves para a saúde. Cerca de 10% dos portugueses são afectados por alterações no funcionamento da tiroide.

Com a avaliação da  TSH (hormona tiro-estimulante) e T4L (tiroxina livre) mesmo sem sintomas detectam-se alterações do funcionamento desta glândula o que permite um tratamento mais eficaz.

Estudos têm mostrado que a deficiência de vitamina D está associada ao maior risco de várias doenças crónicas
Henrique Santana, Coordenador de Medicina Geral e Familiar Henrique Santana, Coordenador de Medicina Geral e Familiar

Vitamina D

A vitamina D é uma pró-hormona que após alguns processos no nosso organismo torna-se muito importante em muitas funções do nosso corpo.

A ação clássica da vitamina D é regular o fornecimento de cálcio e fósforo ao organismo. Dessa forma, ela atua nos ossos, no intestino e nos rins.

O seu papel mais conhecido é a proteção óssea. Sabe-se, entretanto, que ela tem uma função essencial no equilíbrio de vários outros órgãos e células do corpo.

Estudos têm mostrado que a deficiência de vitamina D está associada ao maior risco de várias doenças crónicas, como problemas cardiovasculares, tumores e doenças imunológicas e infecciosas.

PSA

O PSA quer dizer “Antigénio Específico da Próstata” (utiliza-se internacionalmente a sigla PSA, do inglês “Prostate Specific Antigen”).

Normalmente é uma análise feita anualmente aos homens a partir dos 50 anos de idade. O valor obtido permite ajudar a diferenciar se estamos em presença de uma situação de aumento benigno da próstata ou de neoplasia deste orgão.

Urina II

A análise sumária à urina inclui a avaliação de características gerais, como a cor, o aspeto e o pH.

A densidade urinária traduz a capacidade do rim para concentrar ou diluir e o nível de hidratação. É também documentada a presença de elementos anormais.

A deteção de uma quantidade anormal de proteínas na urina (proteinúria) é um indicador de doença renal, mas também pode ser transitória; na gravidez ou associada a exercício intenso. A glicose na urina pode surgir na diabetes, na gravidez ou em casos de insuficiência renal.

A presença de bilirrubina na urina sugere que possa existir obstrução ao fluxo de bílis ou uma alteração do metabolismo hepático. A presença de leucócitos na urina sua pode indicar infeção ou inflamação em algum ponto do trato urinário.

A confirmação de uma infeção bacteriana deve ser efetuada com a análise bacteriológica de uma amostra de urina.

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