Nutrição

Flores comestíveis: quais são e como tirar maior partido delas

As flores comestíveis dão aos nossos pratos um aspeto digno de capa de livro, porém pouco sabemos sobre as suas propriedades. Um nutricionista diz-lhe o que esperar destes acessórios alimentares.

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Flores comestíveis: quais são e como tirar maior partido delas
© GettyImages
Madalena Alçada Baptista
Escrito por
Ago. 01, 2020

Além do impacto visual que as flores comestíveis causam, que, por sua vez, se pode traduzir numa maior vontade de comer determinada refeição (um pouco na sequência da célebre expressão ‘os olhos também comem’), apresentam também algumas mais-valias nutricionais.

Quem o garante é João Rodrigues, nutricionista em Mundo da Nutrição, que defende que “a sua composição nutricional varia consoante o tipo de flor, mas, acima de tudo, é um alimento que contém quantidades significativas de compostos bioativos com potencial antioxidante e anti-inflamatório, nomeadamente polifenóis, carotenoides e triterpenos”.

Sabor, cor e a quantidade certa

Há flores doces, amargas, com sabor suave ou intenso. A diferença que existe na sua aparência reflete-se também numa grande variabilidade ao nível do sabor.

A composição nutricional das flores depende de vários fatores, como a cor. Se, por um lado, há diferenças ao nível dos macro e micronutrientes, é nos compostos bioativos que estas se acentuam. Ou seja, tal como nos hortícolas e frutas, diferentes cores refletem propriedades nutricionais distintas, com as flores comestíveis acontece exatamente o mesmo.

As mais-valias nutricionais dependem da quantidade que se consome. Este aspeto é relevante no caso das flores comestíveis, uma vez que são consumidas em quantidades muito reduzidas.

Algumas flores comestíveis

Flor de coentro

As flores dos coentros são muito aromáticas, pelo que podem ser utilizadas como tempero, em cru.

Curgete

As flores da curgete apresentam uma dimensão maior, sendo tradicionalmente mergulhadas num polme e fritas. Há ainda quem as recheie antes de fritar.

Flor portuguesa

Apesar de não existirem dados oficiais sobre o consumo de flores comestíveis em Portugal, talvez os amores-perfeitos sejam as mais consumidas. No entanto, a rosa, camomila, violeta, calêndula, capuchinha, a flor de borragem, de alho, de coentros, de curgete e lavanda também pertencem ao lote das flores consumidas com mais regularidade no nosso País.

Atenção! Nem todas as flores são comestíveis e há flores que podem ser tóxicas. Além disso, o seu consumo deve ser evitado por pessoas com alergia ao pólen.

Pétala a pétala

O nutricionista João Rodrigues ajuda-nos a tirar maior partido das flores comestíveis.

Que cuidados devemos ter?

Em primeiro lugar, deve-se retirar os estames e os pistilos, pois são amargos. Depois, deve-se proceder à lavagem das mesmas, sendo que pode não ser fácil, por dois motivos: porque as flores comestíveis são frágeis; porque nem todas as partes da flor estão acessíveis.

Há flores tóxicas?

Sim, e por isso é fundamental ter a certeza de que as flores que se quer consumir são comestíveis. Não nos podemos deixar enganar pela sua beleza.

Flores mais comuns, como a lavanda, pétalas de rosa ou amores-perfeitos têm de passar por algum processo especial?

É fundamental garantir que são mesmo flores comestíveis. Também é importante efetuar uma boa higienização, não porque as flores precisem de uma higienização especial, mas porque vêm diretamente da Natureza.

A versão original deste artigo foi publicada na revista Saber Viver nº 241, julho de 2020.

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