Nutrição

Sabe qual a alimentação certa para a diabetes tipo 2?

A alimentação tem um papel fundamental na prevenção e no tratamento da diabetes tipo 2. Descubra o que pode e deve comer.

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Sabe qual a alimentação certa para a diabetes tipo 2?
© Getty Images
Rita Caetano
Escrito por
Fev. 05, 2020

A diabetes tipo 2 e a alimentação estão intimamente ligadas, quer na sua origem, já que uma dieta desregrada “pode levar ao desenvolvimento da doença, quer no seu tratamento, pois controlar a ingestão de hidratos de carbono de modo a gerir a chegada de açúcar ao sangue ajuda a controlar as glicemias”, diz Maria Paes de Vasconcelos, nutricionista.

Convém lembrar que a diabetes tipo 2, a mais prevalente, resulta do excesso de açúcar no sangue, o que faz com que o organismo se torne insensível à insulina e esta passe a ser produzida em grandes quantidades. Esse excesso provoca danos nas artérias, nas células cerebrais, nos rins e na visão, além de causar inflamação crónica.

A alimentação é de tal forma importante que, “num estádio inicial da doença, é possível equilibrar as glicemias apenas com a distribuição dos alimentos ao longo do dia e o controlo das doses de cada refeição”, refere a nutricionista.

No entanto, mesmo quando se toma medicação, o controlo alimentar, tal como o exercício físico, é fundamental para abrandar o desenvolvimento da doença e, “acima de tudo, diminuir o risco das complicações da diabetes, como cegueira, amputação, insuficiência renal, enfarte e AVC”, acrescenta a nossa entrevistada.

Alimentação equilibrada

Existe uma forte relação entre o excesso de peso e a diabetes tipo 2. “A obesidade, principalmente quando a gordura se instala no abdómen, é um dos grandes fatores que levam à diabetes tipo 2”, explica a nutricionista.

Na verdade, a alimentação de quem tem diabetes deveria ser a de qualquer outra pessoa, ou seja, deve ser variada, fracionada e manter sob controlo a glicemia, o colesterol e triglicéridos, prevenindo assim o aparecimento de várias doenças, entre as quais a diabetes.

Muito importante é o consumo de hortofrutícolas (fruta, salada, legumes cozinhados…), ricos em vitaminas e flavonoides. Maria Paes de Vasconcelos recomenda “400 g por dia, ou seja, cinco porções por dia. A Roda dos Alimentos mostra bem que cerca de 1/2 da ingestão alimentar diária deveria ser composta por hortícolas (23%) e fruta (20%)”.

Para perceber se está a cumprir esta regra, a nutricionista propõe um exercício simples: “Imagine todos os alimentos que comeu ontem numa mesa redonda: será que 1/2 da mesa contém hortofrutícolas?”. Deve-se ainda preferir alimentos integrais e leguminosas, ricos em fibra e evitar os doces, os alimentos refinados, as bebidas açucaradas e o álcool.

A Associação Americana da Diabetes afirma que é possível diminuir em 58 % o risco de passar de pré-diabetes para diabetes tipo 2 caso se perca 7% do peso e se faça exercício físico, durante 30 minutos, cinco dias por semana.

O papel da dietoterapia

A regularidade das refeições dos doentes com diabetes tipo 2 é outro fator importante.

“Cada refeição leva um certo tempo a ser utilizada pelo organismo e o objetivo será ingerir apenas os alimentos de que necessita nas duas a três horas seguintes, distribuindo os alimentos ao longo do dia”, explica Maria Paes de Vasconcelos. Idealmente, os diabéticos devem ser acompanhados por um nutricionista.

“O objetivo na dietoterapia da diabetes é assegurar que haja estabilidade do açúcar do sangue, evitando subidas (que são perigosas a longo prazo) e descidas (perigosas no momento). A vantagem de um plano individualizado será o de adaptar os ritmos do dia e os hábitos alimentares, melhorando a adesão e cumprimento da melhor alimentação possível”, afirma a nutricionista.

Até agora, temos estado a falar sobre a diabetes tipo 2. No caso da diabetes tipo 1, que cuidados alimentares deverão ser seguidos? “É importante perceber que é possível fazer uma vida normal, com ingestão de todos os alimentos, desde que o doente esteja treinado a dosear as tomas de insulina ao longo do dia de modo a imitar o funcionamento normal do organismo.

Ou seja, é a insulina que se adapta à comida e não a comida que se adapta à doença”, responde Maria Paes de Vasconcelos. Contrariamente à diabetes tipo 2, associada ao estilo de vida, a tipo 1 é uma doença autoimune e resulta da falta de insulina, pois o sistema imunitário destrói as células beta que a produzem.

A versão original deste artigo foi publicada na revista Saber Viver nº 235, janeiro de 2020.

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