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Dermatite seborreica: o que fazer quando a pele é excessivamente oleosa

Há consequências desconfortáveis e até mesmo graves para quem sofre deste problema. A Saber Viver falou com uma especialista que ajudou a perceber mais sobre dermatite seborreica.

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Dermatite seborreica: o que fazer quando a pele é excessivamente oleosa
© Getty Images
Marta Chaves
Escrito por
Jun. 25, 2020

O brilho que a sua pele pode ter ao final do dia pode significar pele com tendência oleosa. Porém, o alerta surge quando a sua pele tem sebo excessivo, pode ser no rosto, mas principalmente no couro cabeludo.

“A dermatite seborreica é uma doença de pele frequente, crónica, não contagiosa, que ocorre em áreas onde a pele é mais oleosa”, começa por explicar Helena Toda Brito, dermatologista.

Caracteriza-se por áreas de pele avermelhada, inflamada, com aspeto oleoso, apresentando escamas ou crostas espessas na superfície, brancas ou amareladas. Pode provocar comichão, ardor, ou ser assintomática.”

Estes sintomas podem ser um verdadeiro problema para quem sofre desta doença, não só pelo aspeto exterior causado, mas também pelo mau estar diário.

A caspa é o exemplo perfeito disso. Aliás, como a especialista afirma “caspa é o termo coloquialmente utilizado para designar a dermatite seborreica ligeira do couro cabeludo”. Os seus efeitos já são conhecidos: a descamação fina que se traduz em pequenos flocos brancos pelo cabelo e roupa.

As causas

Porém, atenção, porque este não é um problema exclusivo do couro cabeludo. “Embora esta seja uma das localizações mais frequentes, há outras zonas que podem ser afetadas, como as orelhas, sobrancelhas, pálpebras, zona central da face, zona central do tronco, axilas e genitais”, refere.

Em relação às causas, a dermatologista garante: “A causa da dermatite seborreica não está totalmente esclarecida, mas pensa-se que existam muitos fatores que contribuam para o aparecimento da doença”. São eles:

  • Uma reação inflamatória à presença da malassezia furfur (um fungo que reside habitualmente na nossa pele);
  • Produção excessiva de sebo (oleosidade natural da pele);
  • Composição anómala do sebo;
  • Desequilíbrio do microbioma da pele (conjunto de microrganismos que residem habitualmente na nossa pele);
  • Clima frio e seco;
  • Stresse e o estado geral de saúde.
O cabelo deve ser lavado com a frequência necessária para estar limpo, o que nas pessoas com cabelo oleoso pode significar uma lavagem diária – Helena Toda Brito, dermatologista

Estas são algumas das razões que podem levar ao surgimento desta doença e ao seu agravamento. Por outro lado, há outras causas que estão excluídas. “Apesar de ainda existirem dúvidas quanto à causa, sabe-se que esta doença não é provocada por má higiene pessoal, nem representa uma alergia”, informa Helena Toda Brito.

Além disto, ainda que a dermatite seborreica seja comum a ambos os géneros e a qualquer idade, existe uma maior propensão nos homens dos 30 aos 60 anos.

Também pessoas que tenham doenças como infeção por VIH ou Parkinson, ou que tomem certos fármacos, como lítio, têm um risco acrescido de desenvolver esta condição.

No dia a dia, há passos que as pessoas com dermatite seborreica podem evitar para que a doença não seja agravada. Um deles é a lavagem pouco frequente do couro cabeludo. “O cabelo deve ser lavado com a frequência necessária para estar limpo, o que nas pessoas com cabelo oleoso pode significar uma lavagem diária.”

Também se deve evitar coçar ou arrancar as crostas e escamas, pois isto pode agravar a inflamação e “originar complicações como infeções bacterianas.”

Uma vez que a pele é mais sensível à irritação, deve evitar-se “a exposição excessiva ao sol e calor, bem como a realização de tratamentos tópicos agressivos e esfoliações, que podem provocar o agravamento da doença”, como explica a especialista.

Os tratamentos possíveis

Embora esta seja uma doença crónica, a utilização de produtos diários deve ser cuidada e com algumas regras.

No caso ligeiro de dermatite seborreica no couro cabeludo, os champôs anti-caspa podem, de facto, ser eficazes. Assim como, nos cuidados de rosto, Helena Toda Brito aconselha a optar por um creme hidratante sem óleo e sem perfumes, que hidrate a pele.

Por outro lado, a consulta com um especialista deve ser sempre privilegiada. Até porque poderá haver tratamentos mais indicados para cada nível da doença.

“Os tratamentos prescritos variam consoante a localização das lesões, consistindo habitualmente em champôs/produtos de limpeza contendo ingredientes ativos e medicamentos aplicados na pele (sob a forma de cremes, emulsões, loções). Nos casos mais graves, pode haver necessidade de tratamento oral prescrito pelo médico dermatologista.”

Em conclusão, deixe que a avaliação seja feita por um profissional e reveja a sua rotina de beleza e os hábitos que leva no dia a dia. O mais importante é não deixar que a inflamação se agrave.

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