Nutrição

Como fazer uma alimentação sustentável (e saudável)

A Organização das Nações Unidas lançou uma Agenda para o Desenvolvimento Sustentável até 2030. Nela estão contemplados 17 objetivos que pretendem tornar o Planeta mais sustentável para as gerações futuras. A propósito do mesmo, a Associação Portuguesa de Nutrição lança um e-book que ensina a ser mais saudável e, em simultâneo, conseguir fazer uma alimentação sustentável.

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Como fazer uma alimentação sustentável (e saudável)
Escrito por
Ago. 17, 2017

Comecemos pelos números assustadores. Em 2050, a população mundial será superior a 9 mil milhões, o que significa que será necessário produzir mais 60% de alimentos. Por outro lado, atualmente, 1/3 dos alimentos produzidos não é consumido – ou seja, é desperdiçado. Exemplo: anualmente, são produzidos 263 milhões de toneladas de carne (o que gasta muitos recursos do Planeta) e, deste valor, 20% vão para o lixo. Mesmo assim, em todo o mundo, 900 milhões de pessoas passam fome, enquanto 1,9 mil milhões sofrem de excesso de peso. Todos estes dados estão presentes no novo e-book lançado pela Associação Portuguesa de Nutrição (APN), que criou uma espécie de manual que ensina a fazer uma alimentação sustentável – e, consequentemente, saudável.

O desperdício alimentar contribui para a deterioração do nosso Planeta: é responsável por 8% dos gases que provocam efeito de estufa. E, ao mesmo tempo, é uma fonte de desperdício dos recursos esgotáveis da Terra, como a água. Como avança o mesmo e-book, “são necessários cerca de 2000 a 5000 litros de água para produzir os alimentos consumidos.” Vale a pena recordar que no passado dia 2 de agosto, esgotámos os recursos terrestres disponíveis para 2017.

Helena Real, Secretária-Geral da Associação Portuguesa de Nutrição, considera que, “atualmente, não é suficiente queremos ter uma alimentação saudável. Temos que ter também uma alimentação mais sustentável.” Mas como? Bastam pequenas mudanças no dia a dia. Conheça-as.

Dicas para fazer uma alimentação sustentável

1. Elabore uma lista de compras 

Primeiro passo é planear. Uma lista de compras que se cinja ao necessário evita o desperdício, tanto alimentar, como do orçamento familiar.

2. Mais vegetais, menos animais 

Como explica o e-book, a produção dos alimentos de origem animal é prejudicial  à gestão dos recursos e preservação da Terra. Por outro lado, “produtos de origem vegetal têm uma redução expressiva sobre a pegada de carbono, hídrica e ecológica”. Assim, a APN recomenda ocupar ¾ do prato com alimentos de origem vegetal e limitar a ¼ do prato os alimentos de origem animal.

3. Aumente o consumo diário de leguminosas

As leguminosas são um substituto de alimentos de origem animal (carne, pescado ou ovos), uma vez que são fontes de proteína. Juntar arroz e feijão, por exemplo, é uma maneira de garantir uma ingestão de proteína de elevado valor biológico.

4. Sirva as porções em função da Roda da Alimentação Mediterrânica

As recomendações da Roda dos Alimentos devem ser seguidas. Seguindo as suas regras, ingerimos aquilo que necessitamos (o adequado individualmente, claro) e consumimos mais local, sazonal e, assim, evitamos o desperdício. De acordo com a APN, a ” Dieta Mediterrânica constitui um padrão alimentar e de estilo de vida que promove o bem-estar do Planeta”, incentivando “a utilização de alimentos locais e sazonais.”

5. Prefira alimentos locais e da época

Explica o e-book da APN que um alimento local é “aquele que é produzido na proximidade, tendo uma cadeia de distribuição curta.” Desta forma, o consumo deste tipo de alimentos “promove a economia da região e minimiza a pegada de carbono.” Alimentos locais são, regra geral, alimentos frescos. Além de reunirem uma qualidade nutricional mais concentrada, “têm um custo económico e ambiental inferior”, comparativamente aos alimentos consumidos fora de época. Veja a selecção da Saber Viver de locais onde pode comprar alimentos biológicos.

6. Reduza o desperdício na preparação dos alimentos

Quando estiver a cozinhar, utilize todas as sobras possíveis para novas refeições. A reutilização e aproveitamento são essenciais para diminuir o desperdício alimentar na Terra. Com menos desperdício, produzimos menos e poupamos o Planeta e os seus recursos.

7. Cozinhe com panelas de pressão

Limite a utilização do forno e escolha antes cozinhar em panelas de pressão: são mais rápidas e permitem “economizar mais energia”.

8. Prefira embalagens familiares

Dificilmente vai poder excluir a compra de embalagens do seu dia a dia. Mas poderá limitar a sua utilização ao escolher opções maiores e familiares. Quando compra unidades individuais, avulso, está a gastar mais recursos da Terra.

9. Esteja atenta ao prazo de validade dos produtos

Consuma primeiro os alimentos com o prazo de validade no final. Caso contrário, o produto expira e vai para o lixo.


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