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Porque é que a depressão é mais comum nas mulheres?

Estima-se que mais de 300 milhões de pessoas em todo o mundo sejam afetadas pela depressão. E é a mulher quem mais sofre com esta perturbação mental. As razões? A desigualdade de direitos face aos homens e uma sociedade predominantemente machista estão no cerne da questão.

A depressão é uma das perturbações mentais mais comuns, sendo mais prevalente nas mulheres do que nos homens. Porquê?

Por um lado, temos as causas biológicas, relacionadas com as alterações hormonais e as fases consideradas críticas na vida de uma mulher. São elas o período pré-menstrual, a gravidez, o pós-parto e a menopausa.

Mas existem outros fatores sociais que contribuem para esta discrepância. Chantal Feron, psicólogia clínica no Hospital CUF Infante Santo e Clínica da Miraflores, reuniu, com base na literatura, um conjunto de hipóteses psicossociais que explicam porque é que as mulheres sofrem mais de depressão do que os homens.

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12 razões que explicam porque as mulheres sofrem mais de depressão

Maior tendência da mulher a internalizar eventos stressantes;

• Sociedades nas quais os direitos e o status da mulher são diferenciados dos homens desigualdade de género;

• Desigualdade social entre os sexos, como diferenças salariais, falta de emprego e pouca atuação política;

• Maior número de situações abusivas nas quais é vítima (roubo, assédio, etc.), sendo sujeita a mais eventos stressantes ou traumáticos ao longo da vida;

• Tipicamente, a mulher tem maior responsabilidade familiar do que o homem (participar no sustento da casa, cuidar dos filhos, responsabilidade pela educação e cuidados de saúde, cuidado com o marido) e a acumulação destas tarefas traz maior fadiga e menor tempo para actividades prazerosas e de realização pessoal;

• As mulheres acedem mais aos serviços de saúde (a depressão pode ser inaceitável para os homens);

• Maior importância dada à imagem corporal, sendo mais cobrada nas mulheres e pelas mulheres, contribuindo para o aparecimento da sintomatologia depressiva;

• As mulheres parecem ser mais autoconscientes e mais informadas sobre seus estados internos, podendo favorecer a ruminação de ideias, ao invés de comportamentos de distracção (fuga/evitamento), mais comuns nos homens com depressão;

• Os homens são mais instigados a serem assertivos ou agressivos do que as mulheres, expressando os seus sentimentos, mesmo que de forma inadequada;

• As mulheres que receberam uma educação baseada em regras machistas, na qual o homem tem mais direitos, detém um menor sentimento de auto-eficácia, associado aos sintomas depressivos;

• Os homens, desde pequenos, são geralmente incentivados a uma maior independência e autonomia dos pais do que as mulheres, o que aumenta a capacidade de enfrentamento e resolução de problemas;

• Consoante as diferenças e a rigidez existente nos direitos ou regras sociais não igualitárias, as mulheres podem ser mais suscetíveis de preocupações com a auto-avaliação, refletindo baixa expetativa quanto ao sucesso profissional.

Fontes: OMS Portugal, Associação de Apoio aos Doentes Depressivos e Maníaco-Depressivos (ADEB), 2013; Gonçalves, B e col., Prevalência e diagnóstico da depressão em medicina geral e familiar, Rev Port Clin Geral 2004;20:13-27; American Psychological Association; DGS; American Psychological Association; A depressão e a mulher na sociedade moderna; Depressão e género: por que as mulheres deprimem mais que os homens?; A depressão nas mulheres de meia-idade: Estudo sobre as utentes dos cuidados de saúde primários;

A saúde mental é um dos temas tabus que todas as mulheres deveriam estar a falar.

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