Relações e família

Costuma fazer massagens ao seu bebé? São estes os benefícios

O mais conhecido é prevenir ou diminuir as cólicas, mas há outros, como a promoção de um sono mais tranquilo, o relaxamento e o estreitar de laços entre pais e filhos.

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Costuma fazer massagens ao seu bebé? São estes os benefícios
© Getty Images
Rita Caetano
Escrito por
Out. 26, 2020

São vários os estudos científicos que confirmam os benefícios da massagem para os bebés no seu desenvolvimento físico e emocional. Além de permitir estreitar laços entre pais e filhos, faz com que os mais pequenos ganhem consciência do seu corpo e tem muitas outras vantagens: ajuda a prevenir ou a diminuir a intensidade das cólicas, é importante para evitar a obstipação e os problemas associados à dentição e promove padrões de sono tranquilos.

“A massagem acaba por estimular uma série de coisas não só no próprio organismo do bebé, porque enquanto a fazemos estamos a trabalhar os músculos e estamos a promover, ao mesmo tempo, o relaxamento. Daí que ajude no sono e relaxe mesmo os bebés mais tensos, aqueles que mesmo fora da barriga mantêm a posição fetal”, diz Magda Soares, terapeuta e formadora da massagem do bebé.

Benefícios físicos e emocionais

A massagem do bebé começa na ponta do dedo e acaba na cabeça, o que faz com que, como explica a terapeuta, “se trabalhem as diversas partes do corpo e se acabe por tocar em pontos que têm ligação com órgãos. Acabamos por estar a trabalhar os sistemas digestivo, urinário, respiratório, circulatório e até o linfático, o que ajuda a eliminar toxinas”. A juntar a tudo isso está o lado emocional.

“O bebé precisa de ser protegido, acarinhado, muito tocado, e há estudos que comprovam que os bebés que são tocados acabam por ser crianças mais seguras mais confiantes e com uma maior autoestima, porque tiveram esse afeto e toque da parte dos pais, que os fez ter uma transação da barriga da mãe para o mundo exterior um bocadinho mais suave”, garante Magda Soares.

A massagem deve ser feita pela mãe e pelo pai, até porque, realça a terapeuta, “é uma forma de aproximar o progenitor do bebé, já que com a mãe há um contacto mais direto até pela amamentação. Durante a massagem há uma interação, um contacto visual, conversa, estímulos que vão contribuir para o desenvolvimento do bebé.”

Se possível, deve ser feita todos os dias. Quando não há tempo, pode-se fazer pelo menos a uma das partes do corpo e no dia seguinte às outras – Magda Soares, terapeuta e formadora da massagem do bebé. 

O passo a passo para uma massagem a um bebé

Prepare o momento da massagem previamente. Magda Soares, terapeuta e formadora da massagem do bebé, diz-lhe o que precisa de saber:

O local escolhido para a massagem deve estar a uma temperatura agradável para que o bebé não tenha frio. Se for necessário, aqueça-o antes;

Se for de dia, feche os estores e apague a luz do teto, deixe só uma luz ambiente;

Escolha uma música relaxante ou vá falando com o seu bebé tranquilamente, ou cante-lhe uma canção;

Por questões de segurança, o mais aconselhável é fazer a massagem no chão, em cima de um tapete. Coloque uma manta, um resguardo – porque ao estimular o pé e a barriga, o bebé pode fazer xixi ou cocó – e, por cima, uma toalha;

Tenha à mão outro resguardo e uma toalha suplente;

O bebé deve estar nu, se bem que ao começar pelos pés e pernas ainda pode ter a fralda ou mesmo um body (caso seja inverno). Quando se passa para a zona do abdómen, é obrigatório tirar a fralda.

A partir das três semanas

Magda Soares aconselha a começar a fazer a massagem três semanas depois do nascimento.

“Se começar aos 8-10 meses ainda vai a tempo, apesar de poder ser mais desafiante, porque nessa altura alguns já gatinham. No entanto, “quanto mais cedo se iniciar, mais depressa sentirão os benefícios”, realça, enquanto acrescenta que é importante haver continuidade, ou seja, deve fazer parte da rotina.

“Se possível, deve ser feita todos os dias. Quando não há tempo, pode-se fazer pelo menos a uma das partes do corpo e no dia seguinte às outras. Desta forma, podem-se prevenir os momentos de crise como cólicas, obstipação e até os problemas associados ao aparecimento dos dentes.” A massagem do bebé deve ser feita até aos 2 ou 3 anos.

Nos bebés prematuros, a massagem é adaptada. “Não se começa logo a massajar, mas pousa-se a mão em determinadas zonas do corpo para haver a tal adaptação do bebé ao toque. À medida que o estado de saúde dos prematuros evolui, os pais podem começar a massajar suavemente”, explica.

Momento de foco

O melhor momento do dia para o fazer depende da dinâmica da família, realça a terapeuta. “Devem ir experimentando o que funciona melhor para o bebé, mas certo é que ele vai perceber que aquele é o seu momento e que os pais estão completamente focados nele”, refere a terapeuta.

Para fazer a massagem, Magda Soares aconselha a colocar um pouco de óleo ou de loção para bebé na mão e massajar uma na noutra, porque aquecem-se as mãos e o próprio produto para não haver um choque térmico. Em relação ao produto usado, a terapeuta diz que “deve ser o mais natural possível e que o óleo de amêndoas doces é uma boa solução”.

Há duas situações em que a massagem não é aconselhada: “Quando o bebé tem febre, porque vai acelerar o metabolismo e aumentar a temperatura corporal; e quando for vacinado deve-se aguardar entre 48 e 72 horas, porque podem fazer reação à vacina e essa pode mesmo ser despertada por estarmos a mexer no bebé. Contudo, se sofrer de cólicas, podem fazer a sequência da barriga na mesma”, sublinha Magda Soares

A versão original deste artigo foi publicada na revista Saber Viver nº 244, outubro de 2020.

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