Bem-estar

Acha que tem carisma? Descubra o que precisa para brilhar

O carisma é considerado o suprassumo da inteligência emocional. Permite-nos não só estabelecer uma interação positiva com os outros, como também ampliar o nosso desenvolvimento pessoal. Saiba mais sobre este ‘dom divino’.

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Acha que tem carisma? Descubra o que precisa para brilhar
© Unsplash
Vanessa Pina Santos
Escrito por
Fev. 08, 2020

Os gregos chamavam-lhe um presente dos deuses, talvez por ser algo que não tem uma definição concreta. “Falamos de carisma para descrever um ‘poder excecional’ e diferenciado que determinadas pessoas possuem para liderar e/ou influenciar outras pessoas, de forma legítima, natural e quase enigmática”, diz-nos a psicóloga clínica Vera Lisa Barroso.

Mas será este poder um dom? Ou é algo que pode ser treinado e, consequentemente, adquirido?

Um estudo realizado pela Harvard Business Review mostrou que 65% das pessoas que foram treinadas de acordo com um conjunto de técnicas de liderança carismáticas receberam classificações acima da média como líderes, comparativamente com os 35% que não receberam qualquer treino.

Quando falamos deste ‘magnetismo’ em pessoas, falamos invariavelmente de qualidades universais, mas também de características únicas – Vera Lisa Barroso, psicóloga clínica

Um magnetismo natural

O que têm em comum Marilyn Monroe, Adolf Hitler e Winston Churchill? Podemos dizer que são todos figuras mediáticas que conseguiram influenciar milhares de pessoas, independentemente da sua verdadeira intenção e das áreas às quais se dedicavam.

Em comum têm, sem dúvida, carisma. Todos eles tinham qualidades diferentes que cumpriam o seu propósito.

Serão estas pessoas sempre cativantes? Sendo o carisma um atributo que pode ou não ser inerente, este pode manifestar-se apenas em certas ocasiões. “Marilyn Monroe ‘desligava o seu carisma’ como se de um interruptor se tratasse (…). Para reativá-lo, simplesmente mudava a sua linguagem corporal”, lê-se no livro The Charisma Myth (Penguin) da coach executiva Olivia Fox Cabane.

É difícil descrever o que pode ou não tornar uma pessoa carismática, porque vai sempre depender de fatores externos, como as características e os gostos de cada um.

“Quando falamos deste ‘magnetismo’ em pessoas, falamos invariavelmente de qualidades universais, mas também de características únicas e, por vezes, concordantes e enviesadas por culturas e fases sócio-históricas”, explica Vera Lisa Barroso.

Por isso, o que pode ser carismático para um português pode não ser para um indiano. No entanto, de uma forma geral, podemos enumerar algumas das características de uma pessoa carismática, tais como “presença, confiança, coragem, criatividade, empatia, compaixão, tranquilidade, assertividade e comunicação hábil”, acrescenta a especialista.

A força da presença

O primeiro passo para melhorar o nosso carisma é termos consciência de nós próprios e sabermos quais são os nossos pontos fracos e fortes. “O autoconhecimento está na base de maiores níveis de confiança, presença, capacidade de conexão e, posteriormente, competências sócio-relacionais”, explica Vera Lisa Barroso.

Olivia Fox Cabane enumera no seu livro três elementos que considera importantes para quem deseja melhorar o seu carisma: a presença, o poder e a delicadeza.

“A falta de presença pode não só ser detetável, como também pode ser percebida como falta de autenticidade. Quando percebem que não conseguimos ser sinceros, é impossível criar confiança, comunicação e lealdade. É impossível ser carismático”, lê-se no livro já citado.

Estar presente também é algo que se treina e implica estarmos conscientes de nós próprios e do que nos rodeia.

Alguém que é poderoso e rude pode impressionar-nos, mas não o entendemos como alguém carismático e pode parecer-nos arrogante e distante – Olivia Fox Cabane, coach executiva

Poder e delicadeza

Depois da presença, surgem o poder e a delicadeza, que juntos são uma arma poderosa de carisma. O poder nem sempre teve a mesma conotação e, mais uma vez, pode ter diferentes interpretações de acordo com culturas distintas. Para uns, pode ser status, para outros pode ser inteligência, entre as diversas qualidades que podem existir.

O segredo é conseguir transmitir que tem algo de valioso e benéfico não só para si, mas também para os outros. Contudo, para que o carisma seja percecionado por outra pessoa, imaginemos, um público, o poder e a delicadeza precisam de surgir juntos.

“Alguém que é poderoso e rude pode impressionar-nos, mas não o entendemos como alguém carismático e pode parecer-nos arrogante e distante. Alguém amistoso sem poder pode ser agradável, mas também não o entendemos como carismático e pode parecer-nos demasiado ansioso por agradar e por querer parecer bem”, lê-se em The Charisma Myth.

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