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O que acontece à nossa pele quando usamos máscaras?

As máscaras protetoras ajudam a mantermo-nos seguras, porém, se forem mal usadas, têm alguns efeitos negativos para a pele. Fomos saber quais as verdadeiras consequências da sua utilização e os cuidados a ter.

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O que acontece à nossa pele quando usamos máscaras?
© Getty Images
Mariana Nave
Escrito por
Set. 26, 2020

A realidade em que começámos o ano não podia estar mais distante da atual. Longe estão os meses em que vivíamos despreocupados, sem o rosto tapado ou com regras sobre distanciamento social.

Por todo o País, as máscaras passaram a ser de uso obrigatório e, quer tenha feito a sua ou comprado uma, provavelmente já sentiu os efeitos desconfortáveis de ter a boca e o nariz tapado durante longos períodos de tempo.

Vermelhidão, irritação, pele oleosa ou extramente seca são apenas alguns dos sinais experienciados, devido à natureza oclusiva das máscaras.

Dermatologistas um pouco por todo o mundo têm visto aumentar o número de casos de acne, rosácea e outras irritações cutâneas. Coincidência? Talvez não.

Segundo Camille Maia, dermatologista da Sociedade Brasileira de Dermatologia e colaboradora da Foreo, “as máscaras de proteção faciais são fundamentais para ajudar a proteger contra a Covid-19. Porém, no que respeita à pele, podem ter um impacto negativo, uma vez que abafam a zona e criam humidade”.

Mas a humidade não é o seu único inimigo: a fricção e a pressão causadas pelas extremidades da máscara acabam por acrescentar alguma irritação extra numa pele já sensibilizada.

Segundo a especialista, “com o uso contínuo da máscara, combinamos não só o abafamento local, como um aumento da humidade através da respiração. Isso amplifica a proliferação de bactérias e piora quadros de acne, por exemplo. Já a fricção do tecido no rosto pode acabar por irritar a pele mais seca e sensível, como aquela que sofre de rosácea, deixando-a extremamente reativa. Como tal, é necessário hidratar bem a zona para proteger e diminuir a irritação local”.

Claro que a severidade dos sintomas irá sempre depender do tempo e do tipo de máscara que usa.

O tamanho importa

Com a obrigatoriedade do uso de máscaras, temos assistido a um aumento do número de marcas que as transformaram em acessórios de moda.

Embora ninguém goste de andar de rosto tapado, é importante não esquecer que as máscaras existem por um motivo e estas devem cobrir o nariz e boca na totalidade, terminando depois do queixo.

Deixe as máscaras de tamanho de criança para os mais pequenos e use uma adequada ao formato do seu rosto.

No que respeita aos materiais, a dermatologista refere que “as descartáveis são preferíveis, visto que evitam a acumulação de bactérias e possíveis irritações causadas pelo uso dos agentes de limpeza utilizados na lavagem das máscaras caseiras. Contudo, se não for possível usar uma máscara descartável, opte pelas de algodão, idealmente com duas ou três camadas de tecido. Além de suaves para a pele, também são eficazes”.

O algodão é um material respirável, como tal, será sempre menos irritante para a pele que do que outros tecidos. Tenha também em conta que quanto menos vezes tocar na máscara, melhor – principalmente se sofre de pele sensível.

Escolha uma confortável em vez de uma que seja tendência.

A máscara deve ser trocada a cada duas a quatro horas, visto que a humidade faz com que esta perca a capacidade de filtrar o ar de forma adequada, diminuindo a proteção – Camille Maia, dermatologista

Como lavar uma máscara

O modo como higieniza a sua máscara é tão importante quanto a sua rotina de rosto e, tal como lava a roupa de cama regularmente, deve fazer o mesmo com este acessório.

Para Camille Maia, as máscaras devem ser lavadas à mão e “deixadas de ‘molho’, em água com sabão neutro. Idealmente, sem utilizar detergentes e amaciadores”.

© getty images

O que evitar?

  • Materiais sintéticos como poliéster e nylon;
  • Tocar demasiadas vezes na máscara;
  • Agentes de limpeza ou hidratantes faciais agressivos;
  • Lavar máscaras com detergentes ou amaciadores;
  • Usar maquilhagem, principalmente base.

Comportamento da pele

Para cada tipo de pele, existem diferentes reações e, na opinião da dermatologista, “consultar um profissional de saúde é a melhor forma de saber qual o produto mais indicado para o si, já que cada pele tem uma especificidade única para se manter bonita e saudável”.

Embora existam dermatologistas que recomendam lavar o rosto sempre que tira a máscara, Camille Maia garante que “se não apresentar nenhum quadro dos que mencionamos acima (acne ou rosácea), não é necessário. Porém, a rotina ideal passa sempre por lavar o rosto de manhã e aplicar um hidratante leve antes de colocar a máscara”.

A especialista refere que “o primeiro passo será sempre a limpeza, para ajudar a retirar resíduos de poluição, maquilhagem, suor, eventuais bactérias e células mortas, que podem contribuir para obstrução dos poros. De seguida, pode aplicar um tónico, pois complementa a limpeza, retirando os resíduos mais difíceis e equilibra o pH da pele. Deve terminar com a hidratação do rosto e, por último, claro, o protetor solar”.

Ao longo dos próximos meses, deixe de lado os esfoliantes e agentes de limpeza demasiado agressivos e aplique a mesma teoria para os hidratantes.

Se a pele reage quando os aplica, troque por produtos sem fragrância, álcool ou óleos essenciais.

A versão original deste artigo foi publicada na revista Saber Viver nº 243, setembro de 2020.

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