Um dia pode ter 24 horas, mas muitas vezes podemos jurar não ser verdade. Quando pegamos no telemóvel, os ponteiros avançam sem misericórdia, obrigando-nos tantas vezes a bater recordes pessoais de scroll infinito e a prolongar, pela décima vez consecutiva, o tempo de ecrã que prometemos diminuir às 12 badaladas de dia 1. No entanto, é durante esse período de distração e (des)conexão com o mundo que encontramos inspiração, tendências e, acima de tudo, conceitos em que nunca pensámos, mas queremos pôr à prova.
No campo da beleza, as teorias multiplicam-se ao segundo e, no meio de um oceano de possibilidades, são poucas as que escapam à velocidade a que se move o mundo. Algumas, porém, teimam em surgir repetidamente nos nossos feeds a pedir por uma oportunidade. Foi assim que chegámos ao tema deste artigo.
Depois de várias chamadas de atenção para a ideia de que o tom de cabelo deve ser semelhante à tonalidade da nossa pele, sob a promessa de maior harmonia, deixámo-nos vencer pelo cansaço e convocámos dois especialistas para tirar a teima. Cláudio Pacheco, global artist L’Oréal Professionnel e art director & founder do Chiado Studio, e Ângela Sá, consultora de imagem e especialista em coloração pessoal, ouviram-na e foram perentórios: não passa de mais uma moda sem grande sentido (surpresa!) Mas não quisemos abandonar o tema. Aproveitámo-lo para desmistificar esta questão e perceber quais são as escolhas mais acertadas para cada uma.
Mais contraste
“A cor certa não é sobre tendência; é sobre harmonia”, declara Ângela Sá. E isso não se alcança, porque se nasce com ela. “Por norma, nascemos com um tom de cabelo natural que já foi pensado pela própria genética para funcionar connosco — e esse tom quase sempre cria contraste com o nosso tom de pele. É exatamente esse contraste que nos favorece”, salienta Cláudio Pacheco.
“Quando tentamos criar uma sinergia perfeita entre o tom de pele e o do cabelo, ou seja, quando tudo fica demasiado semelhante, o efeito costuma ser o oposto do desejado: o rosto fica mais cansado, mais apagado e com menos definição”, continua, concluindo: “todas as boas conexões entre pele e cabelo partem quase sempre do contraste, não da igualdade”.
Como encontrar as nossas cores
Porém, nem sempre queremos manter a nossa cor original para sempre. Gostamos de experimentar visuais novos e diferentes. Para mudar, garantindo que toma a decisão que mais a favorece, é crucial conhecer-se bem. “O principal é saber se tem um tom quente ou frio”, sublinha Ângela, aconselhando marcar uma sessão com uma especialista em coloração pessoal, que irá ajudá-la com um conjunto de tecidos de diferentes cores, a encontrar as que mais a favorecem.
“Não é possível chegar a essa conclusão sem os tais tecidos, porque temos de estudar a temperatura e profundidade da pele. Só depois desses testes é que conseguimos descobrir qual é o nosso tom de pele”, garante. Reconhece, contudo, que existem alguns truques para identificar as tonalidades que mais nos favorecem. “Quase todas conseguem fazer essa observação no momento de aplicar blush. Se a pele for fria, optamos por um tom de rosa; se for quente, vamos preferir um alaranjado ou laranja”. O mesmo acontece com o dourado e prateado. Caso o nosso rosto pareça mais iluminado quando lhe juntamos algo dourado, significa que o nosso subtom é quente.
Ângela Sá frisa que “a íris do olho também é um bom indicador”. “Imaginemos uma pessoa com madeixas: o degradé do cabelo deve ser mais ou menos na mesma percentagem que o da íris.”
Pele clara
A partir daqui, é mais fácil decidir qual a tonalidade que devemos pedir no salão de cabeleireiro. De acordo com Cláudio Pacheco, quem tem uma pele clara e um subtom frio deve optar por “loiros frios, bege, castanho frio e chocolate frio”, enquanto para um subtom quente, a resposta está em “loiros dourados, mel e cobre suave”.
Em ambos os casos, deve evitar “tons muito escuros ou demasiado quentes em peles muito rosadas, a menos que queira evidenciar o rosado”.
Pele média ou oliva
Já em peles médias ou oliva com um subtom quente, o caminho é por “castanhos naturais, caramelo, mel, mocha e ruivos naturais“.
O profissional alerta apenas para a escolha de loiros demasiado acinzentados, pois “podem acizentar a pele”.
Pele morena e escura
Por fim, as peles morenas e escuras ficam mais favorecidas com “castanhos profundos, chocolate, espresso, tons quentes ricos”, no caso dum subtom frio, e “cobre, auburn, dourados intensos e até vermelhos”, se for quente.
“Tons muito claros funcionam melhor com contraste e dimensão”, repara.
“O equilíbrio entre o subtom da pele e intensidade do tom é mais importante do que seguir regras fixas” ou tendências que vemos nas redes sociais, recorda o especialista. Por isso, caso se tenha esquecido, não deve acreditar em tudo o que encontra na Internet.







