Saúde

Micropigmentação: o procedimento que pode mudar a vida das sobreviventes do cancro da mama

Embora ainda não tenha o reconhecimento adequado, a micropigmentação das aréolas pode ser uma verdadeira salvação na autoestima de quem passou pelo cancro da mama. Conheça tudo sobre este tratamento.

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Micropigmentação: o procedimento que pode mudar a vida das sobreviventes do cancro da mama
© D.R.
Marta Chaves
Escrito por
Out. 27, 2020

No mês conhecido como Outubro Rosa, dedicado à consciencialização do cancro da mama, falamos de um procedimento com um impacto significativo nas sobreviventes desta doença.

Em Portugal, a taxa de mortalidade deste tipo de cancro tem vindo a diminuir, mas, anualmente, são detetados seis mil novos casos. No entanto, se o diagnóstico for feito numa fase inicial, há 95% de probabilidade de a doença ser tratada.

Damos-lhe a conhecer a micropigmentação da aréola, um procedimento adequado para quem quer corrigir ou ocultar uma cicatriz após a implantação de próteses mamárias ou para quem passou por uma mastectomia parcial ou total.

Para percebermos melhor como tudo funciona, falámos com Angella Lemos, fundadora do Angel’s Institute e especialista em micropigmentação paramédica.

Como funciona a micropigmentação da aréola?

“A micropigmentação paramédica consiste em restaurar a cor original numa área patológica da pele”, começa por dizer a especialista.

Este procedimento é feito através de um dermógrafo, um dispositivo de precisão que coloca o pigmento na pele utilizando agulhas descartáveis. “Realizamos também um teste de colorimetria para confirmar quais as cores que melhor se enquadram na zona a ser micropigmentada, tendo também em conta o fototipo da cliente.”

Pode durar até três horas, mas, atenção, porque não é definitivo. A sua durabilidade pode variar entre 12 a 3 anos.

Relativamente à dor, é aplicado um anestésico tópico para que a zona que for micropigmentada fique parcialmente anestesiada.

O processo de cicatrização a 100% leva sempre algum tempo pode durar até um ano ou mesmo 18 meses. Depende sempre da lesão e da resposta de cada organismo. O tecido cicatricial é muito mais sensível do que o tecido cutâneo não danificado, portanto uma pessoa pode acabar por ‘sentir’ um maior desconforto no local, especialmente se a micropigmentação for realizada num tecido transplantado que também apresenta danos nos nervos”, explica Angella Lemos.

Neste último caso, a cicatrização é mais demorada e a dor no local pode ser maior.

O seu objetivo é simples: “melhorar a aparência estética da mama, recriando, da forma mais exata e realista possível, um mamilo e aréola que imitem o mamilo ou a aréola existentes (se aplicável)”, diz-nos Angella Lemos.

“Se a cliente fez a cirurgia em apenas um lado, faremos sempre a correspondência da cor com o seu mamilo remanescente, para uma aparência mais natural”, mas também é possível fazer a micropigmentação em ambos os lados para, esteticamente, ficar mais harmonioso. De qualquer forma, há sempre aconselhamento prévio.

No caso de uma mastectomia dupla, o cliente pode até definir uma cor, após a realização de um teste de colorimetria.

Cuidados a ter

A especialista indica alguns cuidados após realizar a micropigmentação das aréolas mamárias:

  • Após a sessão, usar roupas leves de algodão e não usar soutien;
  • Não molhar a região micropigmentada nas 24 horas seguintes;
  • Colocar compressas de gelo;
  • Aplicar um creme específico, com ação reparadora, recomendado pela profissional;
  • Evitar fontes de calor;
  • Nunca retirar as crostas que possam surgir no processo de cicatrização;

É importante referir que nem todas as mulheres estão elegíveis para a micropigmentação médica. As que usam corticoides, antidepressivos, pacemaker ou que sejam diabéticas, correm o risco de o pigmento não se fixar na pele ou até mesmo de não ser aceite.

O principal objetivo deste procedimento é melhorar a autoestima – Angella Lemos, fundadora do Angel’s Institute e especialista em micropigmentação paramédica

O impacto psicológico que a micropigmentação pode ter

A palavra micropigmentação remete muito para outros locais no corpo, como por exemplo as sobrancelhas. É muito usado para quem tem poucos pelos nesta zona e para redefinir o rosto.

Ainda que a micropigmentação nas aréolas não seja muito conhecida, a verdade é que pode ter um impacto significativo na vida de quem a procura.

Psicologicamente não é fácil, como garante Angella Lemos. “As mulheres que acabam por necessitar ou procurar este tipo de procedimento estão muitas vezes fragilizadas ou mais abaladas psicologicamente. E somos nós, profissionais da micropigmentação que, após orientação médica e psicológica, acabamos por ter um contacto mais ‘íntimo’, já depois de toda a batalha que travaram e venceram contra o cancro. “

Reviver o percurso que estas mulheres fizeram é algo muito frequente neste processo. Mas não existem dúvidas: “O principal objetivo deste procedimento é melhorar a autoestima. A complexidade do procedimento não está necessariamente na parte prática e de execução, mas sim nas circunstâncias humanas e no historial da pessoa. “

A micropigmentação paramédica é mais complexa em casos de mastectomia total se os profissionais não tiverem uma base, como por exemplo uma foto antes da mastectomia.

Neste caso, “será necessário num trabalho mais artístico que tem de ser obrigatoriamente direcionado e orientado pela cliente, o seu gosto pessoal e expectativas, tanto a nível de cor como de tamanho da circunferência das aréolas”.

Se, por outro lado, for apenas uma correção de cicatriz após a colocação de próteses mamárias, o procedimento é menos complexo.

Seja como for, o impacto da micropigmentação é bastante positivo. “Principalmente tendo em conta que a intenção é melhorar a autoestima das mulheres que travaram uma batalha contra o cancro. Com a micropigmentação paramédica nas aréolas mamárias a mulher sente-se mais segura e confiante e isso acaba também inevitavelmente por ter impacto na forma como se relacionam com todos os outros. Permite que, quando se olha ao espelho, exista uma maior aceitação e mais amor-próprio”, assegura a especialista.

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