Saúde

Estes sintomas denunciam a chegada da menopausa

Os afrontamentos são apenas um dos sinais que alerta as mulheres para a chegada da menopausa. Mas há mais. Descubra tudo o que se passa com o corpo nesta fase e retire da cabeça alguns dos mitos associados a ela.

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sintomas que denunciam a menopausa
Escrito por
Saber Viver
Nov. 29, 2018

Alterações de humor, perturbações no sono, irregularidades menstruais, afrontamentos, decréscimo da atividade sexual… há muito com que lidar durante a menopausa.

Pedimos à médica ginecologista e obstetra Mafalda Martinho Simões, do Hospital CUF Descobertas, para nos explicar tudo o que precisamos de saber sobre esta fase, como identificá-la e ultrapassá-la da melhor forma.

O que é a menopausa?

“Se não tenho o período, estou na menopausa”. Mito

A menopausa consiste na fase da vida da mulher que marca a perda da função reprodutiva, pelo que só pode ser definida retrospetivamente, diagnosticando-se um ano após a última menstruação. Assim, para a mulher ter o diagnóstico de menopausa, é fundamental ter um ano de amenorreia (ausência de menstruação).

Frequentemente as mulheres recorrem à consulta de ginecologia desejando saber se estão ou não na menopausa, solicitando análises hormonais para o seu diagnóstico. Embora estas análises possam ajudar no diagnóstico, este é um diagnóstico clínico e não laboratorial.

A menopausa ocorre habitualmente entre os 45 e os 55 anos, sendo considerada precoce antes dos 45 anos e tardia após 55 anos.

A fertilidade das mulheres mantém-se [durante a menopausa] porque até 25% dos ciclos podem ser ovulatórios (em que ocorre ovulação). Assim, é fundamental a manutenção de uma contraceção adequada

O que acontece realmente?

Na perimenopausa (período de tempo variável que engloba até um ano após a menopausa), assistimos a um declínio progressivo da função dos ovários, ocorrendo a diminuição da produção de hormonas, em particular dos estrogénios.

O hipoestrogenismo (diminuição dos estrogénios) característico da menopausa tem consequências a vários níveis. O climatério é definido como o período da vida da mulher de transição entre o pleno potencial e a incapacidade reprodutiva, incluindo as três fases: pré, peri e pós-menopausa.

Quais são os sintomas associados à menopausa?

Não há o risco de engravidar.” Mito

Irregularidades menstruais

As alterações do ciclo menstrual podem iniciar-se 4 a 8 anos antes da menopausa, existindo inicialmente encurtamento da periodicidade. E a menstruação difere do padrão habitual no que respeita à duração e quantidade de fluxo.

Mais tardiamente, a maior frequência de ciclos anovulatórios (ciclos em que não ocorre ovulação) é responsável pelo aumento da duração dos ciclos, ausência de menstruação e frequentemente um padrão de hemorragias excessivas.

Durante esta fase é muito importante referir que, apesar de diminuída, a fertilidade das mulheres mantém-se porque até 25% dos ciclos podem ser ovulatórios (em que ocorre ovulação). Assim, é fundamental a manutenção de uma contraceção adequada e adaptada a cada mulher.

Sintomatologia vasomotora

Os sintomas classicamente associados à menopausa são os afrontamentos e suores noturnos, aquilo que os médicos intitulam de sintomatologia vasomotora.

afrontamentos na menopausa

© Thinkstock

 

Estes sintomas afetam mais de 70% das mulheres e relacionam-se com os níveis de estrogénios circulantes. Começam tipicamente por uma sensação súbita de calor durante cerca de 2 a 4 minutos, associada frequentemente a sudorese (transpiração) profunda e ocasionalmente a palpitações; seguida por vezes de calafrios, tremores e sensação de ansiedade.

Quando ocorrem no período noturno, podem interferir com a qualidade do sono. A duração média destes sintomas varia entre 7 a 10 anos e cerca de 10% das mulheres mantêm sintomas vasomotores por mais de 12 anos, podendo durar décadas.

As alterações vasomotoras não só podem estar ausentes como serem ligeiras (que não perturbam o dia-a-dia), moderadas (que interferem com as atividades quotidianas) ou intensas (afetando a qualidade de vida).

Cerca de 60% das mulheres refere um decréscimo da atividade sexual.

Alterações cognitivas e do humor e perturbações do sono

Vários estudos associam o período perimenopausa à diminuição da memória verbal, à dificuldade na concentração e a maior incidência de sintomas depressivos.

A relação entre o envelhecimento com a progressiva diminuição tanto na qualidade quanto na quantidade do sono é bem conhecida. São frequentes as queixas de dificuldade em iniciar e manter o sono, com o acordar frequente durante a noite e o despertar cedo, ou por outro lado a sensação de que o sono não é reparador.

menopausa causa perturbações no sono

© Thinkstock

Síndrome génito-urinária da menopausa ou atrofia vulvovaginal

Esta síndrome tem sido descrita como um conjunto de sinais e sintomas associados ao decréscimo dos estrogénios e outras hormonas sexuais envolvendo alterações do aparelho reprodutivo e urinário feminino.

Inclui queixas como a secura vaginal, o ardor e o prurido (comichão) vulvar e vaginal, episódios de hemorragia e dores nas relações sexuais e sintomas urinários.

Interferência na vida sexual

A menopausa tem um efeito negativo na função sexual e qualidade de vida. Cerca de 60% das mulheres refere um decréscimo da atividade sexual. A dispareunia (dor nas relações sexuais) afeta cerca de 30-40% das mulheres e resulta da atrofia vulvovaginal.

O que é essencial para uma mulher na perimenopausa é a vigilância ginecológica, garantindo os rastreios adequados nesta faixa etária

Alterações cardiovasculares, metabólicas e osteoarticulares

A incidência de doença cardiovascular aumenta, sendo frequente o aparecimento de doenças como a hipertensão arterial e a diabetes tipo 2.

As alterações hormonais da menopausa associam-se a um aumento da circunferência abdominal e redistribuição da gordura corporal com deposição de gordura central. A percentagem de massa gorda, troncular e visceral também aumenta nas mulheres com IMC normal.

A osteoporose é uma doença esquelética sistémica caraterizada pela diminuição da massa óssea, diminuindo a resistência do osso e aumentando o risco de fratura. Após a menopausa, há uma aceleração da perda de massa óssea, mais intensa nos primeiros cinco anos.

Devemos controlar estes sintomas?

“A terapêutica hormonal é prejudicial e não deve ser iniciada.” Mito

Ao nível de afetação da qualidade de vida, é o que determina o tratamento ou não destes sintomas. O que é essencial para uma mulher na perimenopausa é a vigilância ginecológica, garantindo os rastreios adequados nesta faixa etária, a contraceção adequada e o início de terapêutica hormonal, se estiver indicada.

Se a sintomatologia vasomotora for muito acentuada, a mulher poderá ter indicação para terapêutica hormonal, dependendo, evidentemente, dos seus antecedentes médicos. A duração da terapêutica hormonal é variável e avaliada caso a caso. Habitualmente restringe-se aos cinco anos, conseguindo controlar os sintomas e diminuindo riscos associados ao seu uso prolongado.

Embora não esteja comprovado, há estudos que indicam alguma tendência para o aumento do risco de cancro da mama. Contudo, a interpretação destes estudos é difícil porque o grupo de mulheres estudadas teria outras doenças que por si só já aumentariam este risco.

Benefícios do exercício físico durante a menopausa

“Nunca fiz exercício físico, sou velha para começar.” Mito

São inúmeros os benefícios do exercício físico, independentemente da fase da vida em que se começa.

As alterações no metabolismo dos estrogénios, a redução do risco do cancro da mama, de osteoporose e de doenças cardiovasculares e a melhoria dos quadros depressivos têm sido apontados como os principais ganhos.

Fonte: Mafalda Martinho Simões, ginecologista e obstetra do Hospital CUF Descobertas. Edição: Carolina de Almeida


Está ou conhece alguém a entrar no período da menopausa? 

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