Saúde

HPV: 14 questões que merecem ser respondidas

De certeza que já ouviu falar sobre HPV – ou Vírus do Papiloma Humano. Mas sabe ao certo de que se trata?

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© Shutterstock
Escrito por
Vanessa Raminhos
Set. 12, 2019

Estima-se que 75 a 80% da população mundial seja infetada pelo HPV em alguma fase da vida. Em Portugal, o estudo Cleopatre, efetuado com amostragem nacional, evidenciou uma prevalência da infeção por este vírus de 19,4% na população feminina. Desses, 76,5% dos casos estavam envolvidos vírus de alto risco oncogénico.

Estima-se que uma em cada cinco mulheres entre os 18 e os 64 anos tenham infeção por HPV em Portugal, mas a percentagem de prevalência tem variações significativas conforme a idade, sendo a mais elevada em mulheres entre os 18 e os 30 anos, diminuindo a partir daí.

Falamos com Teresa Fraga, ginecologista-obstetra no Hospital CUF Descobertas e especialista da CUF Instituto de Oncologia, para esclarecer 14 dúvidas muito comuns sobre este vírus.

1. O que é o HPV?

O Vírus do Papiloma Humano (HPV) é uma família com mais de 180 tipos distribuídos por diferentes grupos, que infetam diferentes espécies de animais. Os humanos são infetados pelo grupo dos alphapapilomavirus.

O HPV é responsável por diversas doenças e lesões, que dependem da interação entre os vírus e as defesas do hospedeiro infetado. E variam num largo espetro. “As diferenças são determinadas pela capacidade de defesa e estado imunitário do hospedeiro, mas também pela agressividade do tipo de vírus implicado”, explica Teresa Fraga.

2. Existem mais de 200 genótipos do vírus…

… mas apenas 40 genótipos é que estão implicados em doenças do aparelho genital. Desses, 14 são identificados como sendo de alto risco, pela sua associação ao desenvolvimento de alguns cancros tanto em mulheres, como em homens.

Os HPV 16 e 18 são os dois tipos considerados de mais alto risco, uma vez que estão diretamente implicados na génese de 75% de todos os casos de cancro do colo do útero.

Os tipos 6 e 11 são responsáveis por uma doença benigna – os condilomas acuminados –, vulgarmente chamados de verrugas genitais.

3. Como se transmite?

O HPV transmite-se fundamentalmente através do contacto direto pele com pele ou pele com mucosas. Mas também existe o risco de contágio pelo contacto com toalhas, lençóis ou outras peças de roupa que tenham estado em contacto com lesões causadas pelo HPV.

Deve ter-se, por isso, o máximo cuidado com a higiene de quem sofra da forma mais contagiosa da doença humana: os condilomas (verrugas genitais).

Sabia que é um mito que o HPV se possa transmitir nas piscinas?

4. Quais são os sintomas?

A simples presença do Vírus do Papiloma Humano é completamente assintomática, só há sintomas quando o vírus é responsável por alguma doença.

“Mesmo assim, [os sintomas] são pouco evidentes”, explica a especialista, “exceto nos casos de infeção pelos tipos 6 e 11, que são os tipos habitualmente relacionados com as verrugas genitais”. Nestes casos, os sintomas são visíveis entre 6 e 24 meses após a infeção.

É, assim, possível que uma pessoa seja portadora do vírus sem apresentar quaisquer sintomas. O tempo de eliminação do vírus e a tolerância do indivíduo face à presença do vírus sem provocar doença depende do seu sistema imunitário.

5. Como fazer o diagnóstico?

Em ginecologia, o HPV é detetado através da pesquisa direta do vírus, em colheita para citologia em meio líquido, das células cervicais ou tecidos da área genital.

Há cerca de 50 testes diferentes para fazer essa pesquisa, cada um com as suas características e que servem diferentes propósitos.

6. É possível existir um ‘falso negativo’ ou positivo?

“Não. O vírus ou está lá ou não está”, afirma Teresa Fraga. “O que existe são casos em que o vírus está lá, mas não há doença“.

De acordo com a especialista, há um grande número de casos deste tipo e, por isso, há “falsos positivos”, no sentido em que se procura a doença causada pelo vírus e não o vírus em si.

“A grande vantagem deste teste no rastreio de doenças malignas do colo e da vagina é que, na ausência do vírus HPV de risco, podemos afirmar com quase 100% de segurança que não há doença naquela mulher, nem vai haver nos próximos 3 a 5 anos”, explica a especialista.

O HPV não escolhe géneros nem idades, Teresa Fraga, ginecologista-obstetra

7. Por que doenças é o HPV responsável?

O HPV é responsável por vários tipos de doenças e lesões. Destacam-se o cancro do colo do útero, os condilomas ou verrugas genitais, pela papilomatose laringea e pela epidermodisplasia verruciforme – é responsável por 100% dos casos destas doenças.

Mas o HPV pode também ser responsável por outros tipos de cancro ou lesões pré-neoplásicas, na vagina, vulva, pénis ou ânus, mas também da orofaringe.

8. Prevenir o contágio é possível?

“O contágio evita-se por ausência de contacto com um indivíduo infetado, o que é quase impossível, se considerarmos que até aos 25-30 anos a probabilidade de ter, em alguma altura, uma infeção por HPV é de 75%”, explica Teresa Fraga.

Relembra ainda que “o HPV não escolhe géneros nem idades” e, uma vez que a atividade sexual de qualquer tipo é o principal vetor de transmissão deste vírus, qualquer pessoa com uma vida sexual ativa pode ser infetada pelo vírus.

Por isso, recomenda-se a vacinação, que já faz parte do Plano Nacional de Vacinação até aos 15 anos e está disponível para venda nas farmácias sem limite de idade de administração.

9. Qual é a eficácia da vacina?

“A eficácia da vacina é de cerca de 100% na prevenção contra as doenças provocadas pelo vírus que fazem parte da vacina”, explica a especialista.

A vacina de segunda geração (Gradasil 9 ou 9vHPV) protege contra nove tipos de vírus HPV, mas o seu nível de eficácia depende de a vacinação ser feita em idades mais jovens e antes do início da atividade sexual.

Com base em estudos epidemiológicos, é previsível que a vacina 9vHPV proteja contra os tipos de HPV que causam aproximadamente:

90% dos cancros do colo do útero;

 Mais de 95% dos adenocarcinomas in situ (AIS);

75-85% das neoplasias intraepiteliais cervicais de alto grau (CIN 2/3);

85-90% dos cancros da vulva relacionados com HPV;

90-95% das neoplasias intraepiteliais vulvares de alto grau relacionadas com HPV (VIN 2/3);

80-85% dos cancros da vagina relacionados com HPV;

75-85% das neoplasias intraepiteliais vaginais de alto grau relacionadas com HPV (VaIN 2/3);

90-95% dos cancros do ânus relacionados com HPV;

85-90% das neoplasias intraepiteliais anais relacionadas com HPV (AIN2/3);

90% das verrugas genitais;

“Mesmo que a pessoa tenha algum tipo de HPV quando toma a vacina, esta vai proteger contra as infeções dos outros tipos contidos na vacina”, explica Teresa Fraga.

Segundo a especialista, os estudos feitos nos grupos que serviram para comprovar a eficácia e o efeito destas vacinas demonstraram que, apesar de não terem efeito terapêutico, as vacinas melhoram a capacidade de defesa dos pacientes quando dadas durante a fase de tratamento.

10. A vacina tem efeitos secundários?

Segundo Teresa Fraga, a vacina é muito segura e bem tolerada. “Claro que tem os efeitos locais habituais em vacinas – dor local, sinais inflamatórios locais de intensidade variável –, mas habitualmente nada de grave”, explica a especialista.

E salienta: a vacina “não contém vírus nem DNA viral, não provocando qualquer doença e podendo ser administrada a mulheres que estão a amamentar”.

11. O preservativo é eficaz na proteção contra o HPV?

A eficácia do preservativo na proteção contra este vírus é limitada, uma vez que a área infetada pelo HPV é superior à área protegida pelo preservativo, afirma a especialista do Hospital CUF Descobertas.

Mas a sua utilização “é sempre recomendada, tendo em conta a proteção contra outras doenças sexualmente transmissíveis (DST)”.

12. É possível ser afetada pelo HPV durante a gravidez?

“O HPV pode infetar qualquer mulher e a gravidez representa uma altura de modificação da imunidade da mulher, que se está a adaptar a esta fase”, explica Teresa Fraga.

Caso tenha algum tipo de lesões causadas pelo HPV, pode notar alterações durante o período de gestação. “São raras as vezes em que é necessário algum tipo de intervenção durante este período e, após o parto, é frequente a regressão das lesões”, esclarece. E aconselha a que, na consulta pré-concepcional, seja feito “o rastreio a lesões HPV e sejam tratadas as que se justifiquem”.

“A contaminação do feto é rara, mas pode acontecer, quer por infeção transplacentar, quer por transmissão no canal de parto, mas são ambas muito raras”, explica.

13. Há tratamento para o HPV?

“O HPV é vírus para o qual não existe tratamento”, afirma Teresa Fraga. Eis os cuidados que devemos ter sempre em consideração:

Aumentar a imunidade dos indivíduos, através da prevenção primária (vacinação e uso do preservativo) e secundária (rastreio).

Evitar o contágio, utilizando preservativo nas relações sexuais e tendo cuidado no manuseamento de peças de roupa ou têxteis que possam ter estado em contacto com indivíduos portadores de HPV;

Melhorar a eliminação do vírus, através do tratamento das infeções associadas e da melhoria do estado imunitário do hospedeiro, mantendo uma alimentação saudável ou não fumar, por exemplo;

Prevenir o desenvolvimento de lesões graves causadas pelo HPV, fazendo rastreios e tratamentos de lesões precursoras dos cancros relacionados com HPV (colo do útero, vagina, vulva, ânus, pénis ou orofaringe);

14. O rastreio é muito importante para a prevenção

Ainda há dificuldades em estabelecer qual a idade ideal de início do rastreio do cancro do colo do útero. O que é consencual é que antes dos 21 anos não deve ser praticado e que até aos 25-30 anos, o teste deve ser a citologia, explica Teresa Fraga. O teste de HPV só deve ser usado em primeira linha a partir dos 30 anos.

Fonte: Estudo Cleopatre.

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