Herpes. Saiba tudo sobre o vírus que provavelmente todas temos

Ao contrário do que pensamos, o herpes não é apenas um vírus, é uma família deles. E sabia que, após o contágio, não é possível curar a infeção? Mas nem todos sofrem com os sintomas. Eis o que precisa de saber.

Já todas ouvimos falar de herpes (e muito provavelmente somos portadoras do vírus), mas será que sabemos tudo o que precisamos?

O Herpesvirus é uma família de vírus, à qual pertencem, pelo menos, oito espécies responsáveis por infeções nos humanos. A mais comum é a Herpes Simplex, responsável pelas infeções mais conhecidas: o herpes labial e genital.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que cerca de 90% da população mundial esteja infetada com herpes. Os dados dão conta de 67% dos indivíduos infetados com herpes labial e 31,5% com herpes genital, sobretudo em África e na América.

Que tipos de herpes existem?

Vírus Herpes Simplex (HSV-1 e HSV-2): é o tipo de herpes mais comum – labial ou genital.

• Vírus Varicella Zoster: é o mesmo vírus responsável pela varicela e a sua reativação leva ao aparecimento de uma infeção por herpes zoster.

• Vírus Epstein Barr: é o vírus responsável por doenças como mononucleose infecciosa (“doença do beijo”).

• Citomegalovírus: transmite-se por via sexual e a sua infeção é, normalmente, assintomática.

• Herpesvírus humano 6 e 7: é o vírus responsável pela roséola infantil, que se manifesta com febres altas.

• Herpesvírus humano 8: é o responsável pelo sarcoma de Kaposi, um tipo de cancro de pele, caracterizado por zonas róseas, avermelhadas ou roxas ou inchaços na pele.

Fonte: Manual MSD – Versão Saúde para a Família

Quais são os sintomas?

Apesar de a família de herpesvírus ser extensa, quando se pensa em herpes pensamos habitualmente em dois tipos: o herpes labial e o genital.

O primeiro caracteriza-se pelo aparecimento de pequenas bolhas com líquido e ardor ou sensação de queimadura local nos lábios e região perioral. Estes sintomas podem durar até uma semana e resolvem-se com a formação de crosta no local.

Já o herpes genital caracteriza-se pelo aparecimento de pequenas manchas vermelhas na área genito-anal. Sobre estas, surgem pequenas bolhas que rompem e dão origem a feridas que causam uma sensação de queimadura, ardor ou picada.

Estas bolhas desaparecem ao fim de uma a duas semanas de forma espontânea e sem deixar cicatriz. Evolui por surtos e o intervalo entre eles pode ser variável. Mas há outras causas de desconforto vaginal.

Apesar de devermos estar atentas a estes sintomas, é possível ser-se portador do vírus de forma assintomática. “Após o primeiro contacto com herpes, o indivíduo torna-se portador e pode transmitir o vírus a outras pessoas, por contacto íntimo, pele com pele/mucosas ou em relacionamento sexual“, explica Rita Travassos, dermatologista no Hospital CUF Descobertas.

Os surtos. O que causa o herpes labial e genital?

Os sintomas de herpesvirus costumam aparecer mais frequentemente em situações em que ocorra baixa imunidade. “Stresse, frio ou calor são fatores associados a surtos de herpes labial”, explica Rita Travassos.

Procedimentos dermatológicos ou estéticos, como laser de ressurfacing ou peelings, podem desencadear um “surto de herpes com aparecimento de vesículas em toda a face”, completa a dermatologista.

No caso do herpes genital, as recorrências são mais frequentes e a presença de outras doenças sexualmente transmissíveis, como o vírus da imunodeficiência humana (VIH) aumentam a sua contagiosidade.

E na gravidez, há cuidados extra?

A dermatologista do Hospital CUF Descobertas alerta que uma mulher grávida “pode transmitir a infeção herpes genital ao bebé, especialmente se a infeção for adquirida no final da gravidez, próximo do parto”.

Rita Travassos aconselha ainda que a gestante evite o “contacto sexual com parceiro com herpes genital a partir do terceiro trimestre”, sobretudo se não tiver histórico de herpes genital, para reduzir o risco de infeção neste período. Descubra ainda outros cuidados a ter para uma vagina saudável.

Como tratar?

O principal tratamento consiste na toma de antivirais sistémicos e a dermatologista desaconselha o uso de antivirais tópicos.

“Desconheço a evidência científica de tratamentos caseiros”, afirma Rita Travassos. E explica que a para quem tem surtos frequentes, a terapêutica deve ser feita através de “antivirais orais (aciclovir ou valaciclovir), com dose e duração de tratamento variável”.

Sabia que…

• Não é possível curar a infeção 

Podem encurtar-se a duração e gravidade dos episódios e alargar os intervalos assintomáticos, mas não é possível curar o herpes. Uma vez adquirida a infeção, será sempre portador.

• As pessoas portadoras do virus podem nunca desenvolver um sintoma

O virus pode ficar latente durante anos e nunca provocar sintomas.

• Dois terços da população até 50 anos tem herpes labial

Segundo um estudo feito em 2015 pela OMS sofre de herpes labial, depois de o contrariar durante a infância.

• Aplicar gelo, vinagre, álcool, tópicos com mentol ou cânfora não curam a infeção

Caso esteja a passar por um surto de herpes, apenas o tratamento com antivirais pode acelerar a resolução dos episódios. Caso suspeite que esteja infetado com algum tipo de herpesvirus, deve consultar o seu médico assistente ou um dermatologista.

• Usar o preservativo não impede a transmissão de herpes genital

O uso do preservativo previne apenas parcialmente a transmissão do vírus. Se for portadora do vírus ou caso o seu parceiro ou parceira seja, o melhor a fazer é evitar o contacto sexual durante o período de surto. 


Costuma sofrer com os sintomas de herpes? O stresse não ajuda. Incorpore estes exercícios no seu dia a dia.

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