Cultura

I May Destroy You, uma série poderosa sobre violação e consentimento

Escrita e protagonizada por Michaela Coel, esta é a nova série dramática de que todos falam. Damos-lhe cinco boas razões para a ver, mas podiam ser muitas mais.

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I May Destroy You, uma série poderosa sobre violação e consentimento
© HBO
Ana Carvas
Escrito por
Set. 23, 2020

A aclamada série da HBO conta a história de Arabella (mais conhecida como Bella), uma escritora à deriva que se torna a voz de uma geração sedenta por vingança, e fá-lo em nome de todas as mulheres (e homens) que continuam a ser vítimas de assédio, agressão e violação.

Michaela Coel é a realizadora, argumentista e a personagem principal deste retrato realista, cru e contemporâneo, sobre um tema traumático que, infelizmente, continua a acumular vítimas pelo mundo. Mas há mais para ver em I May Destroy You.

Todo o burburinho em torno desta produção britânica não é em vão. Envolvente e viciante, fala ainda de amizade, de questões de justiça, da busca pela verdade e, principalmente, sobre como reaprender a viver depois de um trauma.

Com uma estética visualmente apelativa e um guarda-roupa cool, a série conta com 12 episódios, aproximadamente de 30 minutos cada. Pronta para um binge-watching?

5 razões extra para ver I May Destroy You

1. É um retrato da verdade

Inspirada em factos verídicos, nomeadamente na história de vida de Michaela, a série é uma viagem de cortar a respiração que se intensifica gradualmente a cada episódio.

Entre todas as verdades retratadas, destacamos a forma simples e realista com que Coel aborda questões de género, de raça e até geracionais, uma vez que Bella é uma estrela no Twitter que editou um livro intitulado Chronicles of a Fed-Up Millennial.

2. O consentimento é bom e recomenda-se

“Não é não.” Quantas vezes é preciso repetir esta frase? E até quando? Estas são algumas das questões que surgem na cabeça de Arabella enquanto luta contra os seus próprios demónios.

I May Destroy You é um palco para conversas francas, sem julgamentos, estigmas nem tabus, sobre temas que corroem a sociedade. Aborda a questão do consentimento dentro e fora da relação e da liberdade sexual de cada indivíduo.

3. Os diferentes tons de uma violação

“Eu só queria saber como acabou a noite de ontem.” É com esta frase que a HBO nos apresenta a série que está a revolucionar o pequeno ecrã.

A história começa com uma divertida noite entre amigos e acaba com Arabella, no quarto, a tentar recordar-se de todos os acontecimentos que ocorreram desde a sua última memória no bar até que chegou a casa.

É nesta viagem explosiva pelos meandros da memória, da confusão, dos sentimentos perdidos no caos e da traição que a protagonista se afunda num tornado emocional, enquanto tenta encontra resposta às questões: porquê eu, como é que isto aconteceu e como pude ser violada?

4. Estrutura complexa e misteriosa

Flashbacks, monólogos introspetivos, saltos no tempo – presente e passado – e nas perspetivas, que vão alternando entre personagens. Uma estrutura complexa, mas que nos permite compreender os diferentes lados, posições, em cada situação.

Estes são só alguns exemplos da multiplicidade desta série, que nos apresenta a história de uma forma única, completa e que vai juntado as peças do puzzle a cada episódio, sempre no timing certo.

5. Representatividade? Presente!

Numa altura em que movimentos como o Black Lives Matter ganham força, e que um pouco por toda a Internet o black power é assunto do dia, séries que se destacam pela representatividade devem igualmente ser celebradas. É o caso de I May Destroy You.

É de destacar a forma como a série retrata as vivências do grupo de amigos, Arabella, Terry e Kwame. Realista, relacionável, aborda com algum detalhe a cultura queer e demonstra com naturalidade especificidades da comunidade africana, como as frequentes trocas de peruca de Arabella, por exemplo.

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