Erros de português que deviam dar direito a multa

Diz “ir de encontro a” ou “ir ao encontro de”? E quando um evento teve muita gente, será que diz que “teve muita aderência”? Em que situações usa o “a” com “h”? É muito importante saber todas estas diferenças. Os erros de português podem tirar-nos a credibilidade.

Tinha tudo o que a empresa procurava: vasta experiência na área, boa apresentação e disponibilidade imediata. Mas havia algo que intrigara quem a queria contratar. Na carta de apresentação, anexada ao currículo, podia ler-se: “À três anos atraz…”. Tantos erros de português na mesma frase não era normal.

Será que não sabia mesmo escrever? Fez a carta à pressa e não se apercebeu? Como se garante que a situação não se voltaria a repetir? Mais uma forte candidata que perdeu alguma credibilidade, numa situação que podia ter sido evitada.

Esta não é uma situação pouco comum. Escritos ou falados, há muitos erros dados na nossa língua materna que são verdadeiros atentados à Humanidade. E com a crescente evolução das redes sociais, cada vez existem mais casos. No Facebook, por exemplo, talvez por ser uma escrita mais imediata, as pessoas escrevem algumas barbaridades.

Se aí até pode haver alguma compreensão (nada desculpável), o mesmo não podemos dizer quando os erros chegam a entrevistas de emprego, cartas e/ou emails de trabalho. Até nas conversas do dia a dia deve sempre existir algum cuidado para que o português não seja “aldrabado”.

Os erros de português mais comuns

Certo: “Há dez anos fui ao Brasil” ou “Há livros para todas as idades”.

Errado: “À dez anos fui ao Brasil” ou “À livros para todas as idades”

Dica: Usa-se o “há” quando nos referimos a algo que envolve tempo ou o verbo existir.


 

Certo: “Quero que esta atitude vá ao encontro daquilo que planeaste!”

Errado: “Quero que esta atitude vá de encontro daquilo que planeaste!”

Dica: Ao utilizar a segunda expressão mostra que algo não está em sintonia, quando na verdade quer dizer o contrário.


 

Certo: “O evento dos óculos teve muita adesão!”

Errado: “O evento dos óculos teve muita aderência”

Dica: Dizemos “aderência” quando nos referimos à ligação de uma substância a outra. Já a palavra adesão é usada quando falamos de pessoas e quer dizer “união”, “junção”.


 

Certo: “Hás-de ver se o correio tem alguma carta.”

Errado: “Há-des ver se o correio tem alguma carta.”

Dica: Hádes, segundo a mitologia grega, é o Deus dos Infernos. E sim, pode infernizar a sua vida se não parar de a dizer sem ser com esse intuito. Hás-de é o correto e significa ser obrigado a; pretender; desejar.


 

Certo: “Se eu estivesse no Porto gostava de ir.”

Errado: “Se eu tivesse no Porto gostava de ir.”

Dica: Aqui é preciso ter atenção, porque as duas expressões estão corretas. Deve usar o verbo “estar” quando se refere a um lugar.


 

Certo: “Estamos a entrar no círculo vicioso”.

Errado: “Estamos a entrar no ciclo vicioso”.

Dica: Segundo o portal de dúvidas do ISCTE, “esta expressão designa uma sucessão, geralmente ininterrupta, de acontecimentos que se repetem e voltam sempre ao ponto de origem, colidindo sempre com o mesmo obstáculo”. Já “ciclo” refere-se à “sucessão de fenómenos sistematicamente reproduzidos em períodos regulares”.


 

Certo: “Fiz o pedido sem hesitar”.

Errado: “Fiz o pedido sem exitar”.

Dica: Há muitas pessoas que escrevem “exitar”. Esta palavra existe, mas no Brasil, e refere-se a “ter bom êxito”.

 

Quais são os erros de português que menos tolera? Veja ainda o nosso artigo sobre casos de sucesso de empreendedorismo e ainda dicas úteis.

Comentários

Erros de português que deviam dar direito a multa

Os comentários podem ser editados por questões de clareza e para permitir respostas mais gerais.

  1. Ana diz:

    ‘faz com que as pessoas escrevem algumas barbaridades’? Ou faz com que as pessoas escrevam algumas barbaridades? Num texto sobre bom português deviam ter atenção aos erros…
    ‘Há’, o ‘traze-mos’, e escrever com ‘k’ é o que mais me tira do sério. 🙂

  2. Sara diz:

    “á” porque nem sequer existe!

  3. Mariana diz:

    “Dar direito a multa”!
    A questão é que se eu tiver direito a uma multa, tenho opção de exercer ou não exercer esse direito. Antes fosse que as multas fossem direitos (passo a redundância)!

  4. Romi diz:

    O que me pirriga solenemente é a ‘moda’ de pôr a palavra ‘ateás’ quando referenser a tempo que passou.
    Ex: há 3 anos atrás. Quando se usa a forma do verbo haver dessa forma implica que já passou. A palavra atrás aqui é um anglicismo que aponta para a forma ‘ago’ mas em português nao é necessario.

  5. Paula diz:

    “Concerteza ou conserteza”. São duas palavras com certeza absoluta!