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Crónica. Os materiais e o feng shui

Está a pensar em remodelar ou mudar de casa, mas não sabe por onde começar? Alexandre Gama, consultor de feng shui, explica-nos a razão pela qual devemos evitar usar certos materiais na decoração do lar.

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Crónica. Os materiais e o feng shui Crónica. Os materiais e o feng shui
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Alexandre Gama, cronista
Escrito por
Abr. 02, 2024

Segundo o feng shui tudo conta. A nossa vida e a qualidade com que desfrutamos dela depende de variadíssimos fatores e condicionantes do dia a dia.

Desde o primeiro momento em que respiramos pelos nossos pulmões estamos sempre a ser condicionados pelo meio que nos envolve. Do clima da nossa terra à forma como desfrutamos do espaço. Dos alimentos que comemos à forma de estar e de pensar das pessoas que nos rodeiam. Convivemos diariamente com variadíssimos condicionamentos que nos ajudam a crescer e a evoluir, nuns casos, ou a atrofiar e a seguir um caminho escasso ou de esforço.

Pois, na verdade, a saúde e o bem-estar de quem habita ou frequenta um determinado espaço vai depender não só da forma e distribuição das suas áreas, como também dos materiais presentes na sua construção e decoração. Vai depender ainda da forma como esses materiais são trabalhados e ali aplicados, e podemos também lembrar toda a história quer do espaço quer das peças que nele foram colocadas.

Um evidente condicionamento é, então, a qualidade dos materiais utilizados na construção e na decoração dos nossos espaços.

Materiais orgânicos e sintéticos

Segundo o feng shui devemos escolher materiais naturais como metal, pedra, rocha, cerâmica, barro, madeira, cortiça, algodão, lã, linho, entre outros, e devemos evitar os plásticos e as fibras sintéticas. Basicamente devemos dar prioridade aos materiais orgânicos e evitar os sintéticos.

Os materiais orgânicos têm um comportamento e vibração natural que permite uma sensação de maior conforto e regeneração energética para qualquer ser vivo que esteja perto desse material.

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Os materiais sintéticos podem ser, na maioria dos casos, nefastos para a saúde das pessoas porque libertam substâncias que podem ser tóxicas. Já todos entrámos num espaço onde as alcatifas sintéticas deixaram um cheiro de borracha ou até de queimado.

Da mesma forma, já experimentámos entrar num espaço com chão de madeira, de pedra ou de cerâmica, que mesmo que fechado durante uns tempos, a sensação pode ser a de ar estagnado, mas nunca de ar poluído.

Os materiais orgânicos respiram e podem também envelhecer e oxidar, mas não nos intoxicam como acontece com a maioria dos sintéticos.

Mas atenção que, apesar desta constatação, preciso também ser justo e explicar que nos dias de hoje já encontramos alguns materiais mistos que possuem comportamentos muito aceitáveis e úteis ao tipo de utilização do espaço, como é o caso de hospitais e laboratórios, onde a necessidade de recorrer a materiais impermeáveis se sobrepõe ao orgânico quase sempre poroso.

Devemos evitar algumas soluções que nos são vendidas como ferramentas para uma vida mais fácil e cómoda, mas que nos afastam da natureza
Alexandre Gama Alexandre Gama

Sabemos também que materiais orgânicos bem trabalhados facilitam a resistência térmica associada a uma transpiração natural dos edifícios, pelo que podemos, por exemplo, escolher tintas aquosas em vez de verniz. Estas últimas além de criarem capas impermeáveis e não deixarem o edifício respirar, contribuem também para a poluição ao soltar componentes que podem ser tóxicos.

Esta pequena noção entre o que é orgânico (ou seja, o que nos é oferecido pela natureza), versus o que é sintético (ou seja o que é transformado e produzido pela indústria química alterando as suas qualidades naturais), vai ajudar-nos a fazer as melhores escolhas sempre que estamos a decidir sobre os tipos de materiais a utilizar.

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Seja na estrutura do edifício, seja na decoração de interiores onde escolhemos diferentes tintas, papel de parede, tecidos vários ou ainda os materiais dos diferentes móveis, podemos sempre ter um papel ativo na escolha dos mesmos e com isto estamos a contribuir para a qualidade de vida de quem habita aquele espaço.

Devemos evitar algumas soluções que nos são vendidas como ferramentas para uma vida mais fácil e cómoda, mas que nos afastam da natureza e contribuem para uma vibração mais tóxica e saturada, levando ao desequilíbrio e falta de harmonia energética. Exemplos disto são espaços com piso radiante, cozinhas com placas de indução, microondas, televisão ou wifi ligado no quarto enquanto dormimos, e o excessivo uso do telemóvel ou de tablets.

Preferimos sempre espaços com bom arejamento e com mais contacto com a natureza.

Alexandre Saldanha da Gama é consultor de Feng Shui e autor do livro ‘Feng Shui @ Lares e Costumes Portugueses’. Estudioso de pessoas e da sua energia, criou a marca Feng Shui Integrativo através da qual orienta seminários, cursos, palestras e faz consultas de astrologia do ki das 9 estrelas. Desenvolve e acompanha in loco projetos de decoração, dá consultas de Feng Shui e faz limpezas energéticas de espaços.

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