Nutrição

4 estratégias para melhorar a alimentação das crianças

Esqueça as lutas e os ecrãs à hora da refeição. No livro Família feliz à mesa, a nutricionista Lisa Afonso partilha estratégias simples para criar bons hábitos alimentares nos mais novos.

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Ago. 18, 2026

É à mesa que as famílias se reúnem, que partilham como correu o seu dia e que os laços são fortalecidos. É também à mesa que a nossa relação com a comida é construída desde os primeiros meses de vida. Porém, garantir que essa relação se desenvolve de forma positiva e equilibrada nem sempre é simples para quem cuida. Foi precisamente para ajudar os pais a navegarem pelos desafios da alimentação infantil que Lisa Afonso, nutricionista infantil e doutorada em Psicologia, escreveu Família feliz à mesa, um guia com estratégias para criar bons hábitos alimentares desde o início e melhorar aqueles que já estão enraizados.

A grande lição que Lisa Afonso quer que os pais retirem é clara: “A ideia é podermos focarmo-nos mais na relação com os filhos à mesa do que propriamente no controlo do que comem. É esta ideia de construir uma ótima relação, não só entre elementos da família, mas também com toda a refeição desde o ponto zero, haver envolvimento de todos e coerência familiar”.

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Como lidar com resistências comuns

Mudar hábitos não é fácil, mas é possível e quanto mais cedo melhor. A autora partilha no livro algumas resistências que os pais poderão encontrar na hora da refeição e dicas de como lidar com as mesmas.

1. A criança exige ecrãs para comer

“Sei que os ecrãs podem causar dependência e que podemos ter bastante resistência ao oferecer comida sem eles, se a criança estiver habituada. Também aqui devemos comunicar à criança o porquê, explicando que aquela mudança acontecerá para toda a família. Os pais não vão mexer no telemóvel à mesa e todos aguardarão pelo fim da refeição para mexer nos ecrãs. A firmeza é necessária. O seu filho deixará de estar desligado da refeição e, por isso, mais disponível para conversar, para observar o que acontece no momento.

Podemos, numa fase transitória, incluir outras distrações, por exemplo, algum peluche que a ‘criança vai alimentar’ enquanto come. Os convites à atividade durante a refeição também vão ajudar a esquecer os ecrãs: deixe que sirva alguns elementos do prato, por exemplo.”

2. Alguns alimentos frescos causam repulsa ao seu filho

“Algumas crianças podem sentir-se um pouco mais distanciadas de alguns alimentos frescos, como os vegetais. Isto pode acontecer por diferentes motivos. Pode haver maior sensibilidade à partida (dificuldades de integração sensorial ou perceção mais clara de alguns sabores) ou escassez de interesse por falta de exposição aos mesmos. Por vezes, temos de dar passos pequenos no sentido da aceitação destes alimentos. Apresente-os juntamente com alimentos aceites e deixe que a criança os explore, com as mãos, com o olhar. A criança pode ter de aceitar primeiro tocar nestes alimentos com as mãos para depois aceitar comê-los.

É importante reconhecer que algumas mudanças podem levar algum tempo. Torne o alimento familiar, convide-a a preparar estes alimentos e não se esqueça de que a melhor forma de a incentivar a aceitar é comê-los também.”

3. A criança fica revoltada ao dizer-lhe que não pode comer o que quer, quando quer

“Crianças pequenas não têm a capacidade de saber escolher quando se alimentam e o que comem. Muitas vezes, vão escolher os seus alimentos preferidos e optar por comê-los fora da mesa. Têm, por outro lado, a capacidade de decidir a quantidade a ingerir dos alimentos apresentados pelos adultos, dentro dos horários estabelecidos em família. Mas se tiveram, durante demasiado tempo, a liberdade para decidir quando comer e o quê, é provável que exijam manter esse estado.

Os pais devem ser firmes e explicar que aquela é uma forma de agir da família e que, por isso, não se espera que eles atuem de modo diferente. Explicar o motivo por que não podem comer aquele alimento naquele momento é importante. Negociar, dando alternativas ou explicando que em breve será hora de comer, é fundamental.

4. O tempo é escasso para fazer compras cuidadas e preparar fruta e vegetais

“Planeamento é a palavra-chave. Pode, por exemplo, planear, uma vez por semana, a ementa semanal e comprar aquilo de que precisa antecipadamente. Tirar partido dos vegetais congelados é uma boa ideia. Pode ainda preparar algumas refeições e congelá-las. Uma vez por semana, experimente planear uma nova receita e envolver as crianças neste processo.”

A versão original deste artigo foi publicada na revista Saber Viver nº 313,  julho de 2026.

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