Sociedade

Editorial de maio: Mãe... ou dona de casa desesperada?

As palavras da diretora da Saber Viver na edição de maio da revista.

Untitled-7 Untitled-7 Untitled-7
Editorial de maio: Mãe... ou dona de casa desesperada? Editorial de maio: Mãe... ou dona de casa desesperada?
© pexels
Tânia Alexandre
Escrito por
Abr. 24, 2022

Sou mãe de duas meninas e sinto-me profundamente grata por isso. Costumo dizer que com as duas, em momentos diferentes, não foram só elas que vieram ao mundo, também eu voltei a nascer, a encontrar-me, a descobrir coisas sobre mim que desconhecia.

Nada é maior do que o amor que sinto por elas. Aliás, sobre quão feliz sou por ser mãe, não escrevia uma página, mas sim um livro. No entanto, não posso deixar de afirmar que ser mãe continua a ser um desafio extenuante física e mentalmente.

Se, com uma filha, a situação já era difícil, com duas e de idades e necessidades completamente diferentes — uma com 13 e outra com 2 anos —, uma pandemia pelo meio, teletrabalho e tudo o que vivemos nestes dois anos, a minha vida sofreu uma reviravolta que tenho dias que parecem intermináveis em que me sinto a falhar redondamente.

Ser mãe é o melhor do mundo, sem dúvida, mas também é dos desafios mais difíceis que temos na vida

Como já percebeu, no mês em que se assinala o Dia da Mãe, optei por contrariar a narrativa de filme cor-de-rosa e de endeusamento dos estereótipos da maternidade e falar da vida real. É a minha realidade, mas acredito que não ande muito longe da vossa.

Ser mãe é o melhor do mundo, sem dúvida, mas também é dos desafios mais difíceis que temos na vida. E é sobre este lado que vos escrevo. Acho que devemos falar abertamente do que é ser mãe, sem recear julgamentos.

Há que dar espaço à reflexão sobre as mudanças profundas que a maternidade traz às nossas vidas; falar sobre as angústias que tantas vezes sentimos, sozinhas, no nosso silêncio; sobre os sentimentos de falha, de ansiedade e até vergonha de não nos sentirmos sempre felizes neste papel de cuidadoras, ou de já nem sabermos muitas vezes ser outra coisa além de mães; falar da dificuldade em conciliar a vida familiar com a profissional ou da culpa que chegamos a sentir por não conseguirmos estar a 100% em nenhuma destas realidades, quando supostamente “o mundo” nos faz acreditar que isso é possível; debater a falta de apoios e a jornada contínua das tarefas de casa que continuam a cargo das mulheres e que são completamente desvalorizadas e invisíveis para muitos.

Sim, tudo isto acontece na maternidade. Entre nós, mulheres, falamos de tudo isto, mas socialmente continuamos a romancear a maternidade. É mais fácil, é mais confortável; afinal, o que nos dizem é que ser mãe é o maior propósito de vida.

Porém, enquanto fizermos isso, vamos continuar a sofrer em silêncio e a perpetuar situações de discriminação e desequilíbrio de oportunidades entre homens e mulheres. Sobre este tema, convido-a a ler Mãe, o que é o jantar? (pág. 88). Não só faz um retrato sincero do que é a maternidade, como mostra como a pandemia e o teletrabalho vieram reforçar ainda mais a desigualdade.

O que pode encontrar nas páginas da Saber Viver de maio (nas bancas)

Mas esta edição não fala apenas de maternidade. Nas páginas da revista encontrará muitas tendências de moda e beleza que antecipam a chegada do bom tempo, assim como imensas dicas e conselhos de bem-estar e lifestyle para que desfrute do melhor da vida sempre com um sorriso nos lábios.

Por falar em sorriso marcante, este mês convidámos a atriz Mariana Monteiro para a capa, ela que representa tão bem os valores e a linha editorial da sua (nossa) Saber Viver. Vai gostar de a conhecer mais em pormenor.

Um beijo especial à minha querida Mãe e aos meus dois “Amores Maiores” — Lara e Íris.

A edição de maio da Saber Viver já está nas bancas, num local perto de si.

Últimos