Relações e família

Estudo explica o porquê de não conseguir resistir ao seu cão

São os nossos melhores amigos e, se fosse possível, passávamos todo o nosso tempo com eles. Agora, a ciência diz que nos manipulam com os seus puppy eyes (mas nós não nos importamos).

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Estudo explica o porquê de não conseguir resistir ao seu cão
© Getty Images
Vera Santos
Escrito por
Fev. 19, 2020

Conseguem tudo o que querem de nós e, por mais que queiramos dizer que não, acabamos sempre por dar o braço a torcer. Não, não falamos de crianças (ainda que estas sejam, por vezes, igualmente adoráveis), mas sim de cães.

Cachorrinhos, adultos, mais velhos, pequenos ou grandes, com ou sem raça definida, todos eles têm algo em comum: a sua capacidade de nos olhar de forma enternecedora, quase como se de chantagem se tratasse.

Quem tem um cão em casa sabe que este é um olhar que tanto pode ser sinónimo de pedinchar, como pode ser sinal de arrependimento, que nos mostra que algo foi roído (a aventura é descobrir se foram umas meias ou o sofá). Seja qual for a razão, o impossível é ralhar com uma bola de pelo com a cauda a abanar e um olhar adorável.

Mundialmente conhecida como puppy eyes, esta expressão, que tão inocente nos parece, tem uma explicação científica (e nem sempre foi assim).

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© Giphy

Um estudo recente, publicado no jornal científico PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences) sugere que, com o passar do tempo, a anatomia facial dos cães se modificou de modo a que lhes fosse mais fácil comunicar com os humanos (e manipulá-los).

De lobos selvagens a cães domesticados

Demorou vários milhares de anos, mas aconteceu. Supõe-se que a evolução de lobo para cão tenha começado de forma acidental. Alguns lobos mais dóceis eram atraídos por restos de comida e sobreviviam mais saudáveis, durante mais tempo, passando os seus genes à geração seguinte.

Esta é apenas uma teoria, mas o que sabemos com toda a certeza é que o cão é descendente direto do lobo.

As parecenças são inegáveis, tanto na anatomia como em características do seu comportamento. O que os investigadores descobriram é que a musculatura facial nas duas espécies é muito semelhante, com apenas uma exceção: os cães têm um pequeno músculo acima dos olhos, que lhes permite levantar a parte interior da sobrancelha, e os lobos não.

De acordo com os cientistas, este movimento despoleta um sentimento de carinho nos humanos, já que faz com que os olhos do animal pareçam maiores e com que o seu olhar se assemelhe ao de uma criança.

Esta expressividade das sobrancelhas é a principal razão pela qual os nossos corações se derretem e foi-se desenvolvendo com o passar dos séculos. É o resultado de preferências inconscientes por parte dos humanos, que foram influenciando a seleção no decorrer da domesticação.

Quando os cães fazem puppy eyes, os humanos sentem um forte desejo de cuidar deles, e foi esse mesmo desejo que contribuiu para o desenvolvimento da espécie como hoje a conhecemos, com traços passados de geração em geração.

No fundo, somos altamente manipuláveis, mas não nos importamos, porque poucas coisas nos deixam mais felizes do que os cães.

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