Relações e família

Phubbing: quando o telemóvel faz parte da relação

Ignorar o parceiro para olhar para o telemóvel é apenas um dos comportamentos a que podemos chamar de phubbing. Helena Paixão, psicóloga, explica-nos tudo sobre este fenómeno que afeta a intimidade do casal.

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Phubbing: quando o telemóvel faz parte da relação Phubbing: quando o telemóvel faz parte da relação
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Out. 21, 2026

A tecnologia mudou as nossas relações e a forma como nos relacionamos. Tornou-nos mais contactáveis, facilitou a comunicação e aproximou-nos de pessoas que estão fisicamente distantes. No entanto, criou uma nova dificuldade: estarmos sempre acessíveis não significa estarmos disponíveis. Podemos trocar dezenas de mensagens durante o dia e, ainda assim, ter dificuldade em estar verdadeiramente presentes durante uma conversa de dez minutos. Damos por nós a ignorar ou a interromper uma interação para nos concentrarmos no telemóvel. A este fenómeno chamamos Phubbing.

Helena Paixão, psicóloga clínica e fundadora da Clínica Helena Paixão, explica que este comportamento “descreve situações em que uma pessoa ignora ou interrompe a interação com alguém para se concentrar no telemóvel”. No contexto amoroso, de um casal, o phubbing acontece quando o telefone passa a ocupar sistematicamente o espaço que deveria estar a ser partilhado pelos dois.  “Não é preciso estar uma hora ao telemóvel. Às vezes, são pequenos momentos repetidos que transmitem a mensagem ‘o que está naquele ecrã merece mais atenção do que aquilo que está a acontecer aqui’”, afirma a psicóloga.

© Helena Paixão, psicóloga clínica e fundadora da Clínica Helena Paixão

Phubbing: a origem

O termo phubbing resulta da combinação das palavras inglesas phone (telemóvel) esnubbing(ignorar).

Segundo Helena Paixão, surgiu para descrever uma realidade que se tornou cada vez mais comum com a generalização dos smartphones: estarmos fisicamente próximos de alguém, mas psicologicamente noutro lugar. No fundo, como explica a especialista, “é uma palavra recente para um comportamento que levanta uma questão bastante antiga nas relações: a quem estamos realmente a dar atenção quando estamos com alguém?”

Consulta pontual vs. phubbing

O objetivo não é demonizar o telemóvel. “Todos precisamos dele e existem situações em que temos de responder a uma mensagem, atender uma chamada ou tratar de alguma coisa”, afirma a especialista. O que distingue o phubbing de uma consulta pontual é a frequência, o padrão e o impacto na relação.

Uma consulta pontual não significa desatenção. Mas o uso do telemóvel pode tornar-se um problema quando interfere repetidamente na disponibilidade que temos para o outro e se torna difícil estar numa interação sem verificar o ecrã.

Se tem estes comportamentos, pode estar a fazer phubbing

Há comportamentos que fazemos no dia a dia sem sequer nos apercebemos, mas que são considerados phubbing. Helena Paixão destaca os seguintes:

  • Interromper constantemente uma conversa para verificar as notificações;
  • Olhar para o telemóvel enquanto o parceiro está a falar;
  • Pegar no telefone durante uma refeição a dois;
  • Continuar a fazer scroll enquanto o outro tenta iniciar uma conversa.

Existem outros, que apesar de mais subtis, também são considerados phubbing, como estar sempre com o telefone na mão, colocar o aparelho em cima da mesa durante momentos de intimidade ou verificar repetidamente o ecrã sem existir uma necessidade concreta.

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De manhã à noite

Há momentos mais propícios a este comportamento. A psicóloga afirma que acontece sobretudo “nos momentos de transição e de espera”. Ou seja, durante as refeições, antes de dormir, quando os dois chegam a casa, enquanto veem televisão ou quando estão simplesmente sentados juntos.

“São momentos que podem parecer ‘sem importância’, mas que constituem uma parte significativa da vida de um casal”, explica Helena Paixão.

Quando nos sentimos desvalorizados e rejeitados

A atenção é uma das formas através das quais comunicamos importância. “Quando alguém nos olha, escuta e está presente, recebemos sinais de que aquilo que estamos a dizer importa”, explica a psicóloga.

Logo, quando somos constantemente interrompidos por um telefone, interpretamos esse comportamento como falta de interesse e sentimo-nos rejeitados, mesmo que essa não seja a intenção do parceiro.

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Contrarie este comportamento

Contrariar este comportamento pode ser difícil, principalmente quando a pessoa não tem consciência do que está a fazer. Nestes casos, Helena Paixão aconselha a começar por uma conversa sobre este comportamento, sem a transformar num momento de acusação.

“Em vez de ‘estás sempre agarrado ao telemóvel’, pode ser mais útil dizer: ‘Quando estamos a conversar e pegas várias vezes no telefone, sinto que perdemos aquele momento a dois.’ A partir daí, o casal pode definir situações concretas em que quer estar mais presente”, explica.

Importa também evitar uma lógica de “tudo ou nada”. O objetivo não precisa de ser ter uma relação “perfeita” com o telemóvel, mas sim perceber em que momentos o telefone está a ocupar um espaço que o casal gostaria de ter apenas para si.

“Escolher um momento concreto é mais sustentável do que decidir ´a partir de hoje nunca mais usamos telemóvel à noite’”, explica a especialista.

É também importante diferenciar se está a usar o telemóvel porque precisa mesmo dele ou porque não consegue estar realmente presente. “A resposta nem sempre será óbvia, mas começar a reparar já é uma mudança importante”, diz.

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Pequenas mudanças, grandes impactos

Existem pequenas mudanças que podem demonstrar genuína atenção. A psicóloga Helena Paixão deixa-lhe sete:

  1. Ter uma refeição sem telemóveis;
  2. Perguntar “como correu o teu dia?” (e ouvir a resposta);
  3. Não usar o telefone enquanto o outro está a contar alguma coisa importante
  4. Fazer uma caminhada juntos;
  5. Criar dez minutos antes de dormir sem ecrãs;
  6. Tomar café juntos ao fim de semana;
  7.  Estabelecer o hábito de, quando um chega a casa, os primeiros minutos serem para o encontro entre os dois;

“Não precisam de ser gestos grandiosos, basta serem gestos que demonstrem genuína atenção. Estes são pequenos espaços de atenção de qualidade que, de forma repetida, ajudam a construir proximidade e cumplicidade”, conclui a especialista.

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