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A Sereiazinha: Peixes

Descubra o conto de fadas que melhor a caracteriza, de acordo com o seu signo. As histórias de infância podem afinal dizer mais sobre nós do que imaginamos. Conheça o conto de Peixes.

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A Sereiazinha: Peixes
© Grafismo: Carolina Carvalhal
Bárbara Bonvalot, astróloga
Escrito por
Fev. 19, 2020

O conto que narra a história de uma pequena sereia e do seu amor não correspondido por um príncipe é tão encantador e delicado quanto o signo de Peixes.

Escrito por Hans Christian Andersen e publicado em 1837, o conto A Sereiazinha é muito mais do que um simples conto de fadas para pré-adolescentes. Ele fala-nos da ilusão, do sacrifício, mas também do amor que extravasa as fronteiras do físico e do romântico e se torna sublime e universal.

Como no conto do Patinho Feio, Andersen sabia do que falava. Com Vénus em Peixes a tocar o sonhador Neptuno, durante a sua vida ele alimentou vários amores impossíveis e nunca chegou a concretizar nenhuma dessas relações.

Aqui aproveito para fazer um aviso à navegação: neste artigo vou referir-me sempre ao original de Andersen e não da versão da Disney. Essa traz consigo uma simbologia bem diferente, mais pesada e mais terrena e por isso não cabe neste texto.

A Sereiazinha

O início da história passa-se no fundo do mar, onde a água é a mais transparente e mais azul e tudo à volta é de uma subtil delicadeza, inigualável por qualquer coisa que possa existir à superfície.

Peixes é um signo de água, o elemento que simboliza o sentimento e as emoções, é o mais leve e gracioso de todos os signos e também o mais etéreo e mais distante da matéria e de tudo o que é terreno. É o signo menos real e menos concreto.

A suave beleza do ambiente submarino estende-se à Sereiazinha, a mais nova de seis irmãs, que é descrita como “uma criança estranha, calada e pensativa”, características bem piscianas.

Pessoas com muita energia de Peixes ou com a casa 12 acentuada no seu mapa natal têm facilidade em abstrair-se da realidade e em sonhar acordadas, mas também de se ligarem a mundos imateriais e intangíveis, desconhecidos da maioria das pessoas.

A pequena sereia sonha com um mundo para além do seu, um mundo que só conhece através dos fantásticos relatos da avó e, mais tarde, também das irmãs.

Peixes tem mais facilidade em envolver-se com a fantasia do amor do que com a outra pessoa propriamente dita
Bárbara Bonvalot Bárbara Bonvalot

Quando a Sereiazinha completa os quinze anos e lhe é permitido nadar até onde o mar acaba e a terra e o céu começam, ela encontra um navio e apaixona-se pelo jovem príncipe que nele viaja.

Uma tempestade aproxima-se e a embarcação naufraga e, ao ver o seu amado a afogar-se, a sereia salva-o e leva-o para uma praia onde ele recupera os sentidos, mas o jovem nunca chega a conhecer a sua salvadora e desconhece o amor que a sereia nutre por ele.

Depois de descobrir onde mora o príncipe, a sereia sobe todas as noites à superfície para o ver e para saber dele, sem nunca se aproximar.

Peixes tem mais facilidade em envolver-se com a fantasia do amor do que com a outra pessoa propriamente dita. O amor idealizado, por ser intangível e intocável, é sempre mais perfeito do que a realidade, que tem os defeitos e as imperfeições inerentes à nossa natureza humana.

Ao conversar com a avó, a Sereiazinha fica a saber que, ao contrário das sereias, os humanos têm alma, uma parte de si que nunca morre mesmo quando o seu corpo deixa de existir. A avó conta-lhe que para ela ganhar uma alma seria necessário um humano amá-la tanto que quisesse unir a sua vida à dela.

Peixes, Neptuno (o seu regente moderno), Júpiter (o regente tradicional) e a casa 12 são, no nosso mapa natal, pontes para esta outra dimensão de nós mesmos, uma dimensão onde nos tornarmos unos com tudo o que existe e assim nos transcendemos. Esta é a energia do amor universal, o amor que tudo acolhe e que tudo aceita.

A nossa jovem anseia por ter essa alma eterna, que tudo transcende, e para a conseguir vai fazer com que o príncipe se apaixone por ela. Mas, para isso, precisa primeiro de trocar a sua cauda de peixe por duas pernas.

Pela sua sensibilidade invulgar, Peixes está ligado a todas as artes, em especial à música e à dança
Bárbara Bonvalot Bárbara Bonvalot

A pequena sereia vai então pedir ajuda à velha bruxa do mar, que mora na zona mais profunda e desconhecida do fundo do oceano, aonde a Sereiazinha nunca tinha ido antes. Quando chega, a bruxa anuncia-lhe que sabe ao que a jovem vem e avisa-a que não é uma boa ideia, pois vai dar mau resultado.

A velha bruxa encontra a informação num nível intuitivo e não precisa que os acontecimentos se materializem para sentir qual a energia que lhes está implícita. Pessoas com Mercúrio em Peixes, na casa 12 ou ligado a Neptuno têm a capacidade, consciente ou não, de captar este tipo de informação tão ténue e subtil, que não é perceptível a pessoas mais práticas ou racionais.

Em troca das pernas, a Sereiazinha dá à bruxa do mar a sua linda voz. Em todas as mitologias o canto da sereia é famoso por ser de uma beleza extrema, tão belo que nenhuma voz humana se lhe pode comparar. Mas o canto desta sereia é o mais bonito de todos os cantos de sereias.

Pela sua sensibilidade invulgar, Peixes está ligado a todas as artes, em especial à música e à dança. Ao entregar a sua voz à feiticeira, a pequena sereia abdica do maior dos seus encantos.

Para alcançar a sua alma eterna, ela tem de se tornar humana e tornar-se humana é tornar-se imperfeita, mas é precisamente este o caminho para a transcendência. Apenas porque somos imperfeitos almejamos a perfeição e ao trabalharmos no nosso aperfeiçoamento, todos os dias, como se fossemos aprendizes do ofício de ser humanos, temos a oportunidade de nos transcendermos.

Neste aperfeiçoamento contínuo encontramos a energia de Virgem, que se opõe à de Peixes e que a complementa.

A velha bruxa adverte a Sereiazinha de que a transformação será dolorosa, como se “uma espada de dois gumes lhe atravessasse o delicado corpo”, e depois, ao andar, sentirá cada passo como se pisasse pontas de facas.

A transformação da sereia em humana não é feita sem dor e sofrimento e é nos pés que ela vai sentir essa agonia, pois esta é a parte do corpo regida por Peixes.

Com a sua extrema sensibilidade, Peixes tem tendência a sentir todas as dores do mundo e a chamar para si sofrimentos que não lhe pertencem. Aliada à sua passividade, esta característica pode tornar a sua existência nesta realidade limitada pela matéria demasiado difícil, ao ponto de se achar vítima de tudo o que lhe acontece, justa ou injustamente.

Finalmente a pequena sereia encontra o seu príncipe que, seduzido pela graciosidade da sua dança, o talento que lhe resta para expressar a sua sensibilidade, desenvolve pela jovem uma grande afeição. Mas como ela não fala — Peixes é um signo mudo, como os outros signos de Água — ele nunca a vê verdadeiramente como uma mulher individualizada, com voz própria, e gosta dela como se ela fosse uma mascote, mas não como mulher.

Ela aceita este amor insuficiente e desequilibrado, tão típico de uma Vénus em Peixes ou ligada a Neptuno, que tudo acolhe e tudo perdoa. Mas a sua passividade, simbolizada pela sua mudez, impede-a de passar à acção e de fazer acontecer uma relação, que, para todos os efeitos, é sempre mais bonita e mais perfeita num plano puramente platónico.

A ligação de Peixes com o outro lado da existência é feita através da encarnação, das escolhas que todos os dias fazemos apenas porque nos encontramos deste lado
Bárbara Bonvalot Bárbara Bonvalot

Um dia o príncipe reencontra a princesa que ele acredita ser a sua salvadora no dia do naufrágio e que ele nunca tinha esquecido e declara logo o seu desejo de se casar com ela. Com esta decisão do seu amado, a esperança da Sereiazinha desfaz-se, a aurora do dia do casamento do príncipe com outra mulher transformá-la-á em espuma do mar e ela nunca mais poderá ter uma alma imortal.

Mas as irmãs sereias vêm em seu auxílio e trazem-lhe uma faca que a bruxa lhes dera em troca dos seus lindos cabelos. A jovem só precisa de cravar a faca no coração do príncipe e as suas duas pernas voltarão a ser uma só cauda de peixe coberta de escamas prateadas.

Peixes é o signo com maior capacidade de renúncia e de entrega e, mesmo depois de ver o homem por quem sacrificou a sua voz e a sua vida junto das irmãs no fundo mar escolher outra mulher, a Sereiazinha faz o derradeiro sacrifício e atira-se para o mar para se diluir na espuma das ondas, dando uma última prova do seu amor incondicional.

No entanto, em vez de se dissolver, ela viu-se no meio de criaturas etéreas, as filhas do ar. Enquanto sereia o seu futuro eterno dependia do amor de outra pessoa, mas como filha do ar pode ganhar a sua alma imortal através de boas acções.

Por muito paradoxal que nos pareça (afinal este é um signo mutável), a ligação de Peixes com o outro lado da existência é feita através da encarnação, das escolhas que todos os dias fazemos apenas porque nos encontramos deste lado, onde existe dualidade, matéria e imperfeição.

Evitar estas questões não nos aproxima do divino, apenas nos torna passivos, dependentes e vítimas. A transcendência é alcançada sempre que lidamos com temas que nos são difíceis e ainda assim escolhemos não fugir, não voltar para trás, mas enchemos o peito de Amor e seguimos em frente, em direcção ao centro de tudo, que é o centro de cada um de nós.

Bárbara Bonvalot começou a estudar Astrologia em 2005 e inicia o seu percurso como astróloga profissional em 2009. Actualmente é consultora e formadora de Astrologia, membro da AFAN (Association for Astrological Networking) e da ASPAS (Associação Portuguesa de Astrologia). Entende a Astrologia como uma linguagem que nos leva a um conhecimento profundo de nós mesmos, dos outros e da própria vida.

*artigo escrito ao abrigo do antigo acordo ortográfico.

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