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Items descartados. O que fazer com aquilo que já não queremos?

Precisamos realmente de manter tantos objetos na nossa vida e nas nossas casas? Podemos refletir sobre isso, fazer uma seleção do que manter e deixar ir aqueles que já não pertencem mais. Descubra o que pode fazer com os items descartados.

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Items descartados. O que fazer com aquilo que já não queremos?
© Getty Images
Rafaela Garcez, personal organizer
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Rafaela Garcez, personal organizer
Nov. 08, 2019

A organização segundo o método de Marie Kondo faz-nos desapegar de muitas coisas. É verdade! Livramo-nos daquilo que já não nos traz alegria e valorizamos os objetos que deixamos ficar. É uma transformação profunda, pois nem sempre é fácil desfazermo-nos de itens que permanecem nas nossas vidas, apenas por apego ao passado ou receio de vir a precisar deles no futuro.

Muitas vezes, os meus clientes perguntam-me o que acontece a tudo aquilo que deixamos ir. Para organizarmos a casa que idealizamos, temos de finalmente deixar ir embora aquele presente de Natal de que nunca gostámos, mas que permanece guardado anos e anos na nossa casa — porque temos um sentimento de culpa quando pensamos em nos desfazermos dele.

Mas não precisa de ser assim, está tudo bem. O nosso sentimento em relação a quem nos deu o objeto não é alterado e o que fica registado em nós é o gesto e carinho do momento, não o objeto.

Não imagina o quão enriquecedor é libertarmo-nos desses objetos e eles passem a ser úteis noutras casas ou contextos. A nossa casa fica mais leve e sentimos a bênção da partilha.

Mas, afinal, o que acontece a tudo aquilo que deixamos ir?

O foco é o que mantemos na nossa casa e na nossa vida, mas temos de enfrentar as montanhas de itens que deixamos ir depois do processo KonMari por qual passamos. Para tal, temos várias opções possíveis.

1. Doar

A mais comum de todas. Existem diversas instituições e comunidades que recebem aqueles itens de que já não precisamos, mas que podem ser extremamente úteis para outras pessoas.

As minhas sugestões:

Casa do Gaiato (para tudo);
Comunidade Vida e Paz (para roupa) ;
Refood (para comida em condições de consumo).

Para muitas pessoas é impensável deixar ir livros da sua vida. Sentem que são, de certa forma, uma herança para a sua família e nunca se questionam sobre qual o verdadeiro papel dos livros. Vai ler? Teve impacto positivo? Vai utilizar? Leu só metade e não gostou? Todos aqueles que deixar ir, pode entregar em bibliotecas da sua freguesia ou, então, recomendo a Livraria Solidária em Carnide.

Para tudo aquilo a que não sabemos o que fazer, sugiro a fantástica aplicação que nos diz onde podemos entregar aquilo já não serve no presente. Chama-se Wasteapp e é muito fácil de utilizar.

2. Reciclar ou deitar fora

Tudo aquilo que já não está em condições de uso aconselho a deitar fora. Deitar fora também obriga a uma certa atenção. O lixo comum e a reciclagem não servem para tudo. Consulte todas as respostas em relação ao que é possível:

Medicamentos fora de validade, muito importante entregar nas farmácias;

Tintas e outros resíduos perigosos, considerados tóxicos, o ideal é contactar a Câmara Municipal de residência para saber o local ideal de entrega. Não deitar nem no lixo, nem na reciclagem. Em Lisboa, pode consultar as informações aqui;

Quando existe um grande volume de “tralha” que não está em condições de reutilização, reciclagem ou doação, o meu conselho é contactar a Câmara Municipal de residência para fazer um pedido de recolha;

Caso tenha alguma urgência e a recolha demore algum tempo (por vezes acontece), o ideal é entregar diretamente num dos pontos de recolha de lixo da cidade. Fui uma vez ao ponto de recolha de Monsanto (próximo da casa dos Animais de Lisboa), onde fui extremamente bem-recebida e fiquei impressionada com a quantidade de lixo que produzimos! Valeu a experiência para, mais uma vez, sermos conscientes das nossas escolhas e compras.

Vender

Para peças que estejam praticamente novas (com etiqueta ainda melhor) faço a sugestão de venda. Existem lojas em segunda mão, tal como o OLX ou o Custo Justo que podem ser soluções práticas para vender aquelas peças que custa deixar ir, porque foram caras ou estão novas, mesmo que já nada representem.

A minha recomendação para peças de luxo em segunda mão ou vintage que estejam em condições é a marca Mia Luxury Vintage.

É muito importante gerir expectativas de venda e valores das peças. Por vezes, achamos que temos preciosidades em casa e quando nos fazem uma oferta demasiado baixa, ficamos desapontados.

Devolver

Sim, eu sei que todos nós temos em casa coisas que são para devolver. Entram na categoria dos pendentes. Estes têm a capacidade de ficar anos e anos a viver em nossa casa, à espera de regressarem aos donos.

Uma camisola de uma amiga, um Tupperware da sogra, um guarda-chuva ou livro de um amigo… as possibilidades são tantas! Devolva-os logo após esta seleção. Vai sentir-se mais leve.

Formada em design gráfico, Rafaela Garcez dedica-se à organização profissional desde 2017. Fez a certificação em Nova Iorque com Marie Kondo e é uma das primeiras consultoras certificadas em Portugal. Desde então trabalha com clientes o método de organização japonês, transformando as suas casas e vidas. É uma das embaixadoras da Intercasa 2019.

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