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Mulheres são quem mais beneficia com as fantasias sexuais

A imaginação é o bilhete de entrada para uma vida sexual mais ativa e gratificante.  E os especialistas dizem que as mulheres são quem mais tem a ganhar por terem fantasias sexuais.

Feche os olhos. O que vê? Lampejos de corpos nus e pernas entrelaçadas ou escuridão cerrada? Assim, repentinamente, pode ser difícil imaginar um cenário que lhe desperte a libido. Mas, se gosta de uma boa história, vale a pena deixar-se levar pelos seus pensamentos.

Na opinião da psicóloga clínica e terapeuta sexual Maria Joana Almeida, “o reino da fantasia pode ser libertador porque permite-nos aceder a um mundo de experiências que podemos não conseguir concretizar na realidade”.

Um argumento convincente, sobretudo porque temos controlo total sobre o ambiente, os protagonistas e o enredo nas histórias que criamos. “As fantasias são perfeitas: o outro reage como queremos e os pormenores acontecem na sequência que pretendemos”, reforça a sexóloga Marta Crawford. Domínio esse que é, em si, uma fonte de grande satisfação sexual.

Fantasias: muitas ou poucas?

Por vezes, seria prático ter acesso ao que se passa na cabeça do(a) parceiro(a). Contudo, muitos sujeitos ficariam desanimados com o que lá encontrariam – particularmente se indivíduos do sexo masculino perscrutassem as mentes das companheiras. Porquê? Marta Crawford diz que, “no geral, as pessoas fantasiam pouco”.

Realidade pouco falada, até em consultório, e Maria Joana Almeida avança uma possível explicação para isso: “As mulheres têm dificuldade em permitir-se fantasiar, pela culpabilidade”. Essas idealizações podem ser incomodativas ou inibidoras para a própria.

“Os limites das fantasias são os nossos valores”, confirma a sexóloga Marta Crawford. Talvez por ter sido mais constrangido nos seus comportamentos sexuais ao longo dos séculos, o sexo feminino é aquele que dá rédea mais curta à sua imaginação e, ironia das ironias, o que retiraria mais prazer desse exercício.

As pessoas tendem a seguir as modas sexuais criadas por filmes, como as brincadeiras com gelo e comida, o fazer sexo no elevador ou no avião… – Marta Crawford, sexóloga

Estímulos externos vs. internos

“Os homens são muito visuais. Se virem alguém atraente, com um perfume interessante, um bom decote, umas pernas bonitas ou um rabo a bambolear, podem ter uma reação física e ficar logo disponíveis para o ato sexual. Isso faz com que eles tenham mais pensamentos sexuais durante o dia”, esclarece Marta Crawford.

As mulheres não se entusiasmam tão facilmente. Para terem uma resposta sexual, diz a sexóloga, “precisam de contacto físico, do tato”. Os sentidos têm um papel fundamental na sexualidade e qualquer um deles pode ser a faísca que desperta uma fantasia, livre para se espraiar dentro da nossa cabeça sem medo de consequências. “O nosso cérebro é o principal órgão sexual que temos”, frisa a especialista.

Alimentar a chama

Mas, afinal, como é que se fomenta o erotismo, a libertação corporal e o prazer na vida quotidiana? “Os filmes – pornográficos ou comédias românticas, que, para algumas pessoas são mais eróticas – e os livros – romances, contos eróticos, etc. – podem ajudar”, sugere a psicóloga Maria Joana Almeida. Especialmente, quando a pessoa tem dificuldade em imaginar situações ou coisas que a excitem.

Porém, há o risco de homogeneização das fantasias. “As pessoas tendem a seguir as modas sexuais criadas por filmes, como as brincadeiras com gelo e comida, o fazer sexo no elevador ou no avião…Como parece ser sempre fantástico, elas desejam sentir as mesmas coisas”, nota Marta Crawford.

Cena do filme As Cinquenta Sombras de Grey

Aparentemente, isto tem mesmo um fundo de verdade. Justin Lehmiller, investigador do Instituto Kinsey, nos Estados Unidos da América, e autor do livro Tell Me What You Want (Da Capo Press), estudou as fantasias sexuais de 4175 norte-americanos, com idades entre os 18 e os 87 anos, e concluiu que ambos os géneros imaginam sobretudo fazer sexo em grupo e dominar ou ser dominados.

Serão reminiscências de longas-metragens de culto como De Olhos Bem Fechados (1999) ou do fenómeno que foram os livros e os filmes de As 50 Sombras de Grey? Estas fantasias foram de tal modo popularizadas pela cultura que a sociedade passou a aceitá-las como normais.

O caminho para a intimidade

As fantasias não têm de ser extremistas. Deixar a mente viajar por experiências românticas e/ou sexuais passadas também acorda a libido. “Frequentemente, basta a mulher relembrar o que sentiu na última experiência sexual que teve com o parceiro”, afirma a sexóloga. E sonhar acordada é algo que se pode fazer nos transportes, no supermercado, enquanto se fazem as tarefas domésticas, oportunidades não faltam.

O mais provável é que, dando rédea solta à imaginação durante o dia, à noite esteja mais disponível para o sexo. Marta Crawford diz que “as fantasias podem surgir associadas à masturbação ou ao coito” e sublinha que não considera traição “imaginar outras situações para além daquele momento”.

Algumas fantasias tornam-se uma obsessão, sem a qual a pessoa não consegue ter resposta sexual – Marta Crawford, sexóloga

Agora, se fantasiar com algum ator ou desportista, talvez seja melhor guardar essa informação para si. Segundo Maria Joana Almeida, isso “pode afetar a autoestima do parceiro, porque ele não é o George Clooney”. Da mesma forma que, se quiser testar as suas fantasias na prática, convém sondar o seu companheiro de antemão. “Uma coisa são situações exequíveis, já aquelas que só poderiam ser executadas por artistas do circo é outra completamente diferente”, comenta a psicóloga clínica e terapeuta sexual.

Neste sentido, a sexóloga Marta Crawford aconselha as pessoas a partilharem o seu imaginário privado “a partir do momento em que têm confiança com o outro”. Ou não tem de existir essa troca. O indivíduo não se deve focar numa só fantasia, na medida em que isso condiciona a vivência da própria sexualidade e a do(s) parceiro(s).

A especialista avisa que “algumas fantasias se tornam uma obsessão, sem a qual a pessoa não consegue ter resposta sexual”. Para evitar isto, deve aumentar-se a cultura erótica, estimulando a capacidade de fantasiar. Um exercício que pode ser realizado a solo ou em casal e que promete ser tão prazeroso como a recompensa.

As 7 fantasias sexuais mais populares

Descubra as fantasias sexuais mais comuns,  de acordo com um estudo norte-americano, conduzido pelo investigador do Instituto Kinsey, Justin Lehmiller.

1. Múltiplos parceiros ménage à trois e orgias.
2.Dominação e controlo bondage , disciplina, sadismo e masoquismo.
3. Novidade e variedadem experimentar novas posições em sítios diferentes.
4. Fetiches sexuais voyeurismo, exibicionismo, entre outros.
5. Partilha  de parceiros, troca de casais e relações poliamorosas.
6. Intimidade, imaginar cenários de paixão e romance, que respondem  a necessidades emocionais.
7. Fluidez sexual, ter relações sexuais com pessoas do mesmo género.


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