Há mesmo alimentos que ajudam a adiar a menopausa?

A relação entre menopausa e alimentação parece que está mais assente do que nunca. O que come pode influenciar a forma como ultrapassa uma das fases mais marcantes da vida de uma mulher. Fomos perceber de que maneira isto acontece.

É um período de transição e até mesmo de grande mudança para o corpo (e vida) de uma mulher. A menopausa causa alterações físicas e emocionais, o que leva a uma procura por técnicas ou tratamentos que ajudem a reduzir os sintomas que esta fase provoca.

Em Portugal, a idade média da menopausa é aos 51 anos. No entanto, há fatores, como o tabagismo ou o álcool, que podem acelerar o processo – e aumentar, significativamente, o risco cardiovascular.

“Pensa-se que uma mulher fumadora pode entrar na menopausa 1,5 a 2 anos mais cedo. Porquê? Pelos hidrocarbonetos aromáticos policíclicos presentes no fumo do cigarro serem tóxicos para os folículos ovarianos. Isto leva a um decréscimo nos níveis de estrogénio”, explica-nos Patrícia Costa, nutricionista no Hospital Privado de Braga – Trofa Saúde.

Os sintomas afetam a grande maioria das mulheres que têm esta idade, sendo que há uns mais frequentes que outros. Segundo o Consenso Nacional sobre Menopausa 2016, sintomas como afrontamentos ou suores noturnos (vasomotores), que ocorrem na transição para a menopausa, afetam mais de 70% das mulheres.

Estes são mais frequentes e intensos em mais de 30% das mulheres. E parece que estão correlacionados com doenças cardiovasculares subclínicas (acontecem sem manifestação de sintomas) e valores de tensão arterial mais elevados.

O consumo moderado de álcool, bem como o consumo regular de chá parece atrasar a idade natural da menopausa, muito provavelmente devido ao efeito antioxidante dos flavenóides do chá

Um estilo de vida pouco saudável pode agravar ainda a saúde das mulheres desta idade, que estão a passar pela menopausa. Ainda que este seja um processo natural, muitas vezes afeta, direta ou indiretamente, a vida de quem passa por esta fase.

O que é que se pode fazer para minimizar estes sintomas? Pode a alimentação influenciar este período? Fomos descobrir.

Menopausa e alimentação. Como tirar partido desta correlação?

Atrasar um processo natural do corpo pode parecer estranho, e quase anti-biológico. Porém, há quem o procure para fugir do mau-estar diário, físico ou emocional. Ao que parece, há elementos que provocam um retardamento da chegada da menopausa.

“O consumo moderado de álcool, bem como o consumo regular de chá parece atrasar idade natural da menopausa, muito provavelmente devido ao efeito antioxidante dos flavenóides do chá”, explica-nos a nutricionista. Mas faz a ressalva que, devido à falta de estudos, ainda não é possível o aconselhamento alimentar pormenorizado nesta fase da mulher.

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Todavia, a alimentação pode ter influência na idade de entrada na menopausa. Quem o diz é um novo estudo da Universidade de Leeds, publicado no Journal of Epidemiology and Community Health, realizado com 914 mulheres britânicas, citado por Patrícia Costa. Esta investigação associa o consumo de certos alimentos a um adiamento do início da menopausa e, por outro lado, a uma antecipação desta.

Alimentos que atrasam a menopausa

Como nos diz Patrícia Costa, segundo o mesmo estudo, são estes os alimentos que podem retardar este processo:

o peixe gordo: fonte de ácidos gordos ómega-3, que potencialmente melhoram a capacidade antioxidante do organismo);
legumes frescos: fonte de antioxidantes, compostos fenólicos, vitaminas e carotenóides;

Ambos estão associados a um atraso na idade natural da menopausa e a um menor risco de menopausa precose.

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Os hidratos de carbono refinados, elevam o risco de resistência à insulina, o que pode interferir na atividade das hormonas sexuais

Alimentos que podem acelerar a chegada da menopausa

O contrário também pode acontecer, através da ingestão de hidratos de carbono refinados, classificados como “alimentos de elevado índice glicémico”. A sua ingestão pode levar a uma antecipação de ano e meio da idade normal de início da menopausa.

“Os hidratos de carbono refinados, elevam o risco de resistência à insulina, o que pode interferir na atividade das hormonas sexuais e por conseguinte numa elevação dos níveis de estrogénio”, refere a nutricionista. Consequentemente, isto pode levar a “um aumento de ciclos menstruais levando a que os óvulos se esgotem mais rapidamente.”

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Ainda que possamos observar algumas destas modificações na idade natural da menopausa, é importante fazer a ressalva de que há muitos outros fatores que podem contribuir para estas alterações. Sendo assim, em alguns casos, a alimentação pode não ser a responsável por isto.

Necessidades nutricionais de quem está na menopausa

Está a atravessar a menopausa? Patrícia Costa elaborou uma lista com as principais necessidades que o seu corpo carece quando passa por esta fase. São elas:

Cálcio e vitamina D comparativamente à mulher em idade fértil;
O metabolismo tende a diminuir, daí serem menores as necessidades energéticas. Por isso, o exercício físico é de extrema importância para ajudar a combater o abrandamento do metabolismo, bem como da tendência em acumulação de gordura na região abdominal e flacidez dos tecidos;
As mulheres em menopausa poderão beneficiar da ingestão de isoflavonas, compostos naturais que mimetizam os estrogénios. Encontram-se presentes na soja e produtos à base de soja, em leguminosas, em raízes como o inhame, rebentos de alfafa e sementes de linhaça.

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Os riscos da entrada precoce ou tardia na menopausa

Ainda não são conhecidas as causas da menopausa precoce. Sabe-se apenas que é considerada precoce porque acontece por volta dos 35 anos. Acontece quando o corpo deixa de produzir óvulos e estrogénio, a hormona responsável pela reprodução feminina, e quando se dá a cessação da menstrução.

No caso da menopausa tardia, acontece o contrário. A produção de estrogénio é contínua e a menstruação pode permanecer até depois dos 55 anos.

Ambos apresentam riscos. “A antecipação na idade natural de menopausa pode levar a maior risco de osteoporose e doenças cardiovasculares. Já a entrada na menopausa mais tardiamente levará a maior risco de cancro de mama, útero e ovários”, esclarece Patrícia Costa.

Os cuidados com a alimentação, a prática de exercício físico, a procura por um bem-estar psicológico e emocional são passos saudáveis e indispensáveis para quem atravessa esta fase.

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