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“O sexo é como um menu de degustação”. Vamos aos preliminares?

As palavras são da conhecida sexóloga Marta Crawford, que acredita que devemos encarar o sexo como um todo, em que nenhum dos “pratos” é melhor do que o outro. Vamos refletir sobre preliminares?

Em traços gerais, podemos afirmar que os preliminares são os jogos de intimidade psicológica e física que aumentam a excitação. Num sentido mais restrito são vulgarmente encarados como o “antes” da penetração, mas esta ideia acaba por ser redutora.

A sexóloga Marta Crawford, que se tornou conhecida do grande público, há mais de dez anos, com o programa da TVI “AB…Sexo”, explica porquê. A intimidade sexual deve ser encarada como um todo. “A palavra preliminares está errada, porque define um antes e um depois, é como se existisse o pré-sexo, que assume uma ordem de importância menor do que o sexo relativo à penetração.”

Para explicar o conceito, Marta Crawford recorre à metáfora do chef de cozinha e do menu de degustação. “Uso muito este exemplo com os casais que me procuram no consultório. Quando vamos a um restaurante e o chef apresenta um menu de degustação, nunca vai afirmar que a sobremesa é melhor do que o primeiro, segundo ou terceiro prato, o que diz é experimentem e usufruam o máximo de cada prato.”

Viver cada momento como se fosse único

O que chamamos preliminares não está bem definido, mas podem começar no dia anterior e incluir o flirtar, o enviar uma mensagem ou fazer uma surpresa – Marta Crawford, sexóloga

Para Marta Crawford o importante é usar ingredientes como o prazer da intimidade, do envolvimento e do estar com a outra pessoa para estimular a excitação sexual.

Para a sexóloga e psicóloga clínica, as pessoas ainda estão muito centradas na penetração e no orgasmo. “O clítoris é o único órgão sexual feminino que tem como única função o prazer e embora existam mulheres que não precisam diretamente de o estimular para atingir o orgasmo, estudos indicam que apenas 30% consegue chegar ao orgasmo através da penetração”.

Daí toda a importância da estimulação clitoriana e do jogo amoroso. “O que chamamos preliminares não está bem definido, mas podem começar no dia anterior e incluir o flirtar, o enviar uma mensagem ou fazer uma surpresa. Se um casal está em constante zanga, se só há críticas ou se não tem paciência um para o outro, na cama dificilmente vai ser um oásis”, considera.

Apesar desta ideia, muitas vezes a Sétima Arte apresenta-nos o conflito associado a um estímulo sexual, o que pode derivar da transformação do sentimento de perda quando os “gritos” acalmam. Sobre este assunto, Marta Crawford lembra também que muitos conceitos do cinema são poetizados, como o sexo no elevador, que pode ser interessante pela novidade, mas acontece numa posição desconfortável e pouco funcional.

A sexóloga realça ainda o poder de alguns filmes capazes de criar fantasias coletivas como o Nove Semanas e Meia. Quem não se lembra da cena do gelo protagonizada por Mickey Rourke e Kim Basinger?

A fantasia: os “preliminares dos preliminares”

Uma mulher que pensa o dia inteiro no seu parceiro ou parceira passa o dia a estimular-se eroticamente sobre o momento em que vai ter com o amante (….), parte do trabalho psicológico já está feito – Marta Crawford

Na fase da paixão, é fácil ter o objeto do desejo sempre no pensamento. Só que com a continuidade das relações, “passamos do 8 para o 80”, alerta Marta Crawford. Deixamos de comunicar, de namorar e, muitas vezes quando chegamos à noite, já estamos a pensar nas responsabilidades do dia seguinte. Em qualquer fase da vida e de um relacionamento, a fantasia e a ideia de caça assumem um papel fundamental na predisposição para o sexo. Quantas vezes a atração física não surge da fantasia?

A imaginação pode ser considerada “os preliminares dos preliminares”. “Uma mulher que pensa o dia inteiro no seu parceiro ou parceira passa o dia a estimular-se eroticamente sobre o momento em que vai ter com o amante, portanto quando chega junto daquela pessoa parte do trabalho psicológico já está feito”, refere.

Capacidade de estar bem nas mãos do outro

Na hora H, procurar a forma como o corpo vai reagindo em pleno, sem tabus nem preconceitos, aventurando-se na descoberta é o melhor caminho para o prazer. “A terapia começa com a nossa capacidade de nos sentirmos bem nas mãos um do outro. Por vezes é necessária apenas uma festa, não necessita ser o chicote, a intimidade pode ser muito minimalista. É necessário procurar a essência da intimidade, abrir horizontes para ter prazer e apostar em orgasmos memoráveis.”

Marta Crawford confessa que já conheceu casais com muitos anos de relacionamento que são incapazes de “afirmar o que querem para si em cada momento, o que gostam, não gostam, o que querem e aceitam”. Em todas as relações, é muito importante a honestidade para expressar o que nos vai na alma. O segredo está em ser livre para comunicar a cada momento.

 


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“O sexo é como um menu de degustação”. Vamos aos preliminares?

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