Vamos falar sobre aquele armário que raramente está organizado. São caixas de comprimidos, frascos de xarope, pomadas e até aquele medicamento que ficou de uma doença passada “para o caso de voltar a ser preciso”. Mas a verdade é que a forma como guardamos os medicamentos é mais importante do que podemos pensar. Veja alguns cuidados simples que fazem toda a diferença.
1. Evite a casa de banho e a cozinha
São provavelmente dois dos primeiros sítios em que pensamos quando queremos guardar a medicação. Mas, apesar de práticos, não são os locais mais indicados. A humidade da casa de banho e o calor da cozinha podem criar condições pouco adequadas para a conservação dos medicamentos.
O ideal é escolher um local fresco e seco, protegido da luz e afastado de fontes de calor. Pode optar por uma gaveta ou um armário, desde que não fiquem junto a radiadores, fogões e janelas com exposição solar direta. O INFARMED (Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde) recomenda ainda que os guarde numa só divisão da casa, fora da vista e do alcance das crianças.
2. O frigorífico nem sempre é a solução
Só deve ser refrigerada a medicação para a qual essa condição está indicada. Se na embalagem estiver referido que o medicamento deve ser conservado entre os 2 e 8 ºC, significa que precisa de o guardar no frigorífico e só deve retirá-lo antes da sua utilização. Já os medicamentos que indicarem que devem ser mantidos abaixo dos 25/30 ºC, podem ser conservados à temperatura ambiente.
Cuidados a ter:
- Evite guardá-los na porta do frigorífico, uma vez que é o local onde a temperatura sofre mais oscilações;
- Não guarde os medicamentos no congelador;
- Tenha atenção durante o transporte desses medicamentos, especialmente em dias mais quentes, e utilize um recipiente isotérmico adequado.
3. Retirar os medicamentos da embalagem original
É provavelmente um dos hábitos mais práticos para quem toma vários medicamentos: abrir todas as embalagens e preparar uma caixa com os comprimidos para os sete dias seguintes. No entanto, nem todos podem ser retirados do blister e guardados desta forma. A embalagem original, para além de nos relembrar o nome do medicamento, mantém consigo as informações importantes como as instruções e o prazo de validade.
O próprio blister pode também dar algumas indicações sobre a sensibilidade do medicamento. Quando este é transparente, é possível que possa retirar os comprimidos da embalagem. Já se tiver uma cor mais escura, pode indicar que o medicamento é sensível à luz. No caso de ter uma embalagem opaca, podemos estar perante comprimidos tanto sensíveis à luz como à humidade. Em ambos os casos, pode não ser aconselhável retirar o comprimido ou a cápsula da embalagem original.
4. Não ignore o prazo de validade
Há uma data na caixa que todos conhecemos, mas que nem sempre verificamos: o prazo de validade. Nunca utilize um medicamento depois de ultrapassada essa data. Mas há outro detalhe a ter em conta. Alguns medicamentos têm um período de utilização mais curto depois de serem abertos, como é o caso de determinados xaropes e gotas para os olhos.
Uma dica simples? Escreva a data de abertura no próprio frasco. Se um medicamento tiver mudado de cor, cheiro, consistência ou aspeto, não o utilize sem primeiro pedir aconselhamento numa farmácia.
5. Menos medicamentos e mais organização
Uma casa bem organizada não precisa de ter uma coleção de medicamentos “para qualquer eventualidade”. O INFARMED recomenda que não guarde em casa medicamentos que já não são necessários. É particularmente importante não voltar a tomar, por iniciativa própria, medicamentos como antibióticos que tenham sobrado de um tratamento anterior.
Por isso, de vez em quando, faça uma pequena revisão ao armário. Retire os que estão fora do prazo, os que já não utiliza e os que apresentam alterações no aspeto. Mas atenção, não os deite no lixo comum nem na sanita. Entregue-os numa farmácia, onde poderão seguir o circuito adequado de recolha e tratamento.
