
Como evitar e combater as manchas na pele
Guardamos memórias na face como se fossem fotografias de momentos felizes em forma de manchas na pele. No entanto, podemos recordá-las apenas de cabeça, minimizando o aspeto destas marcas com os cuidados certos.
O rosto diz-nos muito sobre cada um de nós. Sem precisarmos de vislumbrar um sorriso ou um olhar carregado, percebemos a história através da pele. “As faces humanas são uma fonte de informação pessoal significativa”, lemos num estudo de 2023 que concluiu existir uma relação entre a textura e tom de pele e a nossa perceção da idade de alguém.
“Os resultados demonstram que a tonalidade e textura contribuem para cerca de 25 a 33 por cento de exatidão no nosso entendimento da idade.” Não nos surpreende, assim, que tantas mulheres se sintam incomodadas com as manchas que vão surgindo, com o tempo, na cara e procurem soluções para minimizar o seu aspeto. Foi por esse motivo que conversámos com Paula Quirino, médica dermatologista.
Embora seja impossível antecipar marcas fruto de uma predisposição genética, podemos minimizar a possibilidade de outras surgirem, como as que são reflexo da “exposição à radiação ultravioleta e infravermelha”, assim como a outras luzes, nomeadamente a azul, ou “de constante atrito no mesmo local, nomeadamente por causa da depilação” ou de “procedimentos agressivos, como um peeling ou um laser”. “Por exemplo, ao tirar constantemente os pelos do lábio superior com cera quente, linha ou pinça, induzindo uma inflamação, pode surgir uma hiperpigmentação pós-inflamatória”, sublinha.
Um passo à frente
Nestes casos, todos os cuidados são poucos para prevenir o seu aparecimento. A profissional desaconselha “tudo o que sejam limpezas de pele mais agressivas, microagresões ou mesoterapias”. “O que induzir eritema vai inevitavelmente poder agravar a situação”, frisa, explicando: “As pessoas têm a ideia de que, se fizerem uma esfoliação todos os dias, eliminam a pigmentação. Na verdade, está a causar mais irritabilidade na pele, portanto isso não é uma abordagem correta”.
Claro que, no que diz respeito ao sol, os conselhos são sempre os mesmos. Aplicar protetor solar – sim, mesmo no inverno –, fazer da sombra a sua melhor amiga e dos chapéus, lenços e óculos de sol os maiores aliados. Além disso, a especialista deixa um alerta: aplicar protetor solar de manhã, quando o índice ultravioleta é baixo, e não o reaplicar quando sai para a rua à hora de almoço, mesmo nos meses de maio a julho, é insuficiente. “As pessoas pensam que ficam com manchas por causa da praia, mas apenas vão poucos dias por ano. Nos outros é que estão expostas ao sol” sem os cuidados devidos.
Atrás do prejuízo
Quando antecipar é impossível, encontramos formas de reduzir a aparência das manchas, adaptando a nossa rotina de beleza. Introduzir vitamina C, “que tem um efeito clareador e funciona como antioxidante”, é um dos caminhos que poderá seguir. “Depois, existem os alfa-hidroxiácidos (AHA), nomeadamente o ácido glicólico, que, em concentrações mais elevadas, consegue um efeito renovador tanto da epiderme como da própria derme”, e ainda o retinol.
Já em gabinete, Paula Quirino avança ser o laser de picossegundos, em que “a energia é debitada de uma forma muito rápida, com o objetivo de atingir o pigmento que está mais profundamente, sem causar eritema na superfície e de forma a impedir essa pigmentação”, a “forma mais lógica, sensata e adequada” de tratar as manchas. Com outro tipo de procedimentos, como peelings, “é preciso ser-se muito cuidadoso”, uma vez que o “eritema provocado pelo tratamento pode traduzir-se numa hiperpigmentação e, por consequência, ficar pior”. Aconselha, de forma a minimizar essa probabilidade, a fazê-lo nos meses de inverno, “a partir de outubro ou novembro”.