
Queratose pilar: o que é e como minimizá-la
Os altinhos que a queratose pilar cria não são perigosos para a saúde, embora possam incomodar. Conversámos com Marta Ribeiro Teixeira, dermatologista, para compreender as causas desta condição cutânea e o que podemos fazer para minimizá-la.
É comummente conhecida como a pele de morango (strawberry skin, em inglês), graças à sua semelhança com os pontinhos escuros do morango, mas esta condição cutânea tem, na verdade, nome próprio e apelido: queratose pilar. Mas o que é? Trata-se, na prática, de uma “alteração benigna da pele em que há acumulação de queratina nos folículos pilosos, originando pequenas saliências ásperas, da cor da pele ou avermelhadas, semelhantes a ‘pele de galinha’”, explica Marta Ribeiro Teixeira, dermatologista.
Embora seja inofensiva e bastante comum — afeta cerca de 30 a 40% dos adultos e até 50 a 80% das crianças e adolescentes —, pode certamente causar desconforto, não apenas físico. Afinal, estamos a falar de uma condição que se manifesta, sobretudo, na face externa dos braços, uma zona do corpo mais exposta nos meses quentes, nas coxas, nádegas e, por vezes, no rosto.
Componente genética
No que toca às causas, ainda não são totalmente conhecidas. Sabe-se, porém, que está associada a uma forte componente genética e é mais frequente em pessoas com pele seca ou dermatite atópica. Se as lesões causarem comichão persistente, inflamação ou grande desconforto estético, é crucial marcar uma consulta de Dermatologia, aconselha a especialista.
Nem tudo é skincare
Sempre ouvimos dizer que não devemos tomar banho com água muito quente por não ser bom para a pele. Bem, neste caso, não é mesmo bom. A água à temperatura do inferno pode agravar a queratose pilar, por isso banhos curtos com água morna (custa, nós sabemos) e produtos de limpeza suaves são aconselhados. Evite esfregar a pele com esponjas ou esfoliantes agressivos, de forma a não correr o risco de aumentar a vermelhidão e inflamação, e não se esqueça de aplicar creme hidratante logo após o banho. O frio e a baixa humidade também costumam piorar a queratose pilar.
Hidratação obrigatória
“A consistência dos cuidados diários é mais importante do que tratamentos intensivos ocasionais”, refere Marta Ribeiro Teixeira. Nesse sentido, recomenda-se a utilização de produtos hidratantes e suavizantes, como cremes com ureia (5-20%), ácido láctico, ácido glicólico, ácido salicílico e, nalguns casos, retinoides tópicos, que ajudam a remover o excesso de queratina e a melhorar a textura da pele. “A hidratação regular é fundamental, e os resultados dependem da continuidade dos cuidados”, sublinha.
No que toca a tratamentos em gabinete, em casos selecionados, é possível recorrer a peelings químicos superficiais ou alguns lasers, sobretudo quando existe vermelhidão persistente. “Estes tratamentos podem melhorar o aspeto da pele, mas não são curativos e devem ser complementados com uma rotina adequada em casa”, sublinha a mesma especialista.