© Dulce Daniel
Sofia Ribeiro:

Sofia Ribeiro: “O corpo muda, a pele muda, mas isso não diminui a nossa beleza, transforma-a”

Há mulheres que não precisam de se impor para serem notadas. A sua presença faz-se sentir na forma como ocupam o espaço, na serenidade do olhar, na clareza das escolhas. Sofia Ribeiro é uma delas. Nesta conversa com a Saber Viver, a atriz fala-nos do tempo como aliado, do amor-próprio como aprendizagem contínua e da beleza que nasce da escuta interior.

Por Mar. 3. 2026

Ao longo de uma carreira sólida e coerente, Sofia Ribeiro construiu um percurso marcado mais pela consistência do que pelo excesso, mais pela verdade do que pela urgência. Entre rotinas de bem-estar, reflexões sobre o amor e o privilégio de envelhecer com consciência, Sofia revela uma feminilidade segura, que já não precisa de provar nada. Apenas de ser.

Entrevista a Sofia Ribeiro

Quem és quando a atriz se cala?

Sou uma apaixonada e profundamente curiosa pela vida. Admiro o silêncio, a Natureza, gosto de casa, de cozinhar, de cuidar. Encanta-me o que é mais simples. Adoro sentar-me a observar, amo a sensação de sentir-me presente. Quando a atriz se cala, fico eu — alguém que procura viver com propósito e verdade. Inteira, imperfeita mas consciente.

Ao longo da tua carreira, construíste um per- curso marcado pela consistência e pela entrega. O que consideras essencial para manter uma carreira longa e relevante numa indústria tão exigente?

Disciplina, ética e entrega. Mas, acima de tudo, evolução emocional. Sem maturidade, o talento estagna. É preciso continuar a questionar-se, a escutar e a aceitar que a carreira é uma maratona, não um sprint.

Houve algum momento em que pensaste mudar de profissão?

Sim. Houve momentos de cansaço extremo e de alguma desilusão. Mas nunca deixei de amar a minha profissão. E sinto-me uma privilegiada por poder continuar a fazer o que me faz brilhar os olhos.

Camisa e calças, A LINE by Diogo Miranda; Anéis, Julieta Joias

©Dulce Daniel

Há personagens que ficam connosco muito para além das gravações. Existe alguma que te tenha transformado profundamente, pessoal ou artisticamente?

Há várias, mas sobretudo aquelas que me obrigaram a confrontar fragilidades que eu própria ainda estava no meu processo para as compreender e resolver. Cada personagem ensina-me sempre alguma coisa e transforma algo em mim de alguma maneira.

Que tipo de histórias femininas sentes falta de ver representadas na televisão e cinema?

Hoje vemos mais diversidade de perfis e mais protagonismo feminino. Mas a meu ver continua a faltar complexidade emocional. Ainda vemos demasiadas vezes as mulheres reduzidas ao papel de mãe, amante, gira, tonta. Faltam personagens contraditórias, maduras, líderes, frágeis e fortes ao mesmo tempo. Falta espaço para a mulher que erra, que muda de ideias, que envelhece, que tem poder e vulnerabilidade em simultâneo.

Existe algum papel de sonho que ainda gostasses de interpretar?

Existe! Todos os que ainda não fiz. Mas personagens densas, com nuances, contradições, fragilidades. Personagens complexas que desafiam o corpo e a alma são as que mais me atraem.

Vestido e casaco, Alberta Ferreti; Anéis e brincos, Julieta Joias

©Dulce Daniel

Sei que estás com ensaios para uma peça de teatro. O que nos podes revelar acerca deste projeto?

Estou em ensaios para teatro, um projeto que me entusiasma muito, a peça Dona Flor e seus dois maridos. Uma obra do grande Jorge Amado, que vai estar em cena no Auditório dos Oceanos, no Casino de Lisboa a partir de Fevereiro. Estou muito feliz com este projeto e com a possibilidade de voltar ao teatro. Rodeada de uma equipa encantadora como a da Plano 6 e de um elenco que tem tanto de generoso como de talentoso. É uma enorme honra! Há novos desafios alinhavados mas para já estou inteiramente dedicada a esta Flor.

Em que medida a tua maturidade emocional transformou o teu trabalho enquanto atriz?

Deu-me mais escuta, paciência e precisão. Mais empatia e tolerância para com os que me rodeiam, na própria abordagem do personagem e para comigo também. Trouxe mais confiança em mim, no meu trabalho e valor. Consequentemente menos pressão para agradar e foco em servir a verdade da personagem.

Há papéis que só agora fazem sentido?

Sim. Há vivências, dores, silêncios e escolhas que só a experiência permite compreender e a meu ver retratar com mais profundidade e honestidade.

©Dulce Daniel

O palco, a representação foram, em algum momento, lugares de salvação pessoal?

Muitas vezes. O palco e a representação foram e são ainda, por vezes, lugares de salvação e sobrevivência. Para mim, o meu trabalho sempre foi como um eixo que me coloca no caminho certo.

Como lidas com o julgamento do público, da crítica e de ti própria?

Com humildade e firmeza. O mais exigente é sempre o meu. Eu serei sempre a minha maior critica! O olhar externo importa, mas na medida certa, não pode governar. Há que saber filtrar, nem sempre é fácil, é uma aprendizagem também.

Foste a nossa protagonista da edição de fevereiro. Uma edição que fala de amor, nas suas mais diversas versões. Com o passar do tempo, a forma como vivemos o amor muda? Quer seja uma pessoa, a família, a carreira, a vida?O amor, nesta fase, pede menos ilusão e mais verdade?

Eu acredito que sim . Tudo muda! Nós não somos os mesmos que há 10 anos atrás. Hoje o amor pede menos fantasia e mais presença. Menos promessa e mais ação. Pede mais calma! (Risos)

Vestido, Etro; Brincos e anel, Julieta Joias

©Dulce Daniel

A maturidade trouxe-te mais serenidade ou mais exigência nas relações?

Ambas. Serenidade para aceitar, para receber. Exigência para não negociar o essencial.

Quando pensas no futuro, o que mais desejas preservar na tua vida e o que ainda queres conquistar?

Preservar saúde, vínculos verdadeiros, autonomia e liberdade. Conquistar tempo, qualidade de vida e e projetos que me representem.

O que é que o tempo te ensinou sobre ser mulher que ninguém te tinha dito aos 20 anos?

Entre tantas coisas, ensinou-me que embora nos façam crer que sim, não temos o dever de provar nada a ninguém, nem de tentar encaixar nas expectativas externas. Ensinou-me que não precisamos de pedir licença para ocupar o nosso espaço ou fazer escolhas que nos servem.

©Dulce Daniel

Que peso as mulheres carregam sem perceber que não lhes pertence?

O peso de termos que “ser” conciliadoras, recatadas e submissas, por exemplo. Fomos ensinadas a carregar pesos que não nos pertencem. Somos responsabilizadas pelo bem-estar alheio, pela harmonia familiar, pelo sucesso do outro e até por não sermos “perfeitas” o tempo todo. Carregamos o peso quando dizemos não, não quero, basta!

Hoje, o que já não fazes para agradar?

Diminuir-me. Encolher-me para caber. Dizer sim, quando na verdade quero dizer não.

Em que momentos te sentes mais vulnerável?

Quando abraço um projeto novo, uma nova personagem. É um processo tão apaixonante quanto doloroso. Quando olho para as minhas sobrinhas e me dá um medo tamanho de não saber se estou a conseguir fazer e ser o melhor para elas. Quando me apaixono. Quando algo me apaixona, quando amo. Sempre.

©Dulce Daniel

Que conversa achas urgente entre mulheres da tua geração?

Conversar sobre limites, amor-próprio, autonomia emocional. Sobre união genuína, entre nós, mulheres.

Onde encontras prazer sem culpa?

No silêncio, sem dúvida! Na praia, nas viagens, no corpo em movimento, na comida, no afeto…

O que é que hoje proteges com mais cuidado?

A minha paz.

©Dulce Daniel

O que mais te dá medo hoje?

Perder tempo com o que não é essencial.

Em que situações ainda te encolhes?

Sempre que vou fazer exames de rotina. É uma reação involuntária. Un medo que ainda estou a aprender a lidar. Medo de algo inesperado mas não desconhecido, que possa vir a ameaçar a minha harmonia . Mas vou com medo! É fundamental olharmos por nós. Salvou-me a vida.

Há sonhos que deixaram de fazer sentido? E outros que só agora começaram a nascer?

Sim. Ou tomaram novas formas! Outros estão agora a nascer, mais alinhados comigo.

©Dulce Daniel

Se tivesses de definir este momento da tua vida numa palavra, qual seria?

Presente.

O tempo passou a ser um aliado ou uma ameaça?

Aliado. O tempo afina. O tempo só se tornou uma ameaça no dia que recebi o meu diagnóstico de cancro, e com ele a possibilidade de que talvez pudesse não ter o tempo todo que imaginei que teria até então, para viver tudo o que ainda me faltava viver. E esse momento trouxe-me a consciência do quando o nosso tempo é valioso.

És frequentemente associada a uma beleza elegante e natural. Como te relacionas com o espelho e com o envelhecimento num meio que ainda valoriza tanto a juventude?

Hoje, é uma relação gentil. Naturalmente que todas temos dias. Eu tenho os meus! Por força da minha história muita coisa mudou em mim, no meu corpo, na forma como ele reage. Mas depois de tudo o que ele já enfrentou, eu só posso agradecer a força que teve. Hoje, olho para o espelho com outra consciência. Vejo uma mulher com histórias, escolhas, cicatrizes e conquistas. O espelho é um reflexo da minha vida, do meu percurso e também do meu autocuidado. O corpo muda, a pele muda, mas isso não diminui a nossa beleza, transforma-a. E isso dá serenidade, confiança e até prazer em olhar para nós, sem exigências irreais.

Fato, Christian Dior, na Linda Mendes; Anéis e brincos, Julieta Joias

©Dulce Daniel

Que expetativas sociais sentes ainda a pesar sobre uma mulher na fase dos 40 anos?

Que sejamos jovens, produtivas, belas e sempre disponíveis. É irreal!

O teu corpo é hoje um lugar de conflito ou de reconciliação?

Reconciliação. O meu corpo é a minha casa, é o meu templo, a minha ferramenta de trabalho, nunca um inimigo.

Há algum ritual de autocuidado que seja indispensável no teu dia a dia?

Dormir 8 horas, beber 2 litros de água, alimentar-me bem, cuidar da minha pele e fazer exercício físico.

©Dulce Daniel

Quais são os teus favoritos de beleza no momento?

Estou a usar a gama Hyaluron Activ Procedure, da Avène e a experiência tem sido surpreendente.

O que é que te atraiu nesta gama?

O facto de ser uma rotina simples e fácil de encaixar no meu dia a dia e os resultados. Confesso que não imaginei que os resultados fossem tão bons e tão imediatos. Sinto a pele muito mais firme e uniforme, está menos baça, bastante luminosa e macia, como se fosse veludo. E tem um efeito lifting, noto as linhas de expressão menos marcadas na zona da testa, no contorno dos olhos e no “bigode chinês”. Consequentemente, ajuda-me a ter uma expressão mais leve, mais descansada, um ar mais rejuvenescido.

Para ti, de que forma uma rotina de beleza eficaz contribui para a confiança e bem-estar emocional?

Envelhecer é um processo, faz parte! Mas parece-me inteligente querer fazê-lo com qualidade. Escolher produtos que respeitam os diferentes tipos de pele e momentos que atravessa, com ingredientes testados e comprovados para o efeito, só representa mais valias a nosso favor. Por isso, sim! Cuidar da pele é também autocuidado. Olharmos ao espelho e sentirmo-nos bem com o que vemos, reforça o nosso bem-estar e confiança. Cuidar da pele também é cuidar de mim, é um gesto de respeito e amor por mim mesma. E isso reflete-se no resto…

Vestido, Cult Gaia, na Loja D’Adélia; Luvas, Jil Sander; Óculos, Chanel, na Óptica Boavista; Pulseira, Mango

©Dulce Daniel

A atriz terminou este shooting com a mesma elegância com que entrou: de sorriso aberto, sem pressa, nem máscaras. O que fica é a imagem de uma mulher inteira, alinhada consigo, atenta ao corpo, às emoções e ao mundo à sua volta. Numa época em que ainda se confunde juventude com valor, a sua voz lembra-nos que a verdadeira beleza nasce da coerência entre quem somos e a forma como vivemos. Obrigada, Sofia!

Créditos

Produção e styling: Bárbara Marinho
Fotografia: Dulce Daniel
Vídeo: Diogo Almeida assistido por: Eliana Pinheiro
Digitech & Light Assistant: Luís Pedro Ferreia
Cabelos: Rui Rocha
Maquilhagem: Andreia de Almeida
Retouch: Do Retouch
Assistente de styling: António Bernardo
Agradecimentos: Vinha Boutique Hotel

Mais sobre entrevista