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Catarina Maia:

Catarina Maia: “Sigo num processo de luto que me questiona, mas que muito me faz crescer”

É um talento confirmado da nova geração da rádio e da televisão portuguesa e surpreende pela maturidade com que encara a vida.

Por Ago. 24. 2026

Entre a rádio e a televisão, conquistou o público com uma presença leve, espontânea e genuína, mostrando que a autenticidade continua a ser a melhor forma de comunicar.

À Saber Viver, Catarina Maia fala com uma desarmante honestidade sobre resiliência, vulnerabilidade, luto e esperança, sobre o peso e os privilégios da sua geração e a importância de permanecer fiel a si própria. Vamos conhecê-la melhor…

Entrevista a Catarina Maia

Como descreves esta fase da vida?

Ao contrário do que possa parecer, estou numa fase de restruturação. Perdi a minha base no ano que passou e isso tem-me obrigado a um longo e custoso processo de aprendizagem e crescimento. Processo esse que consegue ser tão bonito quanto doloroso. Perder o meu pai foi a rutura total com a inocência que ainda podia restar em mim aos 25 anos. O embate é transformador, no mínimo.

Aprendi a viver de novo, a ganhar novas vontades, sonhos e formas de encarar o inesperado. Percebi que o amor só cresce e que é possível voltar a ser feliz, ainda que sem a mesma plenitude. A positividade que sempre me definiu deu-me alento para continuar, e a força que se apoderou de mim no momento em que o meu pai partiu só pode ter vindo dele. Sigo num processo de luto que me questiona, mas que muito me faz crescer.

A vida tem-me presenteado ainda assim com momentos profissionais felizes, com cada vez mais certezas de que me rodeio da melhor família e amigos do mundo, o que me deixa esperançosa quanto ao futuro. Anseio pela paz que não tenho desde então.

Óculos Saint Laurent, na Óptica Boavista;Top Cayet; Colar Parfois; Saia Jacquemus; Carteira Valextra, na Linda Mendes

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Sentes que falar sobre o luto pode ajudar-te e ajudar quem esteja a passar por uma situação semelhante?

Falar sobre o luto, a mim, ajuda a ver-me livre de parte da dor e do peso. Saber que há quem, ao ler o que sinto, possa ficar mais leve deixa-me muito feliz também. Sempre exprimi muito do que sinto, tive a sorte de ser muito feliz até aos 25 anos e fui partilhando. Neste último ano e meio, tive o infortúnio de ser muito infeliz e não seria real se não o partilhasse também.

O que aprendeste sobre fragilidade que nunca ninguém te tinha ensinado?

Que todos temos traumas com que lidar, mas que a única opção é continuar. Agora compreendo o verdadeiro significado de não sabermos nada do que se passa na vida dos outros. É efetivamente real que posso aparentar estar nos meus melhores dias e por dentro estar destruída. Há uma sensibilidade que só quem passa por algo semelhante ganha.

Vestido Elie Saab, na LTD Edition; Brincos Julieta Joias

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Estamos a criar uma geração que sabe mostrar felicidade, mas não sabe lidar com a tristeza?

Acredito até no oposto, tenho visto cada vez mais a partilha da vulnerabilidade. Para ser sincera, adoro. A coragem é maior quando sabemos que algo que nos magoa pode magoar-nos mais e ainda assim escolhemos “dá-lo” ao mundo. A minha geração já não tem medo de sentir; acho até que tem mais medo de não sentir. Partilho muitas das minhas tristezas e conforta-me quando percebo que não estou sozinha. Esta força que se cria quando nos identificamos com alguém, apetece guardar. Conforta mais do que se imagina.

Costuma-se dizer que a tua geração é a mais consciente de sempre, mas também a mais ansiosa. Concordas com essa ideia?

Com a plena consciência e maior conhecimento vem, claro, uma pressão que parece que nos assombra. O constante contacto com a comparação, o aparente fácil e rápido sucesso e a perfeição das vidas que nos são apresentadas fazem-nos, por vezes, pensar que não somos capazes ou que estamos atrasados em relação a algo.

Camisa, calção, cinto e colar Etro

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É importante que tenhamos a noção de que cada um tem o seu tempo e de que muita da parte negativa que é transversal a todos se omite, se esconde. Há traumas, esforços, sacrifícios e dor em cada processo de trabalho para crescer, seja em que meio for. Manter isso em mente pode ajudar a tranquilizar essa ansiedade.

Top e saia Farm Rio, na LTD Edition

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Se pudesses deixar uma única ideia à tua geração, qual seria?

Incluam. Procurem aprender sempre mais. Conheçam o mundo. Não tenham medo de perder a vergonha. Desprendam-se de comparações. Que o mais simples vos faça feliz.

Quando as câmaras ou o microfone se desligam, quem é realmente a Catarina?

Não há grande diferença na Catarina que ouvem na rádio ou veem na televisão para a Catarina que está num backstage! Eu só quero poder divertir-me e acima de tudo VIVER! Tudo o que faço é com o intuito de ser feliz e de deixar os meus felizes e, por isso, procuro estar tranquila e divertida em qualquer ambiente, seja ele profissional ou pessoal.

Óculos Saint Laurent, na Óptica Boavista;Top Cayet; Colar Parfois; Saia Jacquemus; Carteira Valextra, na Linda Mendes

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No que é que mais mudaste nos últimos anos?

A perseverança. Não me achava capaz de superar sacrifícios pelos quais tive de passar. É impressionante como a nossa mente funciona e se engana a si própria quando tem de o fazer. Quase como se fosse um instinto de sobrevivência.

Mas desde que começaste a trabalhar e a ter maior mediatismo, o que aprendeste sobre ti?

Conheci a força dos sonhos. E aprendi que farei o que estiver ao meu alcance para os concretizar. Com consciência e especial atenção a quem me rodeia. Sem me comparar e focada no que a mim me faz sentido. Que mesmo quando penso que o pior momento está para chegar, há algo que me surpreende pela positiva. Foi o caso do Dream Team – Equipa De Sonho, o talent show da RTP1 que apresentei este ano e que foi, sem dúvida, o meu maior desafio até hoje. A responsabilidade de conduzir um formato de prime time chegou-me com grande surpresa, mas ainda mais com grande felicidade.

Vestido Elie Saab, na LTD Edition; Brincos Julieta Joias

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Quem são as pessoas que mais te ajudam a manter os pés assentes na terra?

Era o meu pai, sempre. E ninguém substituirá esse papel. Ouço-o constantemente na minha mente e tenho a voz da razão gravada em todos os ensinamentos que tive a sorte de me serem transmitidos. A primeira e mais importante opinião era sempre a dele, seguirá a ser para o resto da minha vida.

Fazer televisão é um sonho realizado?

É um sonho que se concretizou por acaso. Foi na rádio que aprendi a comunicar e no estágio na Megahits que percebi que era o que queria fazer. Os sonhos surgiram depois da entrada neste mundo mágico. Nunca projetei grande coisa. Senti só, sempre, que iria fazer o que pudesse para agarrar as oportunidades de trabalho para continuar a pertencer e, consequentemente, ser feliz neste meio. Acredito que esta tranquilidade ajude na realização que sinto ao trabalhar em rádio e televisão.

Vestido Zimmermann, na Linda Mendes; Sandálias Jimmy Choo

©Carlos Teixeira

Há alguma causa social sobre a qual sintas que ainda se fala pouco em Portugal?

Começa a falar-se cada vez mais, mas faço questão de a gritar sempre que posso. Inclusão!

Já falaste várias vezes sobre o teu irmão e sobre a forma como a deficiência continua a ser alvo de preconceito e discriminação. Achas que Portugal é um país inclusivo?

Acho que não. Está a mudar e alegra-me sabê-lo. Mas ainda assim, há muito a fazer. A começar por reestruturações legislativas, maior atenção ao mercado de trabalho para as pessoas com deficiência e, na minha opinião, uma obrigatoriedade de mais e melhor educação pública. A começar por educar quem não tem uma deficiência. O maior problema identifico-o em quem discrimina; aí começa a (maior) barreira para a inclusão.

Vestido Alberta Ferretti; Joias Julieta Joias

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O que gostarias que as pessoas sentissem e não quer necessariamente dizer que tenha de estar quando te ouvem ou veem na rádio e televisão?

Gostava que se identificassem. Eu quero ser o mais real possível. Uma pessoa em constante aprendizagem e crescimento. Que trabalha para os seus objetivos e que pelo meio erra, mas que poucas vezes desiste. Eu adoro a proximidade com os outros que este trabalho me dá; acho que é o ponto que mais quero manter.

Como cuidas do teu bem-estar num meio tão exigente e, consequentemente, exposto?

Faço terapia regularmente, certifico-me de que as pessoas à minha volta me querem bem, preservo como a minha maior riqueza a minha família e as minhas amizades, faço questão de beber conhecimento do mundo à minha volta e vivo apaixonada pelos mais ínfimos pormenores. A beleza pode estar em tudo, basta que a consigamos ver. Adoro apaixonar-me pela vida e isso mantém-me estável e (insuportavelmente) positiva.

Top e saia Kaoa, Brincos Parfois

©Carlos Teixeira

Falando mais especificamente sobre a relação com a imagem, as tuas rotinas de beleza… O que é que mais te preocupa?

Percebemos na produção que para ti ter um cabelo saudável é importante. O cabelo até faz parte da minha personalidade, diria. Parece que me conhece e acompanha as minhas boas e más-disposições. Cuido dele com muito carinho porque sei também do impacto que ter um cabelo saudável tem no meu dia a dia, na minha confiança. Sem dúvida que um good hair day nos muda o espírito. Consigo sair de casa sem estar maquilhada, até com uma roupa descontraída, mas é curioso que o cabelo gosto sempre de sentir que está bem, arranjado, tenho só de me sentir confiante com ele.

Daí a tua ligação à Kérastase?

Sou uma verdadeira consumidora Kérastase e só por isso identifico-me e faz-me sentido. É porque sei que o produto que recomendo vai, garantidamente, trazer bons resultados a quem o experimentar.

Camisa e saia Cult Gaia, na D’Adélia; Colar Parfois; Óculos Prada, na Óptica Boavista

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Para preparação do teu cabelo para a capa, usaste alguma gama em particular?

A gama Genesis da Kérastase. Adoro o aroma e a forma como deixa o meu cabelo! Deixa o cabelo com um cheiro fresco e maravilhoso durante dias. Consigo senti-lo até dois dias pós-lavagem, e o cabelo fica mais forte. E também o Elixir Ultime, porque o brilho também é de frisar! Fico com o cabelo logo mais luminoso. Pronto para tudo.

Top e saia Farm Rio, na LTD Edition

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O cabelo tem sempre um papel importante na forma como expressamos a nossa identidade e impacto na forma como nos sentimos, mais ou menos confiante… Para esta produção da Saber Viver, como te sentiste ao ver o resultado final e de que forma contribuiu para a tua confiança durante a sessão?

Para esta capa, senti-me o mais confiante possível. Nas mãos da Helena Vaz Pereira, não há como não estar. Conhece o meu cabelo como ninguém e consegue domá-lo da forma que mais confortável me deixa. Além disso, e porque eu gosto que me desafiem também, é a pessoa que me faz mudar, arriscar nos penteados que faço e eu adoro experimentar coisas novas.

Nesta produção, fui penteada com produtos Kérastase e apostámos em looks arrojados que me fizeram sentir, cada um, personagens diferentes. Ainda assim senti-me eu em cada um deles. Acho isso mágico.

Créditos
Produção e styling: Bárbara Marinho
Fotografia: Carlos Teixeira
Cabelos: Helena Vaz Pereira com produtos Kérastase
Maquilhagem: Andreia de Almeida
Vídeo: Diogo Almeida assistido por Eliana Pinheiro
Retouch: Do Retouch
Agradecimentos: Aethos Ericeira

A versão original deste artigo foi publicada na revista Saber Viver nº 314, agosto de 2026.
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