
Problemas de audição nas crianças: os sinais a que os pais devem estar atentos
Não reagir a sons fortes, mexer com frequência nos ouvidos ou não se aperceber quando o chama são alguns dos sinais.
Ouvir bem é fundamental para qualquer pessoa, mas assume uma importância crítica nas crianças, que se encontram numa fase decisiva de desenvolvimento da fala. A perda auditiva pode prejudicar o seu desenvolvimento e aproveitamento escolar, sendo essencial que os pais estejam atentos aos sinais de alerta, de modo a intervir.
Existem alguns comportamentos que podem indicar a existência de um problema auditivo. Segundo a audiologista Célia Monteiro, se a criança não se assustar com sons fortes, não localizar a fonte do som, não parar ou começar a gritar, e mexer com frequência nos ouvidos, pode ser sinal de que algo não está bem. Nas crianças mais velhas, é ainda importante estar atento à falta de reação quando as chamam, à necessidade de colocar o volume do som mais alto, ao atraso no desenvolvimento da fala ou se pergunta muitas vezes «o quê?».
Desvalorizar estes sinais, achando que não passam de uma distração, é um erro que os pais não devem cometer. “As crianças aprendem a compensar a perda auditiva”, explica a audiologista. Por isso, assim que haja suspeita de uma eventual alteração auditiva, é importante realizar uma consulta de otorrinolaringologista e de exames de rastreio.
Quando a audição afeta a fala
Existe uma relação clínica entre audição e atraso na fala. Célia Monteiro explica que quando uma criança não ouve bem, não consegue receber “os estímulos necessários para conseguir reproduzir os sons de forma correta”.
Apesar de cada criança desenvolver-se ao seu ritmo, a audiologista afirma que existem alguns marcos de desenvolvimento que podem indicar se uma criança ainda não fala — ou fala pouco. Aos 6-12 meses, a criança palra e entende palavras simples, como «mamã» e «papá»; aos 12-18 meses, começa a formar palavras simples; e aos 2 anos já deve proferir frases simples e apresentar algum vocabulário. Aos 3-4 anos, utiliza palavras para exprimir necessidades, perguntas e sentimentos. Nesta fase, o vocabulário, a pronúncia e a compreensão melhoram significativamente.
O impacto na escola
O aproveitamento escolar é também afetado pela perda auditiva. Uma criança com falta de audição, segundo Célia, vai apresentar “dificuldade em distinguir os sons, levando a dificuldades em aprender a ler e a escrever e, consequentemente, a um atraso no desenvolvimento do vocabulário”.
Em contexto de sala de aula, os professores devem estar atentos — sendo, muitas vezes, os primeiros a identificar o problema. Dificuldades em seguir instruções, menor interação social, aumento da fadiga e dificuldades de aprendizagem são alguns sinais de alerta.
O rastreio
Todas as crianças devem fazer o RANU (Rastreio Auditivo Neonatal Universal) aquando do nascimento. Após esse momento, Célia afirma que, idealmente, devem ser feitos rastreios em idade pré-escolar: “Existem perdas ligeiras ou problemas associados a surdez de transmissão (cerúmen, otites), muito comuns nesta idade, que devem ser tratados de forma a não prejudicar o percurso escolar”, explica. E, também, dos dois aos três anos e até à entrada na escola primária.
6 medidas que ajudam na aprendizagem e interação
- Prestar atenção e compreender as necessidades específicas de cada criança;
- Estar informado para acompanhar a criança com perda auditiva;
- Proporcionar um ambiente auditivo silencioso;
- Olhar atentamente e de frente para a criança (permitindo o apoio da leitura labial);
- Repetir as instruções e incluir algum apoio visual, bem como dar mais tempo à criança para responder, facilitam a interação.
- No caso dos professores, combinar, quando necessário, o método de reabilitação auditiva (aparelhos auditivos, implantes cocleares) com uma forma de comunicação correta e um método de ensino ajustado (adaptar as atividades e o ritmo de aprendizagem, bem como apoio individualizado).