João Paulo Rodrigues
Júlia Palha:

Júlia Palha: “A vida não é sobre atingirmos a perfeição e estarmos sempre bem, isso é utópico.”

Entre elegância e introspeção, Júlia Palha constrói uma presença que inspira. Confiante, empática e determinada, transforma cada escolha, da moda à vida, numa forma de expressão autêntica e de empoderamento feminino.

Por Fev. 18. 1926

Há momentos na vida em que tudo se alinha: conquistas profissionais, decisões pessoais e a certeza de quem somos. Júlia Palha atravessa esta fase com confiança e determinação. Com personagens que desafiam, escolhas que afirmam limites e peças que comunicam personalidade, mostra como viver de forma consciente, intencional e inspiradora.

À Saber Viver, a atriz fala sobre cuidar da saúde mental, definir prioridades e usar a moda como extensão da sua identidade, um reflexo claro de quem é e do que a move.

Entrevista a Júlia Palha

Está a viver um momento de mudanças: um novo projeto em televisão e um casamento à porta. Como define esta fase da sua vida?

Tenho dito que estou numa fase muito feliz, a colher os frutos de muito trabalho, quer profissional, quer pessoal. Tenho alcançado sucesso, certezas, que nesta área são, sem dúvida, uma conquista, e muita realização.

Ao mesmo tempo, encontrei a pessoa certa para dividir a vida ao meu lado, que é também sinal de que aprendi a valorizar as coisas certas, a definir limites e a não aceitar menos do que aquilo que dou. Afinal, amar é dar e receber. Acredito muito no karma: o que damos ao universo, ele dá-nos em dobro.

Pode falar-nos desta sua nova personagem? Que desafio representa?

A minha personagem na nova novela da SIC, Páginas da Vida, uma adaptação da Globo, chama-se Olívia. Ela vive um casamento abusivo, lida com disputas como mãe, um amor proibido e o luto de pessoas próximas. O mais interessante para mim deste projeto é a multiplicidade de núcleos e realidades, refletindo alegrias, tristezas, segredos e mágoas, com tudo o que a vida tem de melhor e pior, mas sempre com verdade.

©João Paulo Rodrigues

Como equilibra autenticidade com expectativa pública?

Não mostrando demasiado. Acredito que podemos ser genuínos, sem as pessoas terem de conhecer todos os cantos da nossa casa, da nossa família, do nosso carácter e das nossas opiniões. Sou uma pessoa cheia de opiniões quando janto à mesa com os meus amigos, sobre a vida, sobre política, sobre economia, sobre as artes, sobre a Natureza, sobre a sociedade, mas não vejo necessidade, sinceramente, de vir expô-las nesta praça pública de ódio e amargura que se tornaram as redes sociais.

Como decide quando falar e quando recuar num tempo de opiniões instantâneas?

Prefiro sempre recuar. Numa terra onde todos têm algo para dizer, acredito que se aprende e cresce muito mais a ouvir. recuar. Numa terra onde todos têm algo para dizer, acredito que se aprende e cresce muito mais a ouvir.

©João Paulo Rodrigues

Fala-se muito de saúde mental, mas pouco da vulnerabilidade real. Há fragilidades que hoje consegue assumir com mais leveza?

Ainda estou a cuidar das minhas fragilidades. Acho que com o passar dos anos vão mudando também: há algumas que já não existem, há outras que ainda estão em processo de cura e, com toda a certeza, irei desenvolver algumas novas. A vida não é sobre atingirmos a perfeição e estarmos sempre bem, isso é utópico.

É sobre encontrarmos estratégias para lidar com as fases, dias ou momentos menos bons sem deixarmos que estes nos façam esquecer tudo o que de bom temos. Encontrar equilíbrio na balança das emoções pode não ser sempre fácil, mas a verdade é que se nunca chovesse, acabaríamos por não valorizar tanto o sol.

A moda entrou cedo na sua vida. O que a fascinava nesse universo quando começou como modelo?

A moda nunca me deslumbrou. Era mais o “vestir personagens” diferentes, em casa, no set, em cada sessão, que me divertia. Era muito nova e passou muito rápido. Hoje sei que estou muito mais confortável atrás duma câmara a interpretar uma personagem.

Quem ou o que é que a inspira quando pensa em imagem e estilo?

Marcas como a Louis Vuitton, clássica, atemporal, são o estilo com que mais me identifico. Gosto de tons escuros, sóbrios, coisas neutras mas com presença, gosto de um estilo citadino, confortável, mas sempre elegante. Também me identifico com Bruna Marquezine: elegante, jovem e sensual.

©João Paulo Rodrigues

Leia a entrevista na íntegra na edição deste mês, já nas bancas!

Créditos
Por: Liliana Pedro
Fotografia: João Paulo Rodrigues
Styling: Mafalda Mota Alves