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15 conselhos de quatro especialistas para um ano feliz

15 conselhos de quatro especialistas para um ano feliz

Deixar de viver em piloto automático, guardar tempo para si, ter uma participação comunitária, cuidar da sua saúde física e mental, afastar-se de pessoas tóxicas, passar mais tempo na Natureza e offline são algumas sugestões para que, no que depender de si, 2026 seja um bom ano.

Por Dez. 31. 2025

O cenário repete-se invariavelmente: com a chegada de um novo ano, é altura de fazer um balanço do que aconteceu e, sobretudo, começar a perspetivar o futuro. Entrevistámos quatro especialistas de diferentes áreas e reunimos os seus conselhos para que entre em 2026 com uma nova mentalidade. Bom ano!

Nicole LePera, psicóloga

Inspirada na sua luta pessoal contra a ansiedade, Nicole LePera, psicóloga holística e autora dos livros Cura-te (Albatroz), Tu és o Amor Que Procuras (Albatroz) e Conhece-te a Ti Próprio (Albatroz) defende a ideia de que criar um futuro melhor passa por deixar de viver em modo de piloto automático, por nos libertarmos de condicionamentos associados ao passado e por criar uma nova rotina.

Ouvir o corpo e a mente

“Somos seres holísticos, portanto a nossa mente está em constante comunicação com o nosso corpo e vice-versa, isto significa que temos de ouvir ambos em conjunto e nunca em separado. Precisamos de ensinar o corpo a ter novas experiências para que a nossa mente tenha paz. É saudável regular as emoções para sermos melhores.”

''Para tornar a mudança real é necessário fazer novas escolhas todos os dias, caso contrário o nosso subconsciente irá preferir continuar em modo de piloto automático'' - Nicole LePera, psicóloga

Deixar de viver em modo de piloto automático

“Muitos de nós não estamos a viver de modo consciente, vivemos em modo de piloto automático, de acordo com padrões que nos são transmitidos durante a infância e nos condicionam sem que nos apercebamos disso. A mente subconsciente molda o modo como vemos o mundo e é a origem da maioria dos nossos comportamentos. A solução é tornarmo-nos conscientes dos pensamentos e, se não estão a funcionar, temos de fazer escolhas, mesmo que nos criem desconforto e a nossa mente queira voltar ao que já conhece.”

Uma promessa pequena por dia

“A tão conhecida lista de dez ou mais desejos e objetivos para o novo ano é para esquecer. Em vez disso, implemente a prática diária de fazer uma pequena promessa que seja possível concretizar. Temos de criar uma nova rotina diária para conseguirmos mudar. O nosso subconsciente gosta do que é previsível, porque, dessa forma, sabe o que vai acontecer a seguir, mesmo que isso não nos sirva e nos esteja a bloquear. Pensar positivo e o poder de acreditar transforma vidas.”

Alexandra Vinagre, coach

“Perceber o que é realmente importante para cada um de nós, cuidar da nossa saúde física e mental e pensar em objetivos que apenas estão dependentes de nós próprios é o caminho para uma vida mais feliz”, assegura Alexandra Vinagre, coach e autora do livro Até Onde Quer chegar? Construa o Mindset que transformará a sua vida (Clube do Autor).

Projetar intenções

“Refletir sobre as intenções que temos para o ano novo. As intenções são mais do que os objetivos, são a forma como imaginamos o nosso ano, como queremos sentir-nos que emoções e experiências queremos viver, o que queremos aprender, como queremos cuidar das nossas relações. E é a partir destas que vamos traçar objetivos, que são o concretizar das nossas intenções. Quando pensamos só nos objetivos, normalmente, ficamos pelo caminho, em vez de mantermos o foco. Por exemplo, se a intenção for ter um hobby, tem de se procurar o que fazer.”

Ter 10 minutos para si

“É fundamental criar tempo para termos algumas rotinas ou rituais que nos permitam manter o foco e a paz interior. O journaling é um bom exemplo. Está mais do que provado cientificamente que escrever uma espécie de diário tem muitos benefícios do ponto de vista da criatividade, alívio do stresse, autoconhecimento e autoconsciência. Mas há outros exemplos, como manter um diário da gratidão, meditar, ler um livro, ouvir música ou até tomar um chá ou um copo de vinho. É importante criar um momento, ao início ou ao fim do dia, de dez minutos, para nos dedicarmos a algo que nos faça felizes.”

''Destralhar objetos faz bem, mas lembre-se que também é fundamental afastar-se de pessoas tóxicas que a rodeiam e mudar hábitos que são negativos'' - Alexandra Vinagre, coach

Cuidar da energia

“É importante manter-nos saudáveis, com energia e cuidar da saúde emocional e mental. Temos de ter tempo para descansar, dormir e alimentarmo-nos bem. É importante sair da rotina e criar escolhas nesse sentido. Hoje em dia, há vários retiros que ajudam nessa tarefa e não têm de ser espirituais; podem ser programas recreativos para aprender a pintar, fazer tapeçaria, entre outras atividades. Respondem à necessidade que temos de descomprimir e de nos conectarmos com os outros.”

Passar mais tempo na Natureza

“Existem inúmeros estudos científicos que comprovam a capacidade regeneradora que a Natureza tem e podemos aproveitar os momentos aí passados para estar offline. Mas também desligar mais cedo ao fim do dia e fazer com que olhar para o telemóvel não seja a primeira coisa que fazemos de manhã.”

Destralhar objetos e pessoas

“Organizar o nosso espaço é um bom princípio para o início do ano e isso passa por dar ou vender roupas, livros, móveis e tudo aquilo que não nos serve. Estamos, assim, a dar uma segunda vida aos objetos, o que faz reduzir o consumo de coisas novas. Mas quando falo em destralhar, incluo também o afastamento de hábitos que sabemos que não são bons para nós e de pessoas tóxicas. É importante criar limites e passar o menor tempo possível com essas pessoas, sejam relações pessoais ou profissionais.”

João Ferro Rodrigues, economista

Numa época da solidão como a que vivemos e que tanto prejudica a saúde, o economista João Ferro Rodrigues não tem dúvidas de que é necessário voltar à era do nós, título que deu ao seu livro, publicado pela Objetiva.

“Desde os anos 60 e 70 do século passado, vivemos num período de grande individualismo que começou na academia e que passava a mensagem de que melhorava o nosso bem-estar, mas a partir da crise de 2008, concluiu-se que não é bem assim. Mais uma vez, é na academia que se está a começar a valorizar o coletivo e, se for transportada para a cultura, daqui a uns anos teremos uma dimensão mais comunitária na sociedade. Como mostram a ciência e a biologia, o que fez a nossa espécie evoluir foi a nossa capacidade de nos organizarmos de forma coletiva”, realça.

Arranjar tempo para a dimensão social da vida

“Temos de arranjar espaço nas nossas vidas para a dimensão social, esta não pode ficar relegada para quando há tempo, senão, vamos ser infelizes. Temos de pensar no que podemos fazer a nível comunitário, como podemos dinamizar a vida associativa local, seja num clube de bairro, num partido político, num sindicato, numa igreja ou noutra qualquer estrutura onde possamos dar um contributo válido e onde sejamos valorizados. Se cada pessoa acrescentasse um item desses na sua lista do princípio do ano e o fizesse, havia um enorme salto qualitativo no bem-estar deste País.”

''Temos de pensar no que todos podemos fazer para mitigar a infelicidade gerada pela solidão e pela automatização da sociedade'' - João Ferro Rodrigues, economista

Interagir com os vizinhos

“O contacto que temos nas nossas rotinas diárias com as pessoas que vivem ao pé de nós também é importante. É altura de começarmos a perceber que precisamos das outras pessoas para sermos felizes e só isso mudará as decisões rotinadas que temos todos os dias. O que nos fará mais felizes: morar num condomínio ou num prédio que dá para a rua, o que nos levará a interagir mais com os outros? As pequenas interações do dia a dia fazem toda a diferença na nossa esfera social e fazem as pessoas sentirem-se menos sozinhas. A solidão está a contribuir para o crescimento do populismo.”

Mudanças políticas e sociais

“O movimento das pessoas não é suficiente, são precisas também políticas governamentais, sobretudo em três aspetos fundamentais: habitação, escolas e participação eleitoral a nível local. Se os bairros forem homogéneos socialmente, vamos continuar a viver em bolhas e isso não se traduz numa sociedade justa. Devia haver habitação a custos controlados em todos os prédios e em todos os bairros, deveria evitar-se a gentrificação dos bairros. Na educação, as escolas públicas têm de defender intransigentemente a diversidade, mas são cada vez mais o reflexo dos bairros, que, por serem muito estratificados, só têm alunos da mesma natureza socioeconómica. Por fim, os políticos devem incentivar a participação política das pessoas para que sintam, assim, estar a contribuir para a comunidade.”

Pedro Lôbo do Vale, médico de Medicina Geral e Familiar

Nos desejos para o novo ano, nunca falta o de ter saúde, até porque sem esta tudo se torna mais complicado. Pedro Lôbo do Vale, médico de Medicina Geral e Familiar, diz que “um plano alimentar completo, variado e equilibrado, assim como a prática de exercício regular são duas estratégias-chave para controlar o peso corporal e cuidar da saúde”, sem esquecer também a importância de reduzir os níveis de stresse e dos check-ups.

Manter-se ativo e praticar regularmente exercício físico

“Seja fisicamente ativo, procure realizar um total de 150 minutos de exercício físico por semana. É importante para manter a saúde cardiovascular e ajudar à manutenção de um peso adequado.”

''De acordo com a faixa etária, género, antecedentes familiares e história clínica atual, é importante realizar os exames e análises de rotina'' - Pedro Lôbo do Vale, médico de Medicina Geral e Familiar

Escolher a melhor dieta

“A dieta mediterrânica é considerada a mais saudável e a mais sustentável no mundo. Nesta dieta, dá-se preferência ao consumo de gordura de origem vegetal (como o azeite), peixe, vegetais, fruta e um reduzido consumo de açúcares simples e sal. Poderá ainda optar por suplementar o seu dia com um extra de nutrientes. Os suplementos alimentares fornecem nutrientes e/ou extratos de plantas e podem ser considerados úteis em determinadas situações. A escolha do suplemento alimentar mais adequado a cada caso deverá ter em conta fatores como idade, sexo, história clínica e alimentar.”

Realizar regularmente análises e exames de rotina

De acordo com a faixa etária, género, antecedentes familiares e história clínica atual, deverá realizar os exames e análises de rotina, de modo a avaliar parâmetros de saúde.

Reduzir o stresse no dia a dia

“O stresse e o aumento de cortisol podem comprometer o seu estado geral de saúde e até contribuir para o desequilíbrio do sistema imunitário. Arranje estratégias para controlar o stresse diário (como a prática de ioga, reflexologia ou shiatsu).

A versão original deste artigo foi publicada na revista Saber Viver nº259, janeiro de 2022.
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