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Esqueça aquela ideia de que os cruzeiros são para pessoas mais velhas e venha daí conhecer a nossa experiência nesta autêntica cidade flutuante. Saiba ainda quais são as viagens de cruzeiro que pode fazer no navio que experimentámos.

Ver Lisboa a partir do deck mais alto de um navio é, só por si, uma experiência fascinante. As colinas, o casario, os monumentos, os telhados, a ponte 25 de Abril… Imagens que fazem da capital portuguesa um cenário ímpar para o início da viagem a bordo do Monarch, o maior navio de cruzeiros da Pullmantur, dividido por dez decks e com tanto para fazer. Tempos mortos, aqui? Só se quiser muito!

Afinal, quais são as principais vantagens de viajar neste cruzeiro?

O Monarch tem capacidade para 2776 passageiros, instalados em 1193 camarotes de três categorias: interiores, exteriores e Suite & Deluxe, que vão dos 11 aos 62 metros quadrados e albergam entre uma a quatro pessoas. Não se assuste com o número de passageiros (ao qual se juntam 800 membros da tripulação, neste caso, composta por 40 nacionalidades diferentes), poucas, ou mesmo nenhuma, serão as ocasiões em que vai ter noção que há tanta gente dentro do navio.

O Monarch tem vários restaurantes e bares, uma área comercial, um teatro, um spa, um ginásio, teen e kids club. Tudo isto a uma curta distância de um passeio de elevadores ou de escadas. Se isto já é uma vantagem de passar férias num cruzeiro, então imagine a possibilidade de acordar todos os dias num destino diferente sem ter que andar a carregar a bagagem. Em quatro dias de viagem passamos por três cidades, saímos de Lisboa para acordar no dia seguinte em Vigo e, depois de um dia de navegação, chegámos a Bilbau, onde desembarcámos.

E dentro do navio, o que se faz?

A melhor forma de saber o que está acontecer é ter sempre consigo o diário de bordo, que costuma ser colocado na cabine no dia anterior.
Para os mais desportistas, há uma pista de jogging, uma parede de escalada (esta atividade é paga, 6,20€), um minicampo de basquetebol, duas piscinas, dois jacuzzi e um ginásio, onde há máquinas e, claro, aulas de tai-chi, Pilates, zumba, spinning e ioga (algumas delas são pagas, 6€). Durante o dia, no exterior ao pé das piscinas ou na discoteca, há ainda aulas de dança. Para os que gostam de menos agitação, estão programados vários quizzes, jogos de mesa, workshops de cocktails e até palestras sobre alimentação saudável. As crianças também não são esquecidas e há um sem número de atividades no clube infantil ou no Teen’s Club ao seu dispor. Inclui um salão de jogos (cada jogo é 1€) e até uma discoteca para os jovens. Se não vir os seus filhos durante todo o cruzeiro não se admire, vão andar muito entretidos.

Passemos agora aos momentos mais relaxantes. Poucas sensações do mundo serão melhor do que estar no meio do oceano sozinha a olhar para o horizonte (sim, isto possível mesmo num navio de cruzeiro). Procure e vai encontrar um cantinho para contemplar o mar, ser embalada pelo seu som e apanhar sol calmamente. O Spa del Mar é outro local onde pode relaxar, mas desta feita entregue às mãos das massagistas. O cardápio das massagens é vasto, desde tailandesa a envolvimento com algas, só para dar dois exemplos (o preço varia entre 47€ e 161€). No spa, há ainda um cabeleireiro e serviço de manicura e pedicure.

E em relação à gastronomia, há várias opções?

Na hora das refeições, todos os caminhos vão dar aos quatro restaurantes: O Buffet Panorama, cuja variedade de pratos é a sua mais-valia; o Auster e o Boreas, ambos restaurantes à la carte, com um menu feito por Paco Roncero, do restaurante espanhol Terraza del Casino, galardoado com duas estrelas Michelin; e até uma pizzaria, aberta toda a tarde. Um conselho: vá variando os restaurantes nas várias refeições do dia – assim pode provar de tudo.

A título de curiosidade, sabia que numa semana as cozinhas do Monarch gastam 20 mil ovos, 4100 litros de leite, 2200 quilos de carne de porco, 3800 quilos de frango, 7700 quilos de legumes frescos, 12100 quilos de fruta, 2500 quilos de batata, 1300 quilos de queijo, 1800 quilos de gelado, 750 quilos de macarrão, bem como 700 litros de azeite e 1600 litros de óleo.

Em exclusivo

O Monarch foi o primeiro navio da companhia espanhola a ter uma zona exclusiva, The Waves Yacht Club, à qual só têm acesso os hóspedes das suites ou quem comprar o serviço (acresce 200€ ao preço do cruzeiro). A decoração faz lembrar um clube de praia e inclui uma zona exterior com esplanada e camas na proa do navio. Este espaço tem sempre disponível um bufett que vai mudando ao longo do dia consoante as refeições em questão, cocktails, chá, cafés, e está quase sempre vazio.

A partir das 18h, a música toma conta do Monarch com várias atuações ao vivo nos vários bares do navio (Fragata, Salón Rendez-vous, Aire del Sur), mas o nosso preferido é o 360º, que, como o nome indica, tem a melhor vista de todo o navio e é todo envidraçado. Para quem gosta de desporto, a meta é outra, o Sports Bar, ao lado do Casino del Mar, onde são transmitidos todos os tipos de atividades desportivas. Outro local que não deve perder é o teatro Broadway, que todas as noites apresenta um espetáculo diferente que vale a pena ver. A discoteca Cyan é, invariavelmente, onde a noite do Monarch acaba. Para maiores de 18 anos, a discoteca tem animação com jogos e aulas de dança e um DJ para dançar até os pés lhe doerem.

Por onde é que esta viagem passou?

A Pullmantur organiza várias excursões nos vários portos onde atraca (poderá escolher entre visitas guiadas, exclusivas ou apenas transportes para os locais) ou poderá sair à sua sorte.

Santiago de Compostela

Quando saímos do porto de Vigo, em vez de ficarmos nesta cidade, fomos a Santiago de Compostela. O caminho até lá mostra as rias de Vigo rodeadas de vegetação e as pequenas aldeias instaladas nas suas margens. Em Santiago, entrámos na cidade pela porta de São Pedro, onde termina o caminho francês e ouvimos as fascinantes histórias da nossa guia com a qual imaginamos as muralhas que antes cercavam a cidade, perdemo-nos em ruas e ruelas de pedra até chegarmos à Catedral, onde cumprimos a tradição e abraçámos São Tiago. Não importa a crença ou a falta dela, o importante é o gesto. Reza a história que se o fizermos deixamos tudo de mau para trás e começamos uma vida nova.

Como chegar: O Porto de Vigo situa-se no centro da cidade, por isso, pode visitar a cidade a pé, mas se quiser ir a Santiago de Compostela já terá de ir em excursão organizada.

Bilbau

De passado industrial, hoje Bilbau é uma cidade moderna, que vive entre uma arquitetura moderna e arrojada, outra mais tradicional a lembrar outros tempos e os grafites que enfeitam alguns dos edifícios. O seu ex-líbris é o Museu Guggenheim, desenhado pelo arquiteto americano Frank Ghery. O edifício é por si só uma obra de arte de forma ondulante e com milhares de placas de titânio que o vão tingindo de várias cores consoante o sol ou falta dele. A coleção permanente do museu está exposta dentro e fora de portas, por isso, não se admire se perder conta ao tempo ainda na rua (imagine lá dentro), onde estão colocadas sete obras de arte, cinco delas sempre visíveis, a saber: Puppy, de Yves Klein, Tulipanes, de Jeff Koons, aranha Mamá, de Louise Bourgeois, Arcos Rojos, da ponte que ladeia o museu de Daniel Buren, El Gran Árbol e El Ojo, de Anish de Kapoor; e duas apenas visíveis algumas horas do dia ou da noite, a Fuente de Fuego, de Yves Klein e a Escultura de Niebla, de Fujiko Nakaya.

Como chegar: O Porto de Bilbau está localizado em Getxo, uma área balnear a 20 minutos de autocarro do centro da cidade. Pode ir em excursão organizada ou nos transportes da cidade.

A seguir, fique não só a conhecer o navio Monarch, bem como os sítios que visitámos no decorrer da viagem.

cruzeiro

Monarch atracado no cais de Santa Apolónia, em Lisboa

 

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