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“O Método da Mafalda” baseia-se em sete princípios – um para cada dia da semana. “E os sete princípios funcionam também na forma como vivemos a nossa vida: no trabalho, na família. As mulheres ganham consciência e questionam-se”, afirma a autora, Mafalda Sá da Bandeira. Fomos conhecê-lo melhor.

Mafalda Sá da Bandeira criou um método só seu a que deu o nome O Método da Mafalda e que se transformou agora num livro. Um conceito único e exclusivo que ganha vida no MSBStudio. Concebidas para trabalharem o corpo todo, com grande foco na componente artística e da criatividade, as aulas que tem vindo a desenvolver e que unem a dança e o pilates, são pensadas só para mulheres. Neste espaço, e em diversas modalidades, aprendem a ter consciência do seu corpo, têm um espaço só seu e dão largas à imaginação, numa sala onde reinam as melodias, a dança e a graciosidade feminina.

Foi a observar as suas alunas que o seu método, descrito ao pormenor no livro que acaba de lançar, ganhou forma. É constituído por sete princípios chave, que dependem uns dos outros e que acabam por ser, na sua opinião, essenciais também na vida, fora das suas aulas. São eles: a concentração, a respiração, a consciência, a postura, a força, a flexibilidade e a energia. Além da sua história e da explicação pormenorizada do método, há ainda um guia completo com exercícios, que servem para aplicar os sete princípios, nos sete dias da semana.

A Saber Viver esteve à conversa com a autora e professora de dança. Falámos sobre a sua inspiração, sobre o seu método, sobre a importância da arte e criatividade e sobre o impacto que as alunas têm na sua vida.

 

Este método inclui sete princípios que se ligam e que devem ser trabalhados em conjunto – porque dependem uns dos outros. A aplicação do seu método não é suposto ser uma experiência de curta duração…
Não. É um trabalho prático diário. É como lavar os dentes. Como qualquer outra rotina obrigatória do nosso dia. Quanto menos se faz, mais custa. E quanto mais implementamos estas rotinas nos nossos hábitos, menos custa e mais natural se torna. Passam a fazer parte de nós.

À componente da energia, da flexibilidade e da força – que estamos habituados a associar à dança e à atividade física, no geral – juntou a concentração e respiração. Porquê?
Eu também sou formada em pilates. Foi com essa formação que eu tomei consciência de tudo. E também aprendi muito com o facto de ter muitas alunas [agora são cerca de 200]. Olho para elas, consigo fazer-lhes um raio X e vejo-as por dentro: a lombar, a cervical, as pernas, tudo. Numa sala com 30 mulheres, ia reparando em muitos pormenores. E ia vendo: ‘aquela está a fazer o exercício completamente inconsciente; a outra faz bem, mas não está concentrada; uma diz que não consegue porque não é flexível; a outra está sem energia’. Foi assim que comecei a juntar e a notar que estes eram os princípios essenciais.

É também por isto que quero que elas conheçam o corpo delas e que percebam aquilo que sentem. Passo-lhes muitos conhecimentos anatómicos para terem consciência daquilo que se passa no nosso corpo. Eu quero que as minhas aulas sejam sentidas pelas alunas. Tem sido uma descoberta muito grande na minha vida. Tenho paixão pelo que faço. E elas dão-me muita força porque quando tenho pessoas que não passam sem as aulas, fico muito motivada e com vontade de fazer mais e melhor.Há um magnetismo que me faz sempre querer aprofundar mais. Estou sempre a pensar em coisas novas.

Que resultados é que estão associados ao seu método?
Afeta o nosso corpo todo, por dentro e por fora. Em termos mentais e psicológicos, acho que o grande benefício é o facto da pessoa estar focada e longe dos problemas. E eu digo-lhes sempre: “A partir do momento em que entram na sala, foquem-se no que estão a fazer, estejam aqui dentro”. E os sete princípios funcionam também na forma como vivemos a nossa vida: no trabalho, na família. As mulheres ganham consciência e questionam-se. Quando saímos das aulas elas brincam e dizem aquilo que lhes falta: “a mim falta-me consciência; a mim falta-me flexibilidade; a mim hoje falta-me energia”. Acabam por pensar nelas próprias, sem se aperceberem. Fisicamente, influencia o corpo todo. O core é o motor para tudo, mas também trabalho muito pernas, abdominais, costas, braços. É muito completo. Dou ênfase ao corpo todo e acabo por segmentar as aulas por zonas diferentes.

Só dá aulas para mulheres. Porquê?
Acho que fisicamente os homens e as mulheres são muito diferentes: os homens são menos flexíveis e têm mais força; as mulheres têm movimentos mais femininos e graciosos. Acho que o exercício físico, estilo fitness, é muito standart e pouco belo. Tudo o que é fitness não me diz nada. Fujo disso como diabo da cruz. Eu gosto da parte estética. Gosta de uma sala em sintonia e acho que a mulher precisa muito, sobretudo a partir de certa idade, de atenção para ela própria. Acho que é um tempo precioso para a aluna. E tem graça porque elas evoluem imenso na parte sensual e feminina. Mesmo a linguagem é diferente.

As minhas próprias aulas são muito femininas. Os homens que experimenta acabam por não gostar. Até brincavam comigo e diziam que quando aparecia alguém do sexo masculino eu tornava tudo ainda mais feminino para eles fugirem.

Formou-se em ballet. Como é que foi o caminho até chegar a este método e a estas aulas?
Primeiro dei aulas de dança, depois mais de fitness, mas sempre com base no ballet. As pessoas gostam. Eu ponho dança em todo o movimento, ponho o lado feminino, a graciosidade. No fitness é tudo muito quadrado e as minhas aulas têm muita melodia, muito improviso e movimentos dançados. Apesar de alguns exercícios serem comuns há dança e ao fitness, eu tento sempre dar-lhes um toque diferente. Dou-lhes sempre uma gracinha.

Como é o processo criativo para criar as coreografias?
Selecciono a música e inspiro-me em cada aula que faço. Deixo-me ir pela minha alma. Estou sempre a criar. Quero inventar e criar. Muitas vezes, mesmo depois das aulas, chego a casa e em vez de descansar dou por mim e já estou a ouvir música e a inventar coisas novas. Toda a vida aprendi tudo sobre o mundo da dança e dos bailados, desde muito pequenina. Os meus pais iam em viagens e traziam-me discos, que e eu via 50 vezes, mesmo de seguida. Também estou atenta a tudo o que acontece – até ao que é péssimo e mau porque aprendo para fazer melhor. Mas, como no ballet, gosto de rigor em tudo: nos movimentos, na harmonia, na forma como as alunas se apresentam na sala. Na apresentação do meu livro, a (atriz) Sofia Sá da Bandeira disse: “A Mafalda podia ser uma professora de ballet russo porque tem de ser tudo a rigor.” Achei imensa piada.

 

O que é que achou do método de Mafalda Sá da Bandeira? Quer experimentar?

 

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