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A redação online da Saber Viver deixou de comer açúcar durante 15 dias. Revelamos agora como correu o desafio. Mais penoso para umas do que para outras, pusemos à prova a nossa resistência aos alimentos processados. Quer saber como correu?

No dia 16 de outubro, dia Mundial da Alimentação, há quase um mês, os quatro membros da equipa de online da Saber Viver (todas mulheres e gulosas) assumiram o compromisso de durante, pelo menos, 15 dias não comer açúcar. E tentaram cumpri-lo à risca. Umas mais do que outras.

Hoje, dia Europeu da Alimentação e Cozinha Saudáveis, revelamos o que se passou nesses dias.

Começámos por criar um diário onde escrevíamos todos os dias as nossas refeições. Acima de tudo, foi importante fazer o desafio em grupo. Trocámos angústias, pedimos conselhos, criámos um grupo no messenger do Facebook para desabafos… Esforçámo-nos à séria para não comer alimentos com açúcar adicionado. Em suma, aprendemos muito sobre nós, sobre os nossos limites, sobre as nossas escolhas. E revelamos tudo já de seguida, uma a uma, sem censura e de coração aberto.

Deixámos de comer açúcar durante 15 dias

Catarina Pereira, web designer

Senti-me bem durante todo o processo e encarei o desafio como uma prova em que iria conseguir resistir ao que estava habituada.

Pela primeira vez na minha vida tive a restrição como lema no meu dia a dia. E também foi a primeira vez na vida que resisti dois dias seguidos a batatas fritas (de pacote). Fiquei orgulhosa!!

Comi bem, trouxe snacks saudáveis para o trabalho, fiz salame de cacau cru. Sempre que tinha vontade de um doce comia uma tâmara ou um figo seco – ia enganando o cérebro assim.

Mas também comi mal. Falhei sempre ao fim de semana.

Falhei porque estou noiva e as minhas amigas fizeram-me uma surpresa – não ia dizer que não a umas cervejas frescas e batatas fritas.

Falhei também porque tive um jantar de família. Bebi vinho tinto e no final fomos comer um gelado – não quis resistir.

Uma das coisas que reparei foi que, sempre que estava numa fase de mais trabalho, o stresse aumentava e só pensava em comer um chocolate, umas batatas fritas ou algo doce que acalmasse aquela ansiedade e cansaço.

A minha maior dificuldade foi comer em restaurantes, principalmente os dos centros comerciais, onde só queremos almoçar rápido. Tentei sempre escolher a opção mais saudável. E se no molho pesto ou no molho da salada (vinagrete) que comi puseram açúcar (para regular a acidez ou por métodos de conservação)? Como vou saber?

No geral, correu bem. Falhei dois dias, mas correu bem!

Quando é o próximo desafio?!! :))

 

 

 
dieta do açúcar

Panquecas de aveia e cacau.

Diário 0% de açúcar

Pequeno-almoço: papas de espelta com laranja, puré de maçã, lascas de coco e sementes variadas + café.

Meio da manhã: 1 banana + frutos secos (comi mais de 10).

Almoço: sopa de vegetais inteiros + omelete + um bocadinho de queijo fresco.

Lanche: 2 figos secos + 2 bolachas marinheiras.

Lanche tardio: 1 torrada.

Jantar: guacamole + queijo fresco com duas tostas.

 

 

 

Ana Bernardino, jornalista online

Começo já por admitir: portei-me mal. Fiz batota. Cedi à tentação. Fui a loser da equipa. E fui castigada, subtilmente humilhada em praça pública, nas stories de Instagram da Saber Viver.

Não me entendam mal. Não escondi pacotes de bolachas de baixo da cama. Não comi gomas com as luzes do quarto apagadas, quando ninguém estava a olhar. Não começava a consumir açúcar de forma desenfreada assim que as minhas colegas viravam costas – soou a suspeito, eu sei, mas prometo que não estou a utilizar nenhum tipo de sarcasmo. Na verdade, durante a semana, foi fácil manter o compromisso, até porque, olhando para os meus hábitos anteriores, conclui que consumo poucos produtos com açúcar adicionado. Portanto, nos dias normais, os snacks fizeram-se de fruta, frutos secos, tostas integrais. Os almoços de saladas de abacate, salmão, grão, ou uma fonte de proteína com legumes. Ao jantar, quase sempre sopa, com ovos mexidos, quinoa e saladas variadas.

Agora, vamos falar do fim de semana. Três palavras resumem bem o cenário alimentar destes dias: uma desgraça completa. Não me julguem. O mês foi feito de festas de anos, dos deliciosos jantares de família ao domingo e dos jantares de amigos com tudo aquilo que faz mal e sabe bem. Ainda que, em quantidades pequenas, não consegui resistir e, admito, também não me esforcei muito por isso. Sempre que fiz batota, fi-lo de forma consciente. Sempre que comi uma garfada de bolo de anos sabia que estava a dar uma facada no prometido. Sempre que bebi uma cerveja ou um copo de vinho, também. Sabia que a minha barriga ia automaticamente inchar (isto acontece mesmo) e que ia ficar com fome pouco tempo depois. Também sabia que na segunda-feira ou no dia seguinte, voltava ao registo normal, saudável, sem açúcar ou processados.  Não dramatizei. Segui em frente

E acho que esta é, na realidade, a lição mais valiosa que guardo desta experiência: em qualquer dieta, o essencial é o equilíbrio e a consciência daquilo que estamos a consumir. Perceber o que acontece ao nosso corpo, sentir (e escutar) os nossos órgãos e não desistir à mínima falha. Manter uma dieta equilibrada não requer fundamentalismos e cortes totais. Requer sim, bom senso, razoabilidade, sensatez e discernimento.

Não são desculpas. É a mais pura das verdades!

(emoji maroto)

 

 

 
dieta do açúcar

salada de atum com abacate, tomate e sementes de girassol,

Diário 0% de açúcar

Pequeno-almoço: uma banana com um rolinho de queijo com fiambre de peru+ café.

Meio da manhã: maçã.

Almoço: arroz branco com carne assada.

Lanche: bolachas de milho.

Jantar: sopa de alho francês e coentros com ovo mexido e salada de tomate.

 

 

 

Joana Brito, editora online

Estive 20 dias sem tocar num alimento processado que incluísse açúcar. E, acreditem, os primeiros não foram fáceis. Estou a exagerar – por acaso, até achei que podia ser bem pior. Foi só difícil. Mais ainda porque os supermercados são um antro de maus hábitos. Fiz compras nos corredores de legumes e fruta, de leguminosas enlatadas (ou enfrascadas), de alguns alimentos congelados e de produtos dietéticos. Fora isso, fechei os olhos – e a boca. Simples.

Optei por uma alimentação não muito diversificada. Ao pequeno-almoço, continuei a comer torradas de pão integral com sementes – com manteiga e frias. Escolhi como base das minhas refeições o arroz integral, o bulgur, o couscous integral ou a quinoa. O acompanhamento incluía grão e batata doce ou abóbora. E o segredo estava nos temperos e extras: cebola roxa picada, coentros, molho de soja, óleo de sésamo tostado e sementes de sésamo torradas. Mas, de vez em quando, ao jantar, o queijo parmesão era sempre uma alegria extra no prato.

Nunca extrapolei muito. Entre as refeições comi fruta – banana, maçã ou pera – e alguns frutos secos. À noite, antes o meu horário da desgraça, levava sempre chá para a cama e petiscava maçã desidratada ou sementes de girassol torradas.

E pronto. Sobrevivi. Apenas sofri um precalço a 1 de novembro – uma paragem de digestão que me deixou K.O. durante quase uma semana. A juntar a isto, a frase ‘há males que vêm por bem’, fez sentido na minha vida: pelo menos, até ao dia em que publicamos este artigo, ainda não toquei num cigarro (hooray para mim!).

A minha pele está menos reativa, mais luminosa e homogénea. Talvez tenha perdido algum peso – mais pelos dias que passei mal – e desinchei.

O meu objetivo inicial era fazer um mês sem açúcar. Consegui apenas 20 dias, porque num jantar de família não resisti à mousse de chocolate da minha mãe. Mas vou continuar a resistir às bolachas e chocolates que antes devorava sem perdão. Agora, só quando rei faz anos, quase literalmente, em festas de família e amigos. Mas o vinho tinto ao jantar, esse, não deixo. Sim, porque todos os dias são de festa enquanto me propuser a desafios que sei que consigo suplantar.

 

 

 
Deixámos de comer açúcar durante 15 dias

Couscous integral com grão, cebola roxa e abóbora hokaido assada.

Diário 0% de açúcar

Pequeno-almoço tardio: bulgur com sementes de sésamo torradas,temperado com óleo de sésamo torrado.

Chá verde ao longo do dia.

Almoço: bulgur com pedaços de abóbora, batata doce e lentilhas, temperado com sementes de sésamo torradas e cominhos em grão (igual ao jantar de véspera). Uma maçã.

Lanche: queijo quark e uma banana.

Jantar: arroz integral, lentilhas, peixe cozido e abóbora.

1 copo de vinho tinto.

Snack: sementes de girassol tostadas.

 

 

 

Marta Chaves, jornalista online

Há um episódio de Family Guy em que Peter Griffin mostra que tem uma menina tímida a viver dentro de si. Não tenho uma menina tímida, mas tenho um pequeno monstro que pede por pizas, pipocas e todas aquelas coisas maléficas que nos fazem babar só de pensar nelas. Durante duas semanas, este pobre coitado esteve à beira da morte. Se bem que, ao fim de semana, lá lhe dava uma caixa de sushi para o entreter. Mas o malvado pedia sempre mais.

A primeira vez que fui ao supermercado, antes de começar a semana, foi um choque. Mesmo na zona dos alimentos dietéticos tive dificuldade em encontrar bolachas ou cereais que não tivessem açúcar. O mesmo aconteceu nos iogurtes. E com o pão, então, nem se fala. Durante as duas semanas não senti qualquer necessidade de comer doces ou processados, mas sei perfeitamente que se tivesse continuado mais tempo iria custar-me – sobretudo por não poder comer piza.

Deparei-me com vários pequenos-almoços apetitosos durante este tempo. Cheguei a ir a um evento onde vi umas pequeninas bolas de queijo. Peguei numa e pus na boca. Uma outra jornalista que sabia do desafio disse-me: “Então, mas isso tem açúcar. Não podes comer isso”. Na minha cabeça, respondi: “Já obtive essa informação. Obrigada”. Mas, na realidade, fui ainda mais absurda e disse: “Oh, não tem nada. De certeza que não”. Que linda resposta, fantástica. Realmente, fingir que algo não aconteceu vai resolver tudo.

Quando cheguei ao segundo fim de semana, a coisa descambou. A minha mãe fez anos e comprei alguns bolos para a sobremesa, pois ela não é menina de bolos de aniversário e de cantar os parabéns. Tentei resistir, a sério que sim. Assim que pus a primeira garfada na boca percebi o quanto sentia a falta de um doce. Depois disso, meu Deus, não consegui parar. O monstro acordou e só não comi os bolos todos por vergonha.

Deixar o açúcar é ainda mais difícil do que não entrar na Zara quando se vai a um centro comercial. A diferença é que deixar de comer açúcar faz bem à saúde, deixar de ir à Zara faz bem à carteira. Eu sei bem qual é que prefiro.

 

 

 
Deixámos de comer açúcar durante 15 dias

Quinoa com soja, ervilhas, alho francês e feijão verde.

Diário 0% de açúcar

Pequeno-almoço: Torradas com manteiga.

Meio da manhã: chá verde e bolachas de milho.

Almoço: arroz branco com frango desfiado, courgette, cenoura e alho francês.

Duas fatias de melão.

Lanche: iogurte natural com flocos de milho.

Jantar: frango guisado com esparguete.

 

 

 

Se nós conseguimos também vai conseguir. Foram só 15 dias, mas chegou para perceber a diferença.

 

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