
Menopausa: e agora, o que visto?
A propósito do Dia Mundial da Menopausa, assinalado a 18 de outubro, Liliana Correia fala sobre uma aliada muitas vezes esquecida nesta fase da vida: a roupa.
Vestir, mais do que uma questão de estilo, pode ser também uma forma simples de ganhar conforto e acompanhar as mudanças do corpo sem abdicar daquilo que nos faz sentir bem.
A menopausa faz parte da vida de muitas mulheres, mas continua a ser um tema pouco abordado. Uma fase que traz alterações no corpo e na forma como as mulheres se percecionam, para Liliana Correia, criadora do LC Fashion Consultancy e curadora do Resale Gallery, “a roupa deve assumir o papel de aliada e não trazer mais insegurança e desconforto”.
Ao longo do seu percurso profissional, a consultora de moda tem acompanhado mulheres que estão a passar pela menopausa e outras que já a atravessaram: “Já ouvi relatos de experiências muito diferentes. Algumas lidam com afrontamentos e transpiração; outras sentem alterações no corpo, na pele, no sono ou no humor, entre outras”, conta. Os sintomas não são os mesmos, mas Liliana revela que há uma coincidência: “todas procuram sentir-se confortáveis e neste quesito a roupa pode ser uma grande aliada”.
Embora todas as experiências sejam únicas, algumas peças, perante tantas mudanças, deixam de ser tão confortáveis, como peças apertadas, tecidos duros e pesados, cinturas muito rígidas e marcadas, tecidos que picam e calçado apertado e muito alto.
Vestir por camadas
Uma camisola fina com uma t-shirt básica de algodão por baixo; uma camisa usada aberta com um top ou uma t-shirt; um casaco leve com uma camisa fluída são peças fáceis de gerir quando a temperatura do corpo muda. “Esta é uma das principais dicas que transmito às minhas clientes, passando a sugerir-lhe muitos mais looks criados com camadas, para facilitar as variações de temperatura”, explica a consultora.
Os tecidos devem ser escolhidos com atenção
Algodão e linho (para as mulheres a quem o linho não pique ou provoque uma sensação de desconforto na pele), são opções a priorizar, sobretudo, nas peças usadas junto à pele.
O corte e tamanho fazem a diferença
Nesta fase, Liliana acha ainda importante que se evite usar peças de tamanhos muito justos ou cortes demasiado slim. “Ao longo do dia, o corpo oscila, começamos a sentir-nos mais inchadas ou pesadas, por isso, torna-se ainda mais importante escolher opções de peças que deem margem para suportar essas oscilações”, explica.
Os detalhes contam muito. Opte por trocar uma camisola de gola alta, ou um lenço ao pescoço, por um decote mais aberto. Se tende a transpirar demasiado, o uso de peças com padrões ou cores mais escuras pode disfarçar as marcas.
O mesmo se aplica ao calçado. Para quem sente desconforto ou procura mais estabilidade, pode ser útil escolher sapatos que apoiem bem o pé e sejam adequados à rotina. “A altura do salto deve depender do conforto e da preferência de cada mulher”, explica.
Avalie o seu armário
No dia a dia, pode começar por observar o que já existe no armário: que peças continuam a servir bem, quais causam desconforto e que ajustes ou combinações poderiam torná-las mais úteis. “Nem sempre é necessário comprar peças específicas para esta fase, mas sim olhar para o que já se tem e criar novas combinações adaptadas à nova fase”, aconselha Liliana.
Os afrontamentos e outros sintomas podem afetar o quotidiano de formas diferentes. A roupa pode contribuir para o conforto, mas, quando os sintomas preocupam ou interferem com a vida diária, é importante procurar aconselhamento de um profissional de saúde.