
Afinal, devemos (ou não) beber leite na idade adulta?
Presente nas nossas rotinas alimentares, o leite tem sido, ao longo dos anos, alvo de algumas dúvidas e mitos. Mas será que os adultos o devem deixar de lado? A Saber Viver falou com Núria Nunes, nutricionista.
À medida que evoluímos, os hábitos alimentares têm mudado. Surgem novas tendências e a informação, muitas vezes pouco fundamentada, afasta-nos de certos alimentos que outrora faziam parte das nossas rotinas. O leite é um desses alimentos.
“Não diria que deixámos de consumir leite de forma generalizada, mas é verdade que os hábitos alimentares têm vindo a mudar”, começa por explicar Núria Nunes, nutricionista. Se, por um lado, existe hoje uma maior diversidade de opções alimentares, incluindo bebidas vegetais, por outro, “algumas pessoas optaram por reduzir ou excluir o leite devido a preferências pessoais, preocupações ambientais, questões éticas, sintomas digestivos ou à perceção de que o leite não é necessário na idade adulta”, conclui.
Existe também alguma desinformação, “nomeadamente a ideia de que o leite é um alimento exclusivamente destinado às crianças ou de que provoca necessariamente inflamação”, explica.
O importante, segundo a nutricionista, é que, quando tomamos uma decisão, esta seja baseada em informação credível e nas necessidades individuais, e não apenas em tendências alimentares.
Somos demasiado velhas para beber leite?
Núria Nunes explica que não. “O leite pode perfeitamente fazer parte de uma alimentação saudável na idade adulta”, começa por dizer a nutricionista. Um alimento “nutricionalmente interessante”, contribui para o organismo com “proteína de elevado valor biológico, cálcio e outros micronutrientes”.
Não obstante, Núria ressalva que nenhum alimento é, por si só, indispensável. O essencial é que cada pessoa garanta uma alimentação equilibrada que permita satisfazer as suas necessidades nutricionais.
Quatro benefícios do leite
- Um dos principais benefícios nutricionais do leite é a sua composição;
- É uma fonte de proteína de elevada qualidade, que contribui para a manutenção da massa muscular, e de cálcio, essencial para a manutenção de ossos e dentes saudáveis;
- Fornece ainda outros nutrientes, como fósforo, vitamina B12 e riboflavina (vitamina B2), importantes para diferentes funções do organismo;
- É um alimento bastante versátil e fácil de integrar na rotina alimentar, seja ao pequeno-almoço, nos lanches ou na preparação de diferentes refeições.
A dose recomendada
Segundo a Roda dos Alimentos portuguesa, no contexto de uma alimentação equilibrada, recomenda-se, de forma geral, o consumo de duas a três porções diárias de leite e derivados.
Esta porção corresponde, como nos explica Núria, a, por exemplo, um copo de leite de 250 ml, um iogurte líquido de 200 ml, dois iogurtes sólidos de 125 g cada ou cerca de 40 g de queijo curado.
No dia a dia, estas porções podem ser distribuídas entre leite, iogurtes e queijo, de acordo com as preferências, tolerância e necessidades nutricionais de cada pessoa. E, mais do que estabelecer uma quantidade obrigatória de leite, “importa garantir um aporte adequado dos nutrientes que este grupo alimentar fornece, nomeadamente cálcio e proteína”.
Quatro mitos sobre o leite
- Os adultos não devem consumir leite. Este é um dos mitos mais frequentes. Na realidade, não existe uma idade a partir da qual o leite deixe de poder integrar uma alimentação saudável.
- O leite provoca inflamação. “A evidência científica disponível não sustenta essa afirmação de forma generalizada em pessoas saudáveis”, explica a nutricionista. É importante distinguir situações clínicas específicas, como a alergia às proteínas do leite de vaca.
- O leite sem lactose é automaticamente mais saudável. “Não é verdade”, diz Núria. A ausência de lactose é particularmente útil para pessoas com dificuldade em digerir este açúcar, mas não representa uma vantagem obrigatória para quem o tolera bem.
- Todas as bebidas vegetais são nutricionalmente equivalentes ao leite. Segundo a nutricionista, a composição destas bebidas varia bastante, especialmente no teor de proteína, cálcio e vitaminas, pelo que a escolha deve ser informada.