Sociedade

Editorial de maio: O coração no sítio certo!

As palavras da diretora da Saber Viver na edição de maio da revista.

Untitled-7 Untitled-7 Untitled-7
Editorial de maio: O coração no sítio certo! Editorial de maio: O coração no sítio certo!
© Shutterstock
Tânia Alexandre
Escrito por
Abr. 27, 2021

Somos sempre um pouco dos nossos pais. Tudo o que vivemos molda a nossa personalidade e a forma de ver a vida, mas os valores, as ações, os exemplos que os nossos pais nos deixam têm um peso enorme naquilo que queremos ser ou fazer nas várias etapas da nossa vida. E é por isso que a maternidade é algo tão belo quanto assustador.

Educar os nossos filhos é talvez o maior desafio das nossas vidas! Por mais livros e cursos de preparação, ninguém nos ensina a ser mãe.

Considero-me uma mãe descontraída, que não sofre por antecipação, mas confesso que há dias em que, a par da enorme gratidão pela sorte de ter duas filhas saudáveis e que dão sentido à minha vida, está um enorme receio de falhar, quando penso que estas versões ‘minime’ são da minha responsabilidade, que sou eu – claro que o pai de igual modo! – quem tem de assegurar que continuem saudáveis, felizes e que, no futuro, se tornem mulheres com algo para dizer, mulheres com valores.

Terei de aprender a lidar (como muitas de vós) com a ideia de que os filhos não são nossos, são do mundo

Quando era pequena, ouvi muitas vezes a frase “És igual à tua mãe”. Hoje continuo a ouvi-la, mas agora também dirigida às minhas filhas. A mais nova, pelas semelhanças físicas, a mais velha, não só por isso, mas porque se parece muito comigo na maneira de estar, de sentir e de se relacionar com os outros.

Hoje, sou eu a mãe, o modelo de referência para elas e, por isso, sinto uma pressão diferente quando escuto a tal frase. Fico orgulhosa, claro! Acho justo, afinal eu é que as carreguei nove meses na barriga, não foi o pai (risos).

Por outro lado, acresce a responsabilidade. Espero que sejam diferentes, muito melhores pessoas, mas que, se continuarem a ouvir a frase pela vida fora, que também gostem de ser como a mãe. Porque, se o sentirem, significa que talvez eu esteja a fazer um bom trabalho. Afinal, nós admiramos quem amamos!

Por enquanto, as minhas miúdas ainda estão debaixo de asa. Ainda olham para mim com aqueles dois olhinhos inocentes, de admiração, como se eu tivesse resposta para tudo ou como se o meu colo resolvesse todos os males.

Mas elas vão crescer e, mais cedo ou mais tarde, lá terei de aprender a lidar (como muitas de vós) com a ideia de que os filhos não são nossos, são do mundo. E de não cair no erro de querer que elas vivam os meus sonhos ou de achar que saberei sempre o que é melhor para elas sem as deixar perceber por elas próprias o que é de facto melhor.

O que pode encontrar nas páginas da Saber Viver de maio (nas bancas)

É inevitável não sonharmos com um futuro promissor para os nossos filhos. Mas, hoje, só espero conseguir passar o mais importante, que, independentemente da profissão que escolham e do caminho que optem por percorrer, sejam boas pessoas e tenham o coração no sítio certo!

Que eu consiga dar-lhes a ferramenta mais importante para as suas vidas: a capacidade de amar. Que saibam amar-se a elas próprias e que saibam que o amor é o melhor que podem dar aos outros.

P.S.: Escrevo esta nota mais pessoal no mês do Dia da Mãe, com a certeza de que este compromisso com a educação nos torna mulheres mais fortes. Permitam-me, por isso, enviar um beijo especial para todas as Mães e uma mensagem para a minha: Mãe, o teu colo continua a ser o meu porto seguro. Obrigada por tudo o que fazes e fizeste por mim.

A edição de maio da Saber Viver já está nas bancas, num local perto de si.

Últimos