Sociedade

Editorial de abril: Abbracciame

As palavras da diretora da Saber Viver sobre o difícil momento que vivemos.

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Editorial de abril: Abbracciame
© Getty Images
Tânia Alexandre
Escrito por
Mar. 25, 2020

Este mês tinha pensado escrever este editorial sobre sustentabilidade, o tema em destaque desta edição. Mas, no preciso momento em que me sento à secretária, vejo um vídeo captado em Nápoles, Itália, em que vizinhos, de quarentena devido à pandemia do coronavírus, cantam nas suas janelas a canção Abbracciame (Abraça-me) cuja letra fala sobre amor e coragem para enfrentar o futuro.

Uma iniciativa que rapidamente se tornou viral em toda a Itália e agora também em Portugal, numa clara mensagem de que só juntos conseguiremos ultrapassar a ameaça pela qual todos estamos a viver. E já não consegui deixar de escrever sobre este tema.

É intrigante… Numa altura que a tecnologia ganhou terreno aos afetos, substituindo tantas vezes a presença física e um abraço por um gosto nas redes sociais, hoje damos-lhes outro valor. Hoje queríamos abraçar, tocar, ir para a rua e viver a proximidade real em vez de estarmos agarrados ao telemóvel, isolados em casa.

É intrigante… Depois de se assistir a vários apelos aos líderes mundiais pela preservação do planeta, e em que pouco se fez, vemos um país como a China reduzir os níveis de poluição ambiental, não por medida adoptada em função disto, mas porque foi obrigado a parar por força da pandemia.

É intrigante… Ver como muitos continuam a fechar os olhos ao flagelo dos refugiados e surge este vírus, que não escolhe países, pessoas, classes sociais, religiões, idades, cor da pele, e nos põe “no lugar do outro” e nos faz sentir a discriminação, o isolamento, o bloqueio de fronteiras, colocando-nos a todos no mesmo barco – o da vulnerabilidade. De repente, o mundo mudou! E nunca como agora se falou tanto das consequências das nossas ações.

O nosso dever é cuidar de nós e uns dos outros, adotando as medidas recomendadas

Quando esta tempestade passar (e vai passar!), espero que tenhamos a capacidade de refletir sobre todas estas questões e, de uma vez por todas, perceber que precisamos uns dos outros e que só juntos, sem fronteiras, podemos construir um mundo melhor, mais consciente e saudável para todos.

Havemos de nos abraçar, como cantam os italianos, e voltar a andar livres pelas ruas, sem máscara nem preocupações de distanciamento social. Mas agora, o nosso dever é cuidar de nós e uns dos outros, adotando as medidas recomendadas. Só assim podemos ajudar quem está na frente de combate – os profissionais de saúde – e todos os outros que não podem ficar em casa, para que nada nos falte enquanto estivermos ‘retidos’.

Uns podem dizer que “são ossos do ofício”. Pois são, mas não se esqueçam de que eles também são pais, filhos, irmãos e que não vão poder estar em casa a proteger quem amam. Também por eles, devemos fazer a nossa parte para que tudo passe rapidamente. Cumpram o que nos pedem! Fiquem por casa!

A edição de abril da Saber Viver já está nas bancas, num local perto de si.

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