
No Intemporal, o outono serve-se à mesa
Com uma vista que nos prende o olhar, como se de um quadro se tratasse, o Intemporal convida a abrandar e a desfrutar. O Menu de outono é o destaque deste mês.
Na antiga casa do fiscal, em Paço de Arcos, o Intemporal convida-nos a valorizar o tempo em todas as suas formas: o tempo da cozinha, o tempo dos alimentos, o tempo das estações e, acima de tudo, o tempo à mesa. A vista é o amuse-bouche perfeito, o ponto de partida para uma refeição que, certamente, será inesquecível.
Inaugurado em 2025, o projeto é, desde março de 2026, liderado pelo chef executivo António Simões, que esteve presente no projeto desde a abertura. Para o Intemporal, o chef traz uma cozinha marcada pela sazonalidade e pela qualidade do produto, mas também por uma interpretação pessoal, na qual transporta memórias de infância e de viagens para os pratos que desenvolve.
Além de privilegiar os produtos da época ao longo da carta, o chef lança, por ano, quatro menus sazonais, que entram em vigor no início de cada estação.
Uma viagem pelos sabores de outono
Disponível desde o início do outono, este menu especial traz à mesa do Intemporal a caça, os cogumelos, a pera e o marmelo.
Ao longo de 11 momentos, embarcamos numa autêntica viagem de sabores. Começamos pela “Batata”, uma salada ligada com aioli de peixe grelhado e fumado, mexilhão ao natural, pickle de shiitake e caviar Oscietra, e pelo “Pastel”, de massa tenra e recheio de caça, que combina figo avinagrado e segurelha. Este prato, faz referência aos tempos passados no Alentejo e às caminhadas pelo campo com a avó materna, com quem o chef António Simões colhia esta erva aromática.
De seguida, chega à mesa a “Ostra”. Este prato, que tem conquistado quem o prova, combina batata-doce de Aljezur com referências asiáticas que acompanham a cozinha do chef. Marinada em ponzu de calamansi, a ostra é servida com gema confitada, espuma e palha de batata-doce, togarashi e amendoim, numa combinação de salinidade, doçura e acidez.
Numa passagem para os pratos seguintes, o chef apresenta-nos “Percebes e Lingueirão” e o “Lagostim”.
Antes de nos demorarmos a saborear três pratos memoráveis, faz-se uma pausa para um pão de fermentação lenta, apresentado em cima de um naperon feito pela chef pasteleira Letícia Silva, acompanhado de manteiga de cabra e de azeite Angélica, um azeite virgem extra produzido em Moura, no Alentejo. O que inicialmente pode parecer estranho, pois estamos habituadas a iniciar a refeição por este momento, torna-se numa agradável surpresa e na pausa de que não sabíamos precisar.
Sem demoras, chegam-nos três pratos cheios de significados. Primeiro, um “Pregado” preparado no carvão, que recebe um beurre blanc com limão curado, alcaparras fritas e cantarelos fumados. De seguida, “Swahili”, um bacalhau confitado em especiarias e servido com um velouté de caril de grão-de-bico, conserva de manga verde e acelga grelhada. Este prato nasce de uma viagem do chef a Zanzibar, onde o mesmo provou um caril cuja intensidade e combinação de especiarias com a cremosidade do leite de coco o levaram a pedir à cozinha para conhecer a mistura utilizada.
Em terceiro, a “Cabidela de Pato” faz-nos regressar à mesa de família. Inspirado numa receita que a avó preparava nesta altura do ano, o chef apresenta uma cabidela combinada com pera bêbada acidulada e capuchinhas, acompanhada por uma espetada de moela grelhada com alecrim, e coxa de pato desossada e crocante.
Para terminar a refeição em grande, os “Citrinos” combinam merengue, curd de tangerina, pomelo fresco e gelado de lúcia-lima, introduzindo frescura depois dos sabores mais intensos. Mas o grande final pertence à “Escarpiada de Condeixa”, criada pela chef pasteleira a partir das recordações de António Simões na terra da sua avó paterna. O doce tradicional ganha uma nova interpretação com marmelo, geleia das suas cascas, licor de noz e azeite, prolongando a ligação entre a cozinha e as memórias de família.
A experiência é acompanhada por uma harmonização vínica da responsabilidade do sommelier António Guerreiro.
Além do Menu Intemporal (neste momento, o Menu de Outono), que tem o valor de 110€ por pessoa, existem ainda mais duas opções: o Menu Passageiro, de seis momento, que tem um valor de 60€, e o Menu Instante, de quatro momentos, que tem um valor de €30.
Os três menus estão disponíveis todos os dias, ao almoço e ao jantar.