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Já deu por si a cheirar obsessivamente o seu recém-nascido e achou-se um ser estranho? Não se preocupe – é normal! E a ciência explica porquê.

Os bebés – sobretudo os recém-nascidos – emanam um aroma especial, quase aditivo. Têm um cheiro característico, doce e suave, que, mesmo entre choros, sestas e mudanças de fraldas, é único. Provavelmente, já deu por si a cheirar um bebé – mesmo que não fosse seu. Pode parecer um ato estranho, mas a ciência justifica-o. E, sim, é normal.

Johannes Frasnellim, professora de anatomia da Universidade do Quebec, no Canadá, foi co-autora de um estudo publicado na revista cientifica Frontiers in Psychology que investigou a reacção das mulheres ao cheiro dos bebés.

Para a investigação foram recrutadas 30 mulheres, 15 mães e 15 não mães. Todas cheiraram um recém-nascido com menos de dois dias. O resultado comprovou que, de facto, o cheiro dos bebés “é fascinante”, explicou a investigadora à NY Mag. A todas as participantes foram feitos scans cerebrais e os resultados demonstraram que este odor ativou áreas do cérebro “relacionadas com a sensação de recompensa”. A mesma autora explica que “o cérebro das mulheres de ambas as categorias reagiu ao cheiro do bebé como se este se tratasse de uma recompensa maravilhosa ou até mesmo uma droga.”

O cheiro funciona, em conjunto com a visão, como elemento que gera o vínculo especial entre a mãe e o bebé. Ainda assim, como explica a investigadora, como não é visível, há menos consciência da importância deste elemento.

Mas porque é que os bebés cheiram tão bem?

Este cheiro característico dos recém-nascidos é natural. Apesar da sua origem não ter sido confirmada, há suspeitas e teorias. Há especialistas que dizem que o odor tem origem nas glândulas sudoríparas. Há ainda quem diga que a causa está no vérnix caseoso, a substância oleosa e branca que cobre os bebés a partir da 20.ª semana de gestação do feto e que serve para proteger a sua pele contra os microorganismos presentes no líquido amniótico.

A única certeza dos cientistas é, no entanto, que o impacto do cheiro para a criação de laços entre pais e filhos é bilateral. Da mesma forma que no estudo notaram que cada inspiração de odores transmite informação ao cérebro, sabe-se que o nosso corpo e cheiro também transmitem informação “sobre os nossos níveis de stresse, de uma doença e até de relações com outras pessoas.”

Assim, além da mãe criar um vínculo com o filho, este também o cria com a mãe. De acordo com a NY Mag, “antigos estudos mostraram que os bebés conseguem diferenciar o leite da sua mãe de outras, através do cheiro.” As mesmas investigações revelaram que até preferem o cheiro da roupa utilizada pelas mães.

O cheiro é, assim, considerado um dos elementos mais importantes para criar laços entre pais e os filhos. O cheiro a bebé pode não durar para sempre, mas fica gravado e gera um amor para a vida.

Está a pensar em ter um bebé? Saiba se o seu marido ou namorado vai ser um pai incrível.

Fotos: PR Shots/Stitch And Story

 

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